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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Ainda sobre a questão da gasolina

  Na quinta-feira enchi o depósito e no fim-de-semana andei a passear um pouco pelo centro do país. Não vi um único sítio onde uma pessoa não se pudesse abastecer. Eu não vi quaisquer notícias nem percebi ao certo o que se passou. A única coisa que eu vi, foi que pelo menos por onde andei não havia qualquer falta de combustíveis, no entanto os preços deles, esses sim, aumentaram consideravelmente...

O verdadeiro apocalipse

  Tenho vindo a ganhar cada vez mais o gosto pelo mar, pelo som da rebentação das ondas, pela maresia. Vivendo longe da praia, tendo um fim-de-semana livre sabe bem percorrer a quantidade de quilómetros absurda que nos separa, nem que seja quase só para cumprimentar as gaivotas e vir embora.

 

  No fim-de-semana passado fui pela primeira vez até à Marinha Grande e à praia de São Pedro de Moel. Descobri que ao longo dos quilómetros que separam os dois sítios, à beira da estrada existe uma ciclo via onde ainda se viram algumas pessoas a passear, e que há-de ser agradável percorrer um dias destes. Também ao longo da gigantesca maioria do caminho não se vê uma única árvore que se tenha safado de um grande incêndio em 2017. No entanto não estamos a falar de árvores comuns, mas sim daquilo que aparentemente era um símbolo da região, do qual aqui e ali vemos umas quantas placas informativas. Mandado plantar inicialmente no séc XIII por D. Afonso III, do "Pinhal d'El Rei" pouco sobra e na minha cabeça pessimista imagino que, não havendo algum tipo de reflorestação, aquilo daqui a alguns anos há-de parecer um deserto.

 

  Chegando à praia, presumo que devido à altura do ano, estava tudo muito parado. Levou-se almoço de casa, que se saboreou no meio da areia. Não são poucos os cantos e caminhos que parecem velhos e meio abandonados. Talvez sejam limpos no Verão. No entanto o que mais me saltou à vista, e que eu não reparei imediatamente, é que a areia está cheia de lixo, mais especificamente pequenos pedaços de plástico espalhados por todo o lado, trazidos pelo mar.

A minha gata foi ao médico

  No mundo, quando se precisa de algo, é necessário ou ter hora marcada, ou esperar em filas. A forma como somos chamados varia de sítio para sítio. Num supermercado para pedir umas gramas de queijo chamam-nos pelo número da senha, já no hospital chamam-nos pelo nome. Achei um pouco bizarro que ao levar a gata ao veterinário tenham chamado pelo nome dela.

Falar do tempo

  No sábado esteve sol. Esteve calor. Andei a pé. Tinha uma camisola que vesti pela manhã dentro da mochila e um casaco de inverno na mão. Já está a Primavera a chegar e eu ainda à espera do frio de Inverno. Não foi muito este ano. Ainda bem...

Harper Lee - Por favor não matem a cotovia

cotovia.jpg

  No seu título original, que é basicamente igual a este mas não na negativa, incidentalmente soando ridiculamente cool, To Kill a Mocking Bird é um livro escrito por uma adulta refletindo, quiçá em muitos aspetos recordando, no que é e como é a vida, em como funciona a sociedade aos olhos de uma criança para quem o pai é a pessoa mais corajosa do mundo apenas por dizer “bom dia” a uma velhota doente que assusta as crianças.

 

  Há muitos livros direcionados para os mais novos, mas surpreendentemente poucos são, como este, pelo menos na minha opinião é, direcionados para os mais velhos, através dos olhos de uma criança. Antes de qualquer outra coisa parece-me importante fazer esta distinção especialmente devido aos temas que o livro aborda – divisões sociais de todo o tipo.

 

  Com o tempo To Kill a Mockingbird veio a tornar-se um clássico da literatura americana, tendo ganho um dos mais importantes prémios do país, o Pulitzer, em 1961, um ano após ser publicado. Ganhou quase desde logo a distinção de “clássico”, ainda hoje sendo ensinado nas escolas americanas, e foi também adaptado ao cinema em 1962. Estas pequenas curiosidades só para dizer que, ao contrário da grande maioria dos “clássicos” que vou encontrando, este é talvez um dos melhores livros que já li.

