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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Palema Sargent - O meu vizinho alienígena

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  Fringe é uma série de ficção científica da qual apenas vi, há largos anos atrás, um ou outro episódio solto, mas no geral tenho uma imagem bastante positiva dela. Curiosamente apanhei mais do que um episódio com os “Observadores”, personagens idênticas entre si que se mostram nos mais variados momentos de toda a história do ser humano, mas que, tanto quanto vi na séria, nada fazem, simplesmente estão lá, observam.

 

  Não conhecendo a série, não sei dizer se houve algum desenvolvimento nos observadores, mas os criadores podem muito bem ter-se baseado neste livro para criar estas personagens. Editado primeiramente em 1983, escrito por Pamela Sargent, a quem foi dado erradamente o sexo masculino por quem compôs a contracapa do livro, pois trata-se de facto de uma mulher. (Há pequenas coisas que não se sabe bem como passam). O livro mostra-nos um mundo marcado pela pobreza e pela falta de emprego, onde as únicas soluções viáveis para a população, pelo menos na cidade onde o livro se passa, parecem ser, ou juntarem-se ao exército, ou…irem viver para a parte da cidade onde estão os sem-abrigo e afins. Nestas circunstâncias, tudo na vida do casal protagonista se centra em volta de manter os seus empregos e contar tostões. Uma chávena de café é um autêntico luxo.

 

  O casal protagonista vive constantemente com medo em serem despejados da velha casa onde moram, constantemente a necessitar reparações. Nisto lá surge um novo vizinho, algo extravagante, que parece ser rico e que abertamente diz a todos que é um alien. No final de contas não é propriamente um alien, mas sim um ser humano que viveu centenas, talvez milhares de anos, com recursos infinitos e tecnologia insondável. O único problema dele é a solidão. Mas antes de o saberem os protagonistas são envolvidos no mistério da identidade da sua pessoa.

 

  Não sei se há palavra para definir o que vou demorar um parágrafo inteiro a explicar, mas a ficção científica pode ser muito…(inserir palavra). Isto é, o equivalente ao que em filmes de ação se chama a “suspensão da descrença”, quando é necessário simplesmente ver e não ligar a cenas que sejam estupidamente impossíveis. Enquanto em ação são cenas específicas em ficção científica ou fantasia é todo o ambiente, toda a história, toda a explicação que por vezes parece não fazer sentido, mas à qual damos um certo “desconto”. Largamente não foi o caso deste livro.

Contradanças e polémicas (parte 2?)

(Parte 1)

  Em primeiro lugar, não li artigo nenhum, portanto não sei bem do que falo. Fio-me apenas na pouca informação de alguns vídeos e artigos; vou também repetir parte do que disse no post anterior e tornar-me um pouco redundante mas deem lá um desconto.

 

  Recentemente anda a ser partilhada uma publicação de uma representante da UE, ou algo assim, que afirma que nada vai mudar, que, e passo a citar “O artigo 13º não se dirige a youtubers e não vai afetar os vossos canais. Dirige-se, isso sim, a plataformas como o YouTube”. (É suposto não os afetar? É como dizer "Estes aumentos de preços não afetam os portugueses, apenas o país no geral".) Não sei se esta mensagem é para tentar apaziguar um pouco as coisas. Se não é, se é para ser levada com objetividade, parece-me haver alguma incompreensão na posição da google que é uma mistura entre quase ameaça e cãozinho abandonado.

 

