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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Os juízes decidem

  Alguém se lembra de um programa chamado “O Juíz decide” que passava na sic? Lembro-me da existência de tal mas não de quaisquer pormenores ou casos específicos que lá tenham passado. Recentemente, pelos campos do youtube, encontrei vários programas similares, basicamente todos americanos, sendo “Judge Judy” sem dúvida o mais famoso.

 

  Pelo pouco que percebo todos estes programas funcionam basicamente da mesma forma. Trata-se sempre daquilo a que chamam em Inglês “small claims”, pequenos conflitos entre indivíduos ou grupos, processos que estão de facto em tribunal, e que os produtores do programa selecionam a dedo (apesar de provavelmente também nos podermos candidatar) para aparecer na tv. Como é óbvio desta forma os envolvidos no processo jurídico não pagam quaisquer despesas de tribunal – possivelmente até recebem por estar a aparecer na tv – e têm até estadias e viagens pagas até aos estúdios do programa, onde se simula um tribunal. E digo “simula” porque não substituí de facto um. As pessoas assinam algo em que como deixam a decisão nas mãos deste juiz, e essa decisão tem implicações legais, no entanto trata-se não de um julgamento em si, mas de um processo de arbitragem (ver mais info aqui).

 

  Na maior parte dos programas que tenho visto, incluindo a já menciona Judge Judy, existe o limite de cinco mil dólares, portanto, mais uma vez, trata-se apenas de “small claims”, disputas financeiras a nível de “ah e tal ele estragou-me o carro e não pagou”. Aqui não se tratam casos mais sérios de prisão, de custódia de crianças, etc. É mesmo para resolver as mesquinhices entre as pessoas. E apesar de, ao fim ao cabo, ninguém perder, por não terem de pagar a tal arbitragem, ou os custos de tribunal, que podem ser bastante elevados, e de terem as viagens pagas pelo programa, quase uma espécie de mini-férias pagas, estes programas viciaram de uma maneira um pouco estúpida.

 

  Coloca-se sempre a questão do quão real é o que estamos a ver, porque afinal casos escolhidos a dedo, pessoas escolhidas a dedo e filmagens escolhidas a dedo para televisão, já para não falar da possível existência de casos inventados pelos produtores… Apesar de tudo isso estes programas são viciantes. Demonstram muito bem a pequenez do ser humano, as ninharias que vai buscar para criar conflitos, a estupidez de uns, ignorância de outros e falta de bom senso dos restantes – coisas estas afinal tão comuns a todos nós nos mais variados aspetos da vida. Também gosto especialmente de ouvir as pessoas falar. Na tv, em filmes, ou livros, toda a gente tem boa dicção, todos falam corretamente. Mas na realidade não é isso que se vê, metem-se os pés pelas mãos, usam-se substantivos a mais e pronomes a menos, repetem-se coisas, conjugam-se mal os verbos, estruturam-se mal as frases etc etc etc. Isso acontece em todas as conversas que temos, no entanto podemos não o notar muito nelas, a não ser que se gravem para serem depois ouvidas, mas naquele clima com uma leve tenção em que alguém está a pôr pressão para que se diga a “verdade”…jesus, as pessoas parecem analfabetas. O facto de todos falarmos mal aqui salta à vista de uma forma ridícula.

 

  O mais conhecido destes programas, provavelmente, como disse anteriormente, é “A Juíza Judy”, ou em inglês que soa bem melhor “Judge Judy”. O programa começou em 1996 e depois de umas quantas alterações e temporadas, ainda hoje está no ativo, e Judy Sheindlin, que preside o programa, é uma das celebridades mais bem pagas da televisão americana. Nasceu em 1942, exerce direito desde 65, tendo-se tornado juíza em 82, para se “reformar” e começar o programa, como já foi dito, em 96. Nas programações de muitos canais já entraram outros desta natureza, muitos deles que desapareceram devido a baixas audiências, no entanto esta senhora sempre se manteve acima disso devido a um certo charme que cai muito bem com a televisão. É um pouco difícil explicar, só mesmo procurando e vendo no youtube. De uma maneira ou de outra, é hoje uma das estrelas de televisão mais bem pagas, recebendo atualmente, segundo alguns, cerca de 47 milhões por ano. Tem uns quantos filhos e, obviamente, uma mansão absurda. Ganhou um estatuto de estrela tal que não tem de se preocupar com audiências. Reformar-se-á apenas quando se fartar.

