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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Feiras...

  Numa dessas feiras de Verão estava uma senhora a vender bijuteria. Falava acerca de como os anéis e fios e afins tinham sido feitos, usando estes e aqueles materiais. A senhora falava muito e na verdade pareceu-me uma boa vendedora.

  Algumas das suas coisas continham pedras. Pedras de todo o tipo, das que muitas vezes se vêm nestas feiras, por vezes associadas até a signos e afins. Enfim, água-marinha, ametista, etc - não as conheço. No tempo que demorei ao passar pela tenda alguém perguntou à senhora "O que significa esta pedra?" ao que ela respondeu prontamente "Não trabalho com crenças" e continuou a falar das tralhas que estava a vender. Gostei de ouvir.

Aladdin e os seus génios

 

aladin.jpg

  As mil e uma noites é uma coletânea de histórias e contos populares do médio oriente e sul da Ásia que já conta com uns valentes séculos. Recentemente li a "História de Aladino ou a lâmpada maravilhosa" e revi também o antigo filme da disney, do qual me lembro bastante bem. Antes de mais é curioso que o livro, supostamente, não se passa algures nas Arábias, mas sim na China, apesar das poucas referências culturais presentes nele apontarem para as Arábias - se bem que muito pouco conheço sobre a China.


  A história original, comparada com o filme de animação da disney, deixa muito a desejar. Não há a grande moral de libertar o génio, não há o número limitado de desejos, não há uma personagem feminina com um mínimo de vontade de viver; não. Há um Aladino, que não é órfão de pai e mãe, apenas de pai, vivendo assim com a mãe, e não na rua. Não quer trabalhar e recusa-se a aprender o que quer que seja. Nisto aparece um mago, vindo algures de África, que o quer usar para obter a lâmpada. Ao contrário do que acontece no filme, não se percebe o porquê de não ir o próprio mago buscar a lâmpada, e também ao contrário do que acontece no filme, o ter escolhido aquele rapaz foi algo aleatório. O mago no livro vem do nada, não é vizir ou conselheiro do Sultão como no filme. No livro há também um conselheiro, mas a sua vontade resume-se a casar o filho com a princesa, o que depressa vai por água abaixo após um plano bem esquisito e imoral de Aladino usando o génio da lâmpada para os separar.

 

  No livro, para além da lâmpada, o mago que vem de África tem também um anel que dá a Aladino e que também contém um génio, também com poderes ilimitados e que pode ser convocado ilimitadamente. Apesar disso é usado apenas duas vezes. Sobre a diferença de poderes entre os génios de um objecto e de outro (há mais do que um "escravo" - como eles próprios se identificam - para cada objeto), sabemos apenas que os do anel não podem desfazer o que tiver sido feito pelos da lâmpada. No entanto o poder de uns parece-me tão ilimitado quanto o poder dos outros.

 

  A princesa no livro praticamente não existe, é apenas o objeto de desejo de Aladino. Diga-se também que é a única mulher a quem Aladino viu a cara, tirando a própria velha mãe. Só com um vislumbre de um segundo, lá ficou o moço com uma tal vontade de a ter para ele que a sua vida se viu consumida por esse desejo. Só com as riquezas infinitas provenientes do génio é que o conseguiu, pedindo-lhe escravos, ouro ilimitado, e até um palácio, que aparece construído da noite para o dia, e cuja construção o Sultão aceita cegamente como sendo prova da riqueza de Aladino. Enfim, há aqui muita tolice à mistura. No geral a versão do filme de animação da Disney é muito, mas muito melhor - para mim pelo menos - do que a original. Sem dúvida. Já o filme recente de 2019... bem esse provavelmente nunca o vou ver.

Sangue por toda a parte

  Familiares que vivem fora das cidades, junto à serra, e têm animais, encerram sempre galinhas e patos durante a noite. Quando um desses bichos por acaso fica na rua, corre o risco de ser comida para raposas. Dessa forma, quando um desaparece durante a noite, é normal nem se pensar noutra coisa. "Foi uma raposa". Muitas vezes podem mesmo ser cães que as pessoas insistem em abandonar no meio das serras e que chegam esfomeados, doentes, feridos e violentos à casa das pessoas, que lá lhes atiram meia dúzia de pedras até fugirem para outro lado. E é assim.

  Quando uma raposa "leva" um bicho, ou não há vestígios da contenda que certamente houve, ou fica apenas, em algum canto, um círculo de penas. Nem ossos nem sangue nem bicos nem patas, nada além de penas. Certamente não será sempre o caso, mas as raras situações que presenciei foram assim.

 

  Este fim-de-semana passeou-se por Penafiel, passagem pelo parque de diversões magikland, por Marco de Canaveses e por um trânsito muito furioso durante dez minutos em Peso da Régua. Até os transeuntes andam por lá irritados, tendo ouvido um grito de "Sai da frente caralho!" direcionado a um carro...

  Em Peso da Régua vemos barcos de um lado para o outro percorrendo uma pequena parte do rio douro. É um pouco aquela visão conhecida de montes após montes repletos de vinhas pelas encostas. Olivais e pomares também curiosamente. De lá até Penafiel, indo pela nacional 101, acompanhamos ainda durante um bom pedaço o largo rio Douro, à medida que a perigosa estrada se estreita em curvas e contra-curvas, passando de um lado para o outro da linha de comboios. A certa altura afastamos-nos do rio, e tudo o que os olhos vêm é serra, sempre a subir. A descida é feita através de uma rápida variante após passar por Baião. E aí o cenário até Penafiel fica um pouco mais sangrento.