  O que o youtube afirma é ser impossível, no atual estado das coisas, e tendo em conta o volume absurdo de vídeos que é lá colocado, controlar tudo. Eles não concordam com artigo “no seu estado atual” (que tanto quanto sei pode já ter mudado pois afinal é essa a natureza destas coisas) e vão-se ver obrigados simplesmente a bloquear a maior parte dos seus conteúdos. Dizem que já pagam milhões em direitos e afins; que já têm realmente uma carrada de automatismos que distinguem o que é “fair use” do que não é, que identificam direitos de autor dando aos mesmos a possibilidade de apagar os vídeos ou redirecionar a monetização e trinta outras coisas (“Content ID” e afins). E que por pior que estes automatismos possam funcionar, estão constantemente a ser atualizados e melhorados. A posição do youtube parece-me ser a de que não vão fazer mais do que isso, que não estão cá para aturar mariquices, que deixam apenas meia dúzia de canais oficiais, quiçá um ou outro ao qual pelas graças de nosso senhor deem carta branca para publicar coisas, e que tudo o resto vai ao ar, que não vão nem têm como se responsabilizar por milhões de horas de vídeos sem cortar tudo. Bella Ciao Europa. Não sei se é impressão minha, mas parece-me que quando a questão do "Vão apagar-me o canal" ou "Bloquear os vídeos todos" é desmentida, o que é dito é que "Não amigos, a UE não vai apagar coisa nenhuma", quando é o próprio youtube que ameaça bloquear conteúdos indo a lei para a frente e não a UE diretamente. Só por essa falha de interpretação o comunicado acima linkado perde qualquer significado que possa ter. Esta gente parece não saber como funciona a internet. O youtube e as redes socias e tudo o mais são empresas privadas. A diretora (CEO) do youtube veio dizer que vão restringir o conteúdo e, indo a lei para a frente, queira o youtube fazê-lo para evitar ver-se em trabalhos, não há nada que esta senhora ou alguém da UE possa fazer para o impedir. São milhões de vídeos comprometedores. Eles simplesmente não vão arriscar, nem faz qualquer sentido arriscarem-se.

 

  O Rapaz das Ilhas, no seu post, resumiu a conversa às duas grandes questões que, correta ou incorretamente se espalham por aí. Acho que a resposta à primeira é bem clara e a posição do Youtube é sim, que vai restringir grande parte do conteúdo que por lá circula na Europa e impedir o upload da gigantesca maioria dos novos vídeos que lá surgiriam. Ninguém faz conteúdo 100% original e tentar descortinar o que é fair game ou não, dá demasiado trabalho, custos e problemas. Imagino que em muitos casos seja mesmo necessário haver pessoas a visualizar os vídeos antes de estarem públicos, porque é relativamente fácil enganar estas coisas, e pedir isso é ridículo. Ninguém fala é especificamente de nada, apenas de conceitos abstratos. Ameaças por parte do youtube ou da UE à parte, sabemos lá nós o que irá acontecer, se é que vai acontecer alguma coisa. Devido ao post dele acabei vendo uns quantos vídeos de portugueses. A única pessoa que vi levantar alguma questão de jeito foi a Bumba na Fofinha que questionou exatamente como o controlo exigido pelo artigo 13 é suposto ser sequer possível de executar.

 

  Quanto à segunda questão do Rapaz das Ilhas...eu gostava que se falasse mais no artigo 11. Não tendo lido nada quase nada acerca disso, nem sem bem o que é, muito menos como será aplicado mas também é assustador. Cada vez que se dá uma opinião sobre o que quer que seja, é necessário colocar-se a fonte de onde essa informação veio, porque há sempre alguma, e sem ela é só barro que se atira à parede à espera que cole. No post anterior falei no caso da google news em Espanha. Ainda hei-de pesquisar o que, ao fim ao cabo, isso deu, se é que deu em algo. É curioso como ninguém fala nesse artigo quando, no caso aqui dos blogs, poderia ter um grande impacto. Em Espanha, pelo que depreendo, era suposto que para a google partilhar links de notícias das fontes de informação (imprensa) seria necessário adquirir algum tipo de licença. Tendo em conta que aqui no sapo existem umas quantas páginas dedicadas a futebol (apenas um exemplo) onde comentam e partilham constantemente notícias, teria o sapo de pagar alguma licença para isso? Afinal estes artigos metem as plataformas como responsáveis por tudo o que nelas é publicado. E se sim, o sapo vai fazê-lo? Ou irá simplesmente entrar no filme do youtube e bloquear tudo o que se identifique minimamente dentro do assunto e pronto? Tanto as pessoas das legalidades como as pessoas…do lado de fora delas, falam falam mas não explicam coisa alguma. Na prática afinal o que raio vai acontecer? O Polígrafo comenta, em relação às afirmações de um dos maiores youtubers portugueses, que estas medidas podem beneficiar a imprensa tradicional, no entanto não é algo tão linear quanto isso. Quando a google news acabou em Espanha, o tráfego nas páginas da imprensa de lá supostamente reduziu para níveis tristíssimos. Isto porque, adivinhem lá, as pessoas na sua maioria não vão às fontes de informação diretamente. Se algo não é partilhado, nem falado, não vai ser visto.