 

  No youtube há uns quantos vídeos do programa, que devido a direitos de autor estão sempre a ser eliminados e publicados novamente. Recomendo avidamente que deem uma vista de olhos. Pode ser que achem um aborrecimento total e mudem logo para algo que mais vos agrade, ou então, se tiverem o mesmo tipo de curiosidade e humor que eu tenho, por vezes um pouco sádico, e o mesmo interesse em ver gente pôr os pés pelas mãos e muitas vezes não ter noção nenhuma de senso comum, pode ser que entrem no espírito e de uma vez passem uma hora ou mais a ver vídeos uns a seguir aos outros. Mas tudo o que aqui digo acerca destes programas é extremamente redutor para descrever o seu conteúdo. Terá de ser mesmo ver para crer e tirar as próprias conclusões.

Sobre escrever um post acerca da importância da leitura

  Já foi há alguns meses atrás que tive a intenção de fazer um post acerca da importância de ler, ou de possíveis benefícios que a leitura possa trazer. É um assunto que já foi tratado por quase todos os que têm alguma plataforma onde partilhem informação – como é o caso aqui dos blogues – e que vão lendo algo aqui e ali. Por vezes aparece de uma forma que tenta ser objetiva/científica, por vezes subjetiva/pessoal, onde se vão incluindo gostos e preferências, por vezes até social.

 

  A minha ideia era escrever algo um pouco para o pseudo-intelectualóide pegando em casos particulares de livros ou histórias. Algo como “Estão a ver estas raparigas que protagonizam alguns dos filmes da Disney? Elas leem livros…e acabaram a casar com príncipes, portanto…aí está! Benefícios da leitura!”. A verdade é que não encontrei um ângulo de jeito e como sou preguiçoso depressa desisti da ideia. No entanto encontrei um vídeo no youtube que faz mais ou menos o que eu queria fazer, e cujo link está guardado no browser há meses sem saber o que fazer com ele.

 

  Pesquisando rapidamente há várias coisas que sempre aparecem, muitas delas tolas. A mais importante, mais séria, e aos meus olhos de leigo ignorante mais acertada, é ajudar a prevenir e combater variadas doenças mentais, desde depressão a alzheimer. No entanto, não me parece que a leitura seja mais eficaz nisso que qualquer outra atividade na qual haja necessidade de concentração, seja ela costura, ver filmes, cavar terra, malabarismo ou desporto, desde que sejam feitas regularmente e com disciplina. Parece-me que tudo aquilo que envolva concentração e disciplina faz esse trabalho tão bem quanto a leitura. Mas provavelmente a mais comum, e que é bastante tola, é a ideia de que ficamos mais inteligentes ao ler. Para além disso é dada uma certa aura à leitura que não me agrada nada. É verdade que o vocabulário pode ir aos poucos aumentando, tal como a cultura geral, sendo também verdade que se vai treinando a memória. Tirando o vocabulário, que há-de ser a mais diretamente afetada aqui, se bem que também há outras formas de o ir melhorando, há várias outras maneiras de “treinar” tudo o resto. No entanto, objetiva e diretamente mais inteligentes, tendo em conta a complexidade do conceito psicológico de inteligência? Não me parece. Acho é que é possível ficar-se menos inteligente se não se fizer absolutamente nada, se os dias se ficarem por idas ao café e pela televisão sem ao menos se prestar atenção a uma ou à outra coisa, à medida que se vai vivendo nas redes sociais e em sites tolos onde a única coisa que se faz é “scroll down” à espera que algo nos chame a atenção, e tudo isto regado com álcool e/ou drogas. Afinal nada como ter uma atividade – seja ela qual for – à qual nos dediquemos. E ainda assim com o que está acima há-de ser pouco inteligente da minha parte dizer que se fica menos inteligente.