  Nunca vi uma concentração tão grande de animais mortos na estrada. É normal encontrar-se aqui e ali um gato, que às vezes alguém com consciência tem a decência pelo menos de o afastar da estrada. No entanto nesta variante, pelo menos este fim-de-semana, eram quase às dezenas. E não propriamente gatos, que me tenha apercebido não passei por um único. Cobras, um sem número de pássaros, cães e raposas estendem-se por ali, mortos, com os carros ainda a passar por cima deles. Ao contrário do que acontece com galinhas, patos e afins nas aldeias e pelos campos, ali os corpos sucedem-se em formações ginastas. A cabeça esmagada e as patas no ar, o líquido dos olhos bem espaçado do corpo. O torso esmagado e cabeça no ar. Ou, ainda, já completamente espapaçados, sobrando apenas uma espécie de tapete peludo ensanguentado, e não propriamente pequeno. É curioso serem cães (penso eu...é difícil perceber, mas maiores do que gatos eram). Não é muito normal ver cães mortos. Com certeza será a tal situação de abandono animal no meio da serra. Pelo menos deixem-nos no canil, não? Entre esse abandono e a velocidade abusada dos condutores, o resultado está ali à vista na passerela de corpos sem vida que se estende ao longo de alguns quilómetros.

  Hoje é segunda feira. Talvez a carrinha lá vá apanhá-los.

A cruzada das crianças

  É certo que a história de... bem, de todas as igrejas pelo que eu percebo, mas neste caso da católica, é bem negra, estando cheia de abusos de todo o tipo. Ainda nos dias de hoje, entre muitas outras polémicas, volta e meia lá aparece o Papa a dizer que condena a pedofilia após algum escândalo envolvendo esse crime e a sua instituição.


  No entanto, nem só de crimes sexuais contra crianças vive a igreja.
  Em 1212 ou 1213 (conforme a fonte), dois monges (um alemão, o outro francês) tiveram a fantástica ideia de vender crianças como escravas em África. Para não sujarem as mãos lá veio a excelente ideia de as ludibriarem com a história de uma cruzada até à Palestina para a tomarem dos muçulmanos. Parte morreu no oceano, em naufrágios e afins, parte foram vendidos nos mercados de escravos em África. Houve ainda alguns sortudos que foram parar a Génova devido a algum mal entendido; não havia barcos de escravos, nem ninguém, à espera deles. No entanto foram bem recebidas pela população que lhes deu recursos, dinheiro, e enfim, ajudou-as como pôde.
  Como é natural, grande parte destas crianças era órfã, ou no geral, vivia na rua e/ou estava desocupada. Afinal são sempre esses os que mais sofrem.

 

  Ao ouvir sobre a fé das crianças que marchavam em nome da igreja, aparentemente o papa Inocêncio III, que também pensava que iam para a Palestina, disse "estas crianças estão despertas e nós a dormir".

O meu stress dos bigodes

  Aparentemente os gatos podem ser afetados por algo chamado stress dos bigodes. Ao comer de caqueiros cujas bordas tenham ângulos muito acentuados, os bigodes dos gatos podem apertar-se nos cantos, dobrar-se e tudo o mais. Sendo uma área bastante sensível dos seus corpos, os gatos  evitam assim frequentemente comer das suas taças, uma vez que as mesmas lhes podem causar desconforto e dor. Essa é uma das razões que os leva a tirar a comida para o chão com as patas. Se bem que acredito que muitas vezes o façam apenas por aborrecimento.

 

  O meu stress dos bigodes é social. Comer junto de pessoas também me causa desconforto, mas porque quase ninguém tem maneiras à mesa. No trabalho existe um refeitório. À hora de almoço, como é natural, está sempre cheio. Cheio de pessoas que comem ao mesmo tempo que falam, de boca cheia, cuspindo aos poucos a comida para cima de quem estiver à sua frente, variando a velocidade do cuspo com o quão empolgadas as pessoas estiverem na conversa. A mim os meus pais sempre disseram para não falar de boca cheia. Aparentemente essa mensagem não foi recebida por quase e ninguém. E ao contrário do que se pensa, não é uma questão de formação. Não falta lá gente mestrada a cuspir comida na hora de almoço. Há também os copos com bebidas que se bebem tendo a boca cheia, e cujas bordas ficam todas gordurosas, às vezes até com um pouquito da carne picada que se está a comer. Nessas situações, quando reparam, há quem rode o copo e beba por ali para tirar a comida, muitas vezes lambendo a gordura. Também há quem lá vá limpar diretamente com os dedos que depois limpa disfarçadamente às calças.

 

  E é assim. Tal como os gatos evitam comer da taça, eu evito comer no refeitório.

Mesa

Dizem os entendidos que dois pontos fazem uma linha. Juntando um terceiro ponto que não se encontre nessa linha temos um plano. Por isso é que as mesas de três pernas não caem ao chão. Porque o chão é plano.

 - Num livro de matemática do 10º ano

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