 

  Resumindo: a resposta à segunda pergunta, vai e não vai. Não é totalmente descabido pensar que sim. São plataformas que, em certa medida, concordo, têm poder a mais. No entanto o que estes artigos vêm fazer é como se…bem, é como se, de um momento para o outro, se proibisse a utilização de carros para evitar o aquecimento global, de repente, sem sequer serem dadas alternativas às pessoas para se deslocarem aqui e ali. Comparação talvez tola, eu sei, mas foi o melhor que arranjei à pressão. Os princípios podem ser bons, mas os meios são, na melhor das hipóteses, incompletos.

 

  No papel parece tudo porreiro, mas as aplicações podem ser desastrosas e é isso que me parece que a UE não tem em conta. Não sabem como essa gestão deve ser feita, mas exigem-na. Pois bem, aí está "a internet" a dizer "vão dar uma volta porque isso é impossível", mensagem essa que aparentemente também não foi compreendida. O objetivo do youtube/google é proteger a sua plataforma, porque atualmente dizem não há como aplicar restrições à escala abrangente que seria necessário. Responsabilizar as plataformas em si financeiramente (porque é isso) pelas ações dos seus milhões de utilizadores não me parece a forma mais correta. Imagino a google a falar com as suas equipas de contabilidade e a resposta dada "Não amigos, assim não dá! Deixa de haver margem de lucro na Europa!". Com a ameaça da google, "adeusinho Europa que nós não temos pachorra para isto", pergunto-me também o que vai ser dos blogs e dos bloggers que partilham e falam de notícias (e etc) aqui, e de como o vão fazer sem poder citar as suas fontes. Até a wikipedia já se pronunciou sobre isso. E quem se questiona acerca da internet mudar…imaginem uma internet sem Wikipedias e sem muitas das bases de dados e/ou de informação que temos viradas para o entretenimento. Depois é pensar em todas as redes sociais, todos os sites de piadas e anedotas que partilham informação e sim, no final temos uma internet bem diferente daquela que conhecemos agora. Ou pelo menos com conteúdos bem diferentes que isto do "como conhecemos" por si só tem pano para mangas no que toca a interpretações.

 

  A Borboleta Verde mencionou covers de músicas, e eu li algures que também iriam sofrer. Ora eu estou a aprender a tocar um instrumento musical. E 100% dessa aprendizagem, para além de prática, são vídeos informativos e covers no youtube. É assim que quase toda a gente aprende nos dias que correm (e desde sempre): com músicas dos outros. E se não o pudermos fazer por não se poder ensinar essas mesmas músicas online por terem direitos de autor? E, esquecendo a parte em que o youtube diz que vai bloquear tudo e pronto, não havendo esse bloqueio, onde se traça a linha do que é fair use ou não? Isto porque aparentemente vídeos de covers, ou vídeos de dança, onde se cria uma coreografia para alguma música, também vão deixar de ser partilhados. Um vídeo onde se esmiúça uma música, como este, pode ser partilhado? E que tal uma análise de géneros musicais (não sei mais o que lhe chamar) como aqui? … De tudo o que se fala ninguém diz exatamente onde as linhas se vão traçar. E voltando à aprendizagem musical, deixará isso de ser possível através da internet? E ainda nas covers, o que é fair game? Pode-se colocar uma música como esta, em piano?