 

  Mas enfim, desde as ideias que aqui pus, passando por inspiração ao ler acerca de (ou as palavras de) pessoas de alguma forma importantes e influentes, até à atratividade perante o sexo oposto. A tudo isto e mais ainda queria eu fugir quando na minha cabeça um dia surgiu esse “tenho que fazer um post sobre leitura!”.

 

  Foi então já há algum tempo que encontrei o vídeo que aqui partilho, que infelizmente não está legendado para quem não saiba inglês – e quem gostar pode dar uma vista de olhos pelo canal visto ter umas quantas coisas interessantes. Não é propriamente o post que eu queria fazer, pois faz desde logo a distinção entre ficção e não ficção, dizem diretamente que ler nos torna pessoas melhores, e mais umas quantas tolices – mas é aceitável. Ainda estive para copiar a ideia à minha maneira, usando até os dois livros aqui falados, mas a verdade é que não gosto deles o suficiente para tal e afinal... Porquê copiar quando posso, de forma mais honesta, partilhar aqui o vídeo?

 

  Independentemente da minha opinião acerca deles, o 1984 de George Orwell e o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley são hoje gigantes da literatura. Não tenho problema nenhum com eles em particular e são bem interessantes, no entanto tornaram-se uma espécie de pet peeve por achar que não falta por aí melhor ficção científica que toca nos mesmos assuntos. Apesar disso é sempre da mesma treta dos mesmos dois livros que as pessoas acabam por falar - e que eu estou aqui agora a falar... De alguma forma ganharam um estatuto não só de obras-primas, mas também sinónimos de “cool”. Adiante. Cada um dos livros mostra um mundo onde basicamente não existe arte, seja por imposição num caso, ou por falta de interesse do público no outro, criando sociedades onde existe falta de interesse pelos variados assuntos da vida e um leve contentamento que evita qualquer tipo de revolta por parte do povo, ou sequer vontade de mudança de algum tipo. O vídeo termina com a frase, traduzida às três pancadas, “Se acha que o seu país se está a transformar numa distopia, o seu primeiro acto de resistência deverá sempre ser abrir um livro”. Aqui fica:

Mamma Mia! Here we go again!

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   Foi há muitos anos que vi o primeiro Mamma Mia e, apesar de não me lembrar de quase nada, sei que não gostei muito. Oiço muita gente dizer não aos musicais, sejam eles quais forem. Eu cá acho que muitas vezes têm um quê de foleiro, mas é tolo dizer que não se gosta de nada do género, e para todos os efeitos eu não vi suficientes para sequer saber se, no geral, sim ou soupas.

 

  Assim sendo, fui arrastado para o cinema ver Mamma Mia! Here we go again, e fiquei positivamente surpreendido. É daqueles filmes que aquecem o coração e que deixam a tal lágrima, quer no canto do olho quer possivelmente a escorrer cara abaixo. Todo o filme tem uma certa aura de tristeza indefinível que me cativou bastante, uma certa sensação de tristeza e vazio bastante rara em filmes… o único exemplo que me vem à cabeça é um filme francês chamado Je vais bien, ne t’en fais pas, que absolutamente nada tem a ver com musicais. A personagem principal do primeiro filme morreu e conta-se a história de como ela chegou à Grécia e de como conheceu os três homens que aparecem no primeiro filme e retornam no segundo, etc etc etc. Todas as personagens parecem ter o seu quê de trágico, a tal leve tristeza, e as próprias músicas dos Abba são aqui cantadas com menor alegria que as originais. Recomendo!