 

  Mas o que dizer sobre um livro que já tantos leram? Bem, passa-se no sul dos EUA na cidade ficcional Maycomb durante os anos da grande depressão e relata a história da pequena cidade através dos olhos de Scout Finch, filha de Atticus Finch, advogado de profissão que se vê encarregue de defender um negro em tribunal. A acusação é de violência e violação de uma jovem e desde cedo que vê que o acusado claramente não é culpado, apesar de lhe acabarem por dar a setença de morte.

 

  Já acabei o livro há algumas semanas no entanto é-me extremamente difícil falar dele, porque tudo o que posso aqui escrever me soa a redutor. Todas as personagens estão extremamente bem construídas. Até o próprio ambiente é alvo de atenção especial. A cidade está degradada e por vezes parece quase abandonada; os seus habitantes miseráveis durante a grande depressão, vencidos pela vida, grande parte deles com deformidades físicas, ou psicológicas como no caso de “Bo” Radley, vizinho de Scout que durante décadas quase não saiu de casa.

 

  Ao longo do livro vemos as personagens principais, as crianças, crescer e ganhar uma maior compreensão do mundo, mas o mundo em si não muda, as personagens em si não mudam, ou pelo menos não o suficiente para que se veja alguma mudança imediata no mundo de Scout Finch. Leiam, por favor, não se arrependerão.

Natal em triângulos

  As músicas de Natal são sempre as mesmas todos os anos. Irritantes e repetitivas, lá acabam por entrar na cabeça, especialmente quando são ouvidas vinte vezes ao dia. Quando damos por nós já andamos a cantarolar Last Christmas i gave you my heart... No entanto a música 12 Days Of Christmas consegue ser repetitiva nela mesma.

  Nesta música o verdadeiro amor de alguém vai oferecendo coisas disparatadas durante doze dias. Temos um zoo de pássaros, bailarinas e até bateristas. No entanto o amor desta pessoa não oferece apenas uma só prenda em cada dia: não. Em cada dia oferece algo novo e o que foi oferecido no dia anterior. No primeiro dia é oferecida uma perdiz; no segundo dia são oferecidas duas rolas e uma perdiz; no terceiro três galinhas, duas rolas e uma perdiz, e por aí fora até ao décimo segundo dia. Ouvir a música acaba por ser bastante aborrecido porque a lenga-lenga vai-se tornando cada vez mais longa a cada dia que passa. Não deixa é de ser engraçado aplicar os conhecimentos matemáticos aprendidos algures no ciclo e traçar gráficos, ora com a quantidade de coisas que vai sendo oferecida, ora com a quantidade de vezes que algo é oferecido.

graph1.jpg

  Em qualquer uma das representações o resultado vai ser um triângulo. Se quisermos saber quantas coisas no total o ser amado ofereceu, basta contar o número de pontos que compõem qualquer um dos triângulos. A isto se chamam números triangulares.

 

  A área de um triângulo, na sua forma mais básica, é área do quadrado dividida por 2. No entanto isso só inclui metade de cada um dos pontos compostos pela hipotenusa, ou, neste caso, metade dos dias que já passaram. Não estando nós a falar de números muitos grandes, podemos embarcar na tarefa aborrecida de contar todos os pontos.

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  No quinto dia, no total, contando os pontos, ofereceram-se 15 prendas. A área de um triângulo com 5…prendas…seria de 12,5…prendas. No entanto estamos a cortar cinco delas ao meio, e é necessário somar essas metades. Portanto o quinto número triangular, ou o número de prendas oferecidas até ao quinto dia, seria 15.

 

  A contagem torna-se é mais complicada se tivermos em conta que as prendas são compostas por várias coisas. No quarto dia são oferecidos quatro pássaros, que passam então a ser também oferecidos nos dias que faltam até ao final da música. No sétimo dia são oferecidos sete gansos que são também oferecidos nos restantes dias. No nono dia…bem, a porcaria da música nunca mais acaba e eu tenho-a ouvido por aí basicamente todos os dias. Chega de contagens.

 

Feliz Natal a todos!

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