 

  Nada disto é preto no branco e parece-me que em parte é isso que assusta as empresas. Parecem piadas atiradas ao ar por alguém que pouco mais sabe do que eu (que nada sei) sobre o assunto, como uma pessoa de telemarketing a vender um produto que desconhece. Talvez isto fique por aqui e depois destes dias se deixe de falar por completo no assunto e não dê em nada, mas é interessante ver o desenrolar de uma polémica, seja ela qual for. Em Portugal aparentemente há muitos youtubers que têm um sem número de garotos a ver os seus vídeos. Lá vêm as notícias de crianças a chorar baba e ranho por o seu youtuber favorito ficar sem canal. A criança azucrina os pais que, por sua vez azucrinados, falam mal dos youtubers. Enfim, muita trapalhada não relacionada com o tópico em questão. Mas pronto, em Portugal, já se sabe, tudo o que envolva as sagradas crianças é de se fugir a sete pés. Que o diga a Supernanny. Juro que por vezes a moralidade nacional parece ser ditada pelas crianças, ou pela forma como são usadas. Tenho pena delas. Coitadas. Só querem atirar paus a gatos, brincar com bonecos e à apanhada, no entanto acabam sempre metidas em tudo o que é controvérsia. Há muita gente a interpretar mal as alterações propostas. Também há aqueles que se enaltecem, como se a sua integridade pessoal fosse o que está em causa, dizendo coisas como ”Eu defendo a vida!” e “Não matem os velhinhos!”. Afirmações essas que não pertencem aqui, mas são igualmente tolas e fora de contexto. E também se escusa de falar de direitos de autor por si só, que isso nunca sequer esteve em causa. O que está em causa é, sim, encontrar as melhores ferramentas e formas de proteger esses direitos, coisa que a própria UE não parece muito capacitada ou sequer interessada em fazer.

O fim da internet como a conhecemos?

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  Pesquisando qualquer coisa no google, por cima dos resultados, uma das opções que temos é “notícias”. Ou seja, podemos pesquisar um qualquer termo, como um nome de alguém famoso, e redirecionar a pesquisa por “notícias” para saber as trapalhadas em que essa pessoa tem vindo a envolver-se nos últimos tempos.

 

  Não em Espanha. Em 2015 a google retirou esse serviço a quem esteja a aceder ao site nesse país. Mas porquê? Porque houve uma tal de “Asociación de Editores de Diarios Españoles” que decidiu criar e associar custos à partilha de links que proviessem da imprensa Espanha. Pois bem, como é óbvio, a google enquanto empresa não iria estar com trapalhadas. A pesquisa de notícias disponível num sem número de países e línguas, deixou de existir em Espanha, porque criar taxas para partilha de links…enfim, não há empresa que se queira meter nisso. Para quê pagar por algo que não vai fazer dinheiro diretamente? Mais vale cortar tudo e pronto, bem menos problemas dessa forma. E o que aconteceu depois? Não sei bem nem me apetece fazer essa pesquisa para este post que já vai ser bem grande, mas a google anda com malabarismos aqui e ali, e a imprensa Espanhola online perdeu grande parte do tráfego online, porque afinal é através dos motores de pesquisa que as pessoas lá vão parar.

  Desde a sua concepção que a internet tem vindo a ser reformulada a todos os níveis, incluindo o legal, e para exemplo recente e elucidativo disso basta retornarmos à google, uma das maiores e mais importantes empresas online. Já alguém reparou que dantes ao pesquisar imagens no google, bastava clicar-se na imagem para ter acesso a ela e agora já não?

 

  Recentemente anda muito em voga um tal artigo 13, que poderá ser aplicado na EU podendo alterar e muito os conteúdos aos quais temos acesso. Mas o artigo 13 não existe sozinho, e um dos companheiros é o artigo 11 que, adivinhem, coloca taxas pela partilha de links de notícias. Como aconteceu em Espanha… Escusado será dizer que poderá ter um impacto bastante grande até aqui nos blogs do sapo.

 

  O artigo 13 faz parte de uma diretiva de legislação (é assim que se diz?) da união europeia cujo objetivo é proteger direitos de autor, principalmente da indústria cinematográfica e musical que são quem tem os maiores lobbies – digo eu que de política pouco percebo e de legalidades ainda menos. O próprio youtube parece andar a espalhar a mensagem para que muitos dos utilizadores do site falem sobre o assunto. E é curioso que seja a própria empresa a tomar aqui as rédeas. Até há alguns dias atrás nunca eu tinha ouvido falar disto, mas se as implicações forem tão negras quanto eles as fazem parecer, os conteúdos aos quais temos acesso na internet podem mudar e muito. Qualquer dia nem se tem acesso a pornografia, imagem lá...