Graham Greene - O Mundo dos Ricos

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  Traduzido à letra o título seria algo como “O Doutor Fischer de Gevena ou A Festa da Bomba”. Bem melhor, tendo em conta o que aqui se passa, do que este que foi dado na nossa língua. Não sei quem se lembrou de “O mundo dos ricos”, e especialmente não sei quem acrescentou na capa “A ambição de ricos e o orgulho de pobres”, pois dá uma imagem bem errada do livro… apesar de tocar nisso mas… simplesmente é um mau título.

 

  Este pequeno livro, que se pode ler por inteiro numa tarde, conta a história de um homem de meia-idade que se apaixona e casa com uma mulher jovem, o que não dura muito pois ela morre pouco depois num acidente. Mas isso não interessa para nada, interessa é o doutor Fischer do título original. É o sogro da personagem principal, e logo desde o início é mostrado como uma personagem bem excêntrica, fria, desapaixonada, quase maléfica, que tem a particularidade de ser anfitrião de umas festas bem ridículas. Se a nossa personagem principal representa os supostos “pobres”, apesar de pouco ter de orgulhoso, o doutor Fischer – e por extensão o pequeno grupo de pessoas que ele convida para as suas “festas” – representam os ricos, se bem que ambição também pouca é mostrada, já ganância... Pois bem, o doutor Fischer, milionário diga-se de passagem, convida então esse pequeno grupo de pessoas, todas elas no mínimo riquíssimas, para jantares onde são ridicularizadas ao máximo. Se passarem as provações, no fim, recebem presentes caríssimos como relógios de ouro, colares de pérolas, etc. Diz o anfitrião que apenas quer testar até onde vai a ganância deles, dizendo também que quem provenha de meios mais humildes não percebe o porquê dos convidados se rebaixarem tanto para receberem esses presentes caríssimos, que eles próprios poderiam muito bem comprar.

 

  Do que já li de Graham Greene, este foi sem dúvida o que menos gostei. Não sei, achei tudo  meio ridículo, muito tolo. O doutor Fischer chega mesmo a compará-los diretamente com porcos durante estes peculiares jantares e nenhum deles tem a mais pequena reação. Isso e muitas outras coisas para mim pareceram não fazer qualquer sentido. Felizmente as últimas duas ou três páginas até compensam mas...

 

  Para quem esteja interessado há também um filme que por agora está completo no youtube, se bem que não com grande qualidade, ainda para mais sendo um filme relativamente antigo. Não o vi, nem tenciono ver, não é o meu tipo de filme e parece um tanto aborrecido. No entanto, saltando rapidamente pela hora e trinta e sete que dura, parece representar o livro quase parágrafo a parágrafo, havendo conversas inteiras citadas diretamente de lá. Aqui fica:

José Saramago - A Jangada de Pedra

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  Já tive mais paciência para ler Saramago. Ou talvez este livro não me tenha cativado como outros. Ou, o mais certo, uma mistura entre as duas.

 

  A premissa será provavelmente conhecida por muitos: por artes mágicas, ocultas ou desconhecidas, a península ibérica separa-se da Europa e lá vai ela, navegando pelo Atlântico fora. Seguimos então, tanto um grupo de pessoas que passam por experiências “estranhas” no começo da história e que lá acabam por se juntar, de forma bem Saramaguesga, cheia de fantasia e simultaneamente de banalidade, como um pouco da política mundial e nacional face ao fenómeno. É a tal coisa que este autor faz sempre, de mostrar a imagem grande, a política mundial, e a pequena, um grupo de pessoas que percorre a península. Depois como é normal Saramago enfia os dedos nas feridas, com a sua típica voz irónica, mostrando tanto o melhor como o pior dos humanos – focando-se quase sempre mais no pior.