 

  Atualmente se alguém na internet, aqui nos blogs por exemplo, usar material que não lhes pertence, essa pessoa pode ser processada, ou algo assim. Com o artigo 13 será não a pessoa, mas o próprio sapo a ser processado. E pelos vistos aplica-se a TUDO, deixando de existir o que hoje se chama "fair use" (vídeo no fim para mais informações). O youtube é uma plataforma onde milhares de horas de vídeo são colocados todos os dias e eles não têm forma de controlar isso. Afinal é uma plataforma razoavelmente livre. No entanto, sendo este malfadado artigo aprovado, a própria empresa é responsável por todas essas horas de vídeo. Só alguém que não saiba como funciona o youtube ou a internet pode dizer algo assim. Não há como eles fazerem esse controlo ao nível a que é exigido. “Algoritmos e bots” como lhes chamam são muito fáceis de enganar. “Aqui está este vídeo que tem direitos de autor, viramos a imagem 180 graus e já não é detetado. Tcharam!”. O resultado disto será que estes sites, não tendo como controlar o que utilizadores lá metem, vão simplesmente cortar tudo. Tudo. (ou praticamente).

 

  Como a google fez com a sua secção de notícias em Espanha. E a parte do artigo 11 em que os provedores de notícias devem ser compensados pela partilha dos seus trabalhos? Ya. Se partilharem notícias e links aqui, serão as próprias pessoas do sapo, que nos permitem usar esta plataforma, que irão pagar por isso.

 

  De direito nada percebo, e muito menos sei dizer como isto vai afetar a internet no geral, ou sequer o vão verdade é o que estou aqui a dizer. Mas mesmo que estas coisas não sejam agora aprovadas, pode ser que esteja perto, seja inevitável e apenas uma questão de tempo. Por agora é só na Europa, mas certamente se espalhará. O que aqui digo foi apenas tirado de alguns vídeos tolos e notícias que pintam uma imagem quase apocalíptica, mas certo é que tendo em consideração a pouca informação que vi não parece tão rebuscado quanto isso. Há muito países por esse mundo fora dos quais o pouco que sabemos é que não têm acesso a grande parte da internet, como acontece na Coreia (outra verdade que não sei se o é). Aqui simplesmente não será o governo, mas as próprias empresas que se verão obrigadas a isso para se protegerem a elas mesmas.

 

  Para nós, utilizadores de redes sociais, facebooks, twitters, dos mais variados fóruns, dos blogs do sapo, do youtube, plataforma da qual eu confesso ser grande consumidor, podemo-nos ver privados da gigantesca maioria do conteúdo ao qual temos agora acesso, privados de partilhar seja o que for, incluindo coisas que não estejam protegidas por direitos de autor, porque para o facebook e afins não vale a pena correr o risco.

 

  Há por aí umas quantas petições e coisas do género. Há uma hashtag #saveyourinternet e tudo. E diabos me levem se algum dia não vou perceber o que raio são estas coisas começadas pelo símbolo ao qual se dava o nome de número cardinal. Se alguém me souber explicar agradeço. Adiante. Procurem a petição se estiverem para aí virados, ou apenas informação se quiserem, mas parece-me importante falar-se disto. Se tiver paciência sou capaz de ler grande parte desta nova diretiva da UE, na qual certamente já umas quantas pessoas andam a trabalhar há anos porque estas coisas não aparecem do nada, para ver se consigo compreender alguma coisa daquilo. Para olhos não habituados a legalidades como os meus parece sempre ser necessária uma licenciatura em direito para descortinar o que quer que seja da linguagem estranha na qual costumam estar escritas. Pode até ser bastante simples, não sei. Veremos.