 

  Mas como estava a dizer, não ando com grande paciência para ler Saramago, ou melhor, não ando com grande paciência para ler este tipo de escritores. Estes que constantemente disparam em tangentes, simbolismos (por vezes um pouco forçados como me pareceu ser o caso neste livro livro) e divagações (o mais “straight forward” dos pouco que li dele deve ser o Memorial) o que se pode tornar bastante cansativo se uma pessoa não está com cabeça para tal. Houve alturas nesta Jangada de Pedra em que tive de me obrigar a ler, alturas em que bate muito na mesma tecla, houve muitas, muitas palavras que eu deveria ter procurado no dicionário, o que não fiz porque queria apenas que isto andasse para a frente.

 

  Enfim, está longe, bem longe, de ser o melhor dele – e eu digo isso tendo lido ainda poucos e tendo adorado alguns desses. No entanto há também momentos de genialidade, pequenos gestos, pequenas passagens, por vezes dezenas de páginas de uma vez, que passam sem darmos por elas. O melhor, como em tudo o que li dele, são sem dúvida os diálogos. Em livros de José Saramago não há diálogos normais, as personagens discutem e debatem sobre significados de palavras, de expressões, de sentimentos, de uma forma bastante bela e rara em literatura.

 

  Queria aqui deixar um desses diálogos. Já foi há dias que acabei de ler o livro e não sabendo bem o que procurar, abri e folheei um pouco ao calhas. Não foi difícil encontrar um bom exemplo que, acredito, faz sentido e dá para se perceber o que quero dizer mesmo sem contexto:

 

  “Novamente a caminho, sempre para o norte, em certa altura José Anaiço disse, era a Pedro Orce que se dirigia, A continuar assim vamos entrar em Espanha, voltamos à tua terra, A minha terra é a Andaluzia, Terra e país são tudo o mesmo, Não são, podemos não conhecer o nosso país, mas conhecemos a nossa terra, Já alguma vez foste à Galiza, Nunca fui à Galiza, a Galiza é terra doutros”.

Este Verão eu vou...

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  Antes de mais, porque as regras desta tag assim o ditam, porque quero  e fica bem, agradeço à Vilã pela nomeação! Espero que consiga tornar a sua lista realidade, tirando a parte de torcer por Portugal no mundial de futebol, que essa infelizmente já era. Este desafio consiste numa lista de dez coisas (mais ou menos exequíveis) que gostaríamos fazer antes da chegada do Outono. Por fim devem-se nomear cinco pessoas para elaborar uma lista similar, a seu gosto.  A minha é a seguinte:

 

1: Caminhar bastante. Não tenho calçado novo, mas está na altura de vincar um pouco mais o bronze à camionista. Percursos pedestres e afins há por aí muitos, geralmente mal  marcados, vira uma pessoa aqui e ali e já não sabe onde anda.

2: Posto o que está acima, tentar não andar para trás e para diante nesses mesmos trilhos, que nem uma barata tonta como costuma acontecer, procurando borrões de tinta em pedras que indiquem o caminho a seguir.

3: Tocar flauta. O gosto pela música já não é o que era, mas anda uma algures aqui por casa e já está na hora de lhe dar uso.

4: Fazer e terminar uma data de posts aqui para o blog. Há uns quantos perdidos, inacabados, incompletos, deficientes, incapacitados, todos eles ao abandono em preparos vergonhosos...

5: Ler mais. No geral mesmo. A pequena pilha de livros tem aumentado nos últimos tempos e não há meio de reduzir.

6: Ir novamente à praia. Viver no fim do mundo longe da maresia não dá com nada.

7: Dormir regularmente. Pelo menos as bem-ditas sete horas, acordando sempre cedo.

8: Ao contrário da Vilã eu quero mesmo conduzir mais. Já há algum tempo não tinha carro e estava com saudades. Ganhasse eu o euro-milhões, ou prémio similar, passava uns bons tempos nisso. E já que estamos embalados com o carro em ponto morto...