 

  Veremos também o que será da internet, quiçá até aqui dos blogs, pois isto parece ser abrangente como tudo, nos próximos anos. Fica um dos muitos videos sobre o assunto:

Fantastic Beasts numa mala de viagem

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  Confesso que não tinha grandes esperanças nestes filmes. Foi há uns dias que vi o primeiro, pensando na ida ao cinema para ver o segundo. Que posso dizer? Que não vejo um filme há algum tempo e que foi a melhor escolha que poderia ter feito. E ainda melhor quando descobri que irá haver mais, coisa da qual eu não estava à espera.

 

  Aparentemente foi a própria J.K.Rowling que escreveu os filmes. Tivesse eu sabido isso antes e já há muito tempo teria visto o primeiro Fantastic Beasts and Where to Find Them. O mundo de Harry Potter, especialmente para quem tenha, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, crescido com os livros/filmes, é uma espécie de buraco negro que nos suga e do qual é difícil sair. Que se prepare quem comece agora a ler os livros. Mesmo se não for a vossa praia, a coisa só melhora, e bastante. Em retrospectiva os dois primeiros livros podem nem ser considerados muito bons, mas a partir daí…bem, não é só uma questão da história em si, mas também JK Rowling ser, para mim, das melhores escritoras que aí anda. Os filmes são outra história, bem mais problemáticos que os livros, mas um bom complemento e não falta quem se tenha apaixonado por eles.

 

  Os Fantastic Beasts foram realizados por David Yates, que por esta altura já realizou no total seis filmes da série, e isso de certa forma nota-se. Principalmente no ambiente, na própria cor do flme…enfim, que venha alguém que perceba mais de cinema que eu para explicar.

 

  O nome do filme é o nome de um livro que Harry Potter compra no primeiro ano, mas que curiosamente só estuda no terceiro. Foi escrito por Newt Scammander, personagem principal desta nova série. Eu poucas vezes ligo aos atores, mas Eddie Redmayne quase fazia o filme todo sozinho com a sua representação de Newt, cinco estrelas mesmo, não querendo retirar crédito a outros. Newt é, antes de mais, um verdadeiro Hufflepuff, e só para que fique claro em qual das quatro mesas eu me sento, se bem que fiz o teste só para pôr aqui o resultado, aqui fica:

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  Ele chega a Nova Yorque no início do filme, com um objetivo não muito claro e uma mala que lá dentro tem um jardim zoológico. É bem claro que a principal preocupação dele são os seus animais, e o início do primeiro filme para mim vale ouro, vendo-o no mundo “normal”, de um lado para o outro há procura de um deles que fugiu da mala, estando-se nas tintas para tudo o resto. Depressa cruza caminhos, aparentemente por acaso mas na verdade com uma mãozita do ainda novo Dumbledore, com Gellert Grindelwald, um dos feiticeiros mais poderosos que alguma vez existiu, particularmente versado nas artes das trevas. No segundo filme vemo-lo reunir uns quantos seguidores, no próximo, ou próximos, inevitavelmente iremos ver a guerra que aqui se vai travar.

 

  De uma forma talvez uma pouco estranha, parece-me uma história com potencial para ser mais interessante até que a original. E sendo feita difertamente em filme não passa pela tarefa gigantesca e até certo ponto impossível, de mostrar um livro em imagens. Achei o segundo filme mais problemático que o primeiro. JK Rowling parece ter tentado inserir demasiadas referências ao Harry Potter que já conhecemos. Aqui e ali parece ser difícil manter tudo debaixo de olho, deixam-se escapar demasiados pormenores. Mas que posso dizer? É sem dúvida o mesmo universo, que por acaso eu adoro. Optimistamente fico à espera de um terceiro, talvez de mais. Apesar de inicialmente baixa, a minha espectativa foi superada em todos os sentidos. Um dia destes vou ter de reler os livros que estão ao monte na estante a apanhar pó.

Stephen King - The Cell

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  Stephen King devia estar um pouco farto da banalidade dos zombies mortos-vivos que não fazem sentido nenhum e decidiu dar-lhes um upgradezito, que pouco sentido teve também. Antes de mais não são mortos vivos, que essa trapalhada não tem jeito nenhum; são pessoas normais cujos cérebros, de alguma forma, foram apagados, ou “reiniciados” – como gostam de dizer no livro – devido a um qualquer “impulso” transmitido através de telemóveis. Sim, telemóveis. Ah, e vamos-lhes dar poderes, como telepatia, que é até bastante utilizada no livro. E já agora também porque não levitação? Meter os zombies por aí a flutuar, sem sequer terem noção de que o fazem e sem qualquer controlo aparente sobre isso, e que não leva a lado nenhum. Pelo menos não são zombies, são pessoas loucas que andam por aí a correr...não tanto Walking Dead mas mais 28 Days Later. E nada dessa trapalhada de comer pessoas. Apenas pura violência e pilhagem.

  Aí está senhoras e senhores, The Cell, de Stephen King, editado primeiramente em 2006, provavelmente escrito algum tempo antes disso, altura em que toda a gente começava a ter telemóveis.


  Este livro tem vários problemas e ideias que me deixam a torcer o nariz e, curiosamente, sendo King, o final em si não foi um problema. O problema são as ideias e os conceitos que se introduzem sem serem explicados e que não chegam a lado nenhum. São personagens que deveriam reaparecer mas que nunca mais lhes pomos a vista em cima, ou aquelas que acompanhamos mas cujo desenvolvimento é muito pouco interessante; são conceitos que tocam a ficção científica mas que não têm jeito nenhum nem fazem qualquer sentido. No geral, tolices a mais.

  Mas uma coisa é certa, o homem sabe como começar um livro. Desde a primeira página com os desde logo apocalítico primeiro parágrafo, até cinquenta ou cem páginas adiante, em que vemos a cidade de Boston, onde começa a história, ser virada ao avesso, corrida por acidentes, mortos, assassinatos, violência, até aviões caem, enfim, sangue e fogo por todo o lado. O problema é quando se sai de lá. O livro começa bem acelerado, mas de alguma forma vai diminuindo tanto de velocidade como de intensidade até ao fim que, na verdade, após vários momentos dececionantes, é até bastante bom.

Fora do sofá e pela ecopista do Dão

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  Andámos, andámos, andámos. Ainda foram três, talvez quatro quilómetros e o pavimento esverdeado, molhado da chuva que volta e meia levemente se fazia sentir, parecia não ter fim. Algumas curvas abertas, ora à direita, ora à esquerda, mas o percurso seguia basicamente sempre em frente. Sem termos muito tempo e vendo que não se iria dar a lado nenhum, a contra gosto lá se voltou ao carro, sítio de partida onde de uma maneira ou outra teríamos de voltar.

 

  Estávamos nós a caminhar por uma tal de Ecopista do Dão. Nunca tendo ouvido falar do sítio, pensávamos tratar-se de algum percurso pedestre que desse a volta à pequena cidade de Tondela, mas não.

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  No caminho de volta cruzámos-nos com um grupo de cinco velhotas, todas agasalhadas e cada uma com seu gigante chapéu-de-chuva, que nos informaram que, tivéssemos seguido em frente, ainda seriam alguns quilómetros até encontrarmos uma pequena aldeia, segundo elas até bem bonita e cujo nome não me recordo. O final da Ecopista? Em Santa Comba Dão. O início? Em Viseu. Tínhamos muito que andar…

 

  Não sei que mentes ou em que espécie de projeto e/ou âmbito se decidiu fazer um percurso tão grande, quase 100km ida-e-volta, porque se tem de voltar sempre ao ponto de partida, mas o caminho é bem agradável e está razoavelmente bem cuidado. Menos bom é a vegetação estar queimada em toda a volta durante quilómetros, de incêndios de anos anteriores, quase de certeza do ano passado. Estava queimado onde nós andámos, espere que o resto da via esteja mais verde. Ainda assim só pelas paisagens e pelos avistamentos do rio Dão já deverá valer a pena. Se tiverem tempo livre e uma bicicleta – que a pé nunca mais se chega a lado nenhum, e para todos os efeitos parece-me estar mais pensado nas duas rodas que nos dois pés – fica a recomendação. Eu certamente lá voltarei para pedalar, não meia dúzia de quilómetros, mas a distância até ao fim. E de volta ao início.