9: Ganhar o euro-milhões. As probabilidades podem ser reduzidas, mas certamente são inexistentes para quem não joga, como eu. Um dia gasto os 2,5€, quem sabe?

10: Correr muitas dessas festarolas e feiras de Verão que hão-de começar por esta altura.

 

  Espero que todos estejam a ter um ótimo Verão e que consigam fazer tudo o que desejam, todos estes pontos nas vossas listas, estejam elas escritas ou apenas na cabeça. E se ótimo não for, que seja pelo menos agradável, nem sempre a vida dá para mais e tantas vezes isso basta.

  Por último fica lançar a outros o desafio. Parece-me chegar tarde aqui, muita gente respondeu já à tag e o Verão vai adiantado. Nomeio Pântano, Samantha, SarinRita e por último, apesar de ser um pouco batota, todos os que pelas artes mágicas dos blogs ou das internetes aqui venham parar!

O dinheiro não importa

  Tantas vezes se ouve essa frase, tantas vezes exaltada, tantas vezes é o dinheiro desdenhado. Tantas vezes se diz que o amor à camisola é que importa, tantas vezes se diz que trabalhar por paixão é melhor que trabalhar por pão.

 

  Estas frases e muitas mais são tantas vezes ditas, como hoje o foram a mim, por gente endinheirada...

Lançaram-me os dados

  A Sra Pântano fez-me hoje este desafio em que teria de escrever uma pequena história usando três palavras: flor, música e dragão. Lá fui a correr escrever isso, tentando não fazer batota. Espero que gostem, aqui está o apressado resultado:

 

  A velha gadanha enferrujada, após afiada com pedra e água, corta a alta erva como nos seus tempos de juventude. O homem de meia-idade que agora a embala para trás e para a frente é que já perdeu não só a força, mas também o jeito. Afinal há coisas que parecem não ser como andar de bicicleta, e após vinte anos longe do campo a trabalhar sentado a uma secretária, bastam-lhe alguns minutos daquele trabalho para as costas lhe doerem e as mãos começarem a calejar. Juntemos a isso este sol absurdamente quente de início de verão e a António Silva, apesar de rodeado por quase todos os lados de verde, parece-lhe estar o mundo a arder.

  Afinal que espécie de ideia tinha sido aquela? Durante toda a sua juventude tentara fugir a sete pés daquele lugar e agora, só por a mulher o ter deixado e levado com ela a filha, tendo duas semanas de férias vai para a casa dos pais? Inicialmente vieram-lhe à lembrança algumas memórias felizes dos tempos de garoto, mas começando o trabalho, no silêncio do campo, interrompido apenas por trechos de música gritados bem alto pelas colunas dos raros carros que ali vão passando, nada o anima e as memórias parecem querer lavrar apenas em campos cheios de pedras. Ele é o pai a chegar a casa bêbedo, ele é a mãe a bater no pai por o ver naquele estado, ele é mulher a dizer que nunca mais verá a filha.

  Na torreira do sol e sem chapéu, passados vinte minutos, já o suor lhe escorre pelo corpo todo, pelo rosto, pelo pescoço, pela barriga, pelas pernas. O trabalho ainda nem a meio vai, aliás, muito longe de chegar a meio está ele, mas António Silva decide fazer uma pequena pausa. Tira a camisola, ficando em tronco nu, e senta-se numa pedra, cotovelos nos joelhos, camisa nas mãos, cabeça baixa para limpar com a camisa o suor. Não é preciso muito tempo para o sol lhe começar a escaldar as costas, qual fogo de um dragão. É então que António Silva torna a olhar em volta, para o horizonte interrompido pelos altos montes adiante. Olhando para longe não vê logo o que está perto: meia dúzia de regos bem delimitados na terra onde crescem girassóis, as flores que ofereça à mulher quando casou. Ao baixar os olhos do horizonte reparou neles, e tornou a baixar para as mãos a cara, onde agora corriam não só rios de suor mas também de lágrimas.

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