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Leslie na Figueira da Foz

  É para mim uma das cidades mais agradáveis de Portugal. Pelas mais variadas razões, desde os edifícios, por alguma razão pintados de cores diferentes, até ao longo areal e passando pelas gaivotas que no final da tarde se juntam por ali às centenas (?) quando a praia está vazia. Estarão à espera de alguma refeição com a subida da maré durante a noite? A maré sobe durante a noite? Não sei, mas o ar que dão é bem agradável. Ah…o cheiro a mar, o chegar a casa depois de uma viagem ainda longa com o corpo ainda salgado sem sequer ter ido à água, só do ar que se apanha.

 

  A Figueira da Foz foi dos sítios mais atingidos pelo furacão Leslie, coisa que nem me lembrei quando ontem se decidiu aproveitar a folga de hoje para lá se ir dar uma volta e comer um crepe à beira mar. A uns bons quilómetros já os estragos se começam a notar. Árvores rachadas e partidas ao meio por todo o lado, camiões a montes a carregar madeira e muitos, muitos carros parados nas bermas, de transeuntes que aproveitam a situação para cortar e apanhar alguma lenha e pinhas que estão mesmo à mão de serrar. Presumo que a própria estrada tenha ficado com entulho e bloqueada pelas árvores aqui e ali. Na cidade não são muito notórios os estragos, arranjam-se uns telhados e janelas, nada de mais, pelo menos agora que já passou algum tempo. Parece ter sido nas redondezas que se deram os maiores estragos, havendo ainda zonas sem eletricidade, o que não é muito mau tendo em conta que nessas zonas houve muitas casas que ficaram sem telhados.

 

  Para quem como eu não tem televisão e mal vai ao facebook ou a sites equivalentes ou de notícias, isto passa um pouco ao lado. Mas é uma visão do caraças: entrar na cidade e ver até os semáforos e as placas de trânsito torcidas e caídas ao deus dará. Até na praia se viu um tronco, ali abandonado. Como raio lá foi ele parar?

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C.S. Lewis - Para Além do Planeta Silencioso

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  Aparentemente este livro é o primeiro de uma trilogia, se bem que não vejo como possa vir algo mais. O final foi bem decisivo, algo que por vezes é bom, por vezes nem tanto. Aqui até gostei, o autor fez aquela coisa de adicionar numa espécie de posfácio excertos de uma carta que o próprio Ransom, personagem principal do livro, lhe teria enviado. Enfim, dá um certo charme à coisa, um certo toque de realismo, e Lewis utilizou isso também para acrescentar um monte de referências e factos sobre o mundo que criou, o planeta para onde Ransom é levado à força, que já bem adiantados no livro nos é confirmado ser Marte, aqui chamado de Malacandra.

 

  Não é propriamente o planeta vermelho que se conhece nas aulas de ciências. C.S. Lewis não se foca muito na ficção científica em si, não só na descrição do próprio planeta, como em muitos outros aspetos, especialmente em informação do espaço e da nave que leva as personagens até lá. Mas quando se chega… Foi criado todo um mundo, populado por três espécies inteligentes, cada uma com sua história. O livro é uma espécie de alegoria com comentários sociais e religiosos que por vezes deveriam ser menos óbvios. Acho que o autor se focou, por vezes, demasiado em coisas que…enfim, pelo menos a mim não me interessam muito como a linguagem das espécies que habitam Malacandra, o que até é natural uma vez que a personagem principal é filóloga (palavra que eu não conhecia), e também se foca demasiado em descrever as várias paisagens do globo Malacandriano. Qualquer secção de qualquer livro onde se alonguem ao descrever uma cidade ou um terreno, ou uma sala, ou objetos do dia-a-dia, depressa perde o meu interesse e, apesar deste não ser de todo um livro grande, durante partes tive de me forçar a ler. Enfim, eu pessoalmente reescreveria ou cortaria partes, mas no geral foi um livro interessante.

 

  Fica também a curiosidade: no álbum "Brave New World", da banda Iron Maiden,  consta uma música chamada "Out of the Silent Planet", inspirada pelo livro.

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