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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Por Amor a Marie - Régine Deforges

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  Reza a história deste pequeno livro que a sua autora ficou bastante surpreendida ao encontrar, num alfarrabista, uma mão cheia de postais envoltos em sensualidade, que eram o registo de um romance entre duas mulheres numa altura em que tal era basicamente proibido. Foi com base nesses postais que Régine Deforges escreveu esta pequena e curiosa obra, constituída apenas por cartas sem qualquer outro tipo de narração, que descreve o amor entre duas mulheres casadas, Marie e Magot, em 1903/1904, numa pequena povoação no sul de França.

  A relação enre as duas floresce às escondidas de todos e as cartas, único testemunho do amor entre as duas, estão escritas com bastante emoção e, por vezes, alguma sensualidade. A minha Maria já há uns dias me tinha falado do livro e foi com algum prazer que rapidamente o li. Bom para uma tarde que se tenha livre.

Narrativa de A. Gordon Pym - Edgar Allan Poe

100_3841.JPG   Do mundo actual pouco resta para descobrir; apenas parte dos oceanos e talvez uns metros aqui e ali; o tempo dos verdadeiros aventureiros já passou, restam turistas e cientistas. É para essa era de descoberta que este livro nos remete, indo até, diga-se mais ou menos, aos confins do mundo, algures num pólo sul ainda por desenhar nos mapas.

   Arthur Gordon Pym é um jovem que, com uma grande sede por aventura aliada ao encanto pelo mundo náutico, parte com um amigo naquilo que inicialmente é quase uma piada feita sem o conhecimento da família, escondido num barco de pesca. Numa viagem pelo mar que deveria ser tranquila tudo o que pode correr mal acontece e a certa altura - prái a meio - apenas uma pequena parte da tripulação sobra, vendo-se à deriva nos restos de um barco, que de barco já pouco tem (apenas a capacidade de boiar), perdidos no oceano a lutar contra fome e sede. Garanto que quem pegar neste romance vai lê-lo bem sentado, sofrendo com as personagens quase do início ao fim, devorando a pesada escrita que é de esperar do autor. Muito, muito mais se passa mas não quero estragar a história.

   A personagem de Pym, inventada por Poe, é-nos dada como sendo real e a narrativa é-nos apresentada como sendo uma colaboração entre os dois - o escritor e o marinheiro. Posto isto, sendo Pym quem é, há imensos termos, referências e histórias náuticas que, dando à história um forte sentimento de realidade e tornando a escrita talvez ainda mais sombria do que seria sem tal colaboração, acabam também por obrigar a alguma pesquisa à parte. Alguns podem dizer que isso só serviu para "encher chouriços", que poderia muito ter sido escrito sem qualquer jargão náutico, mas eu gostei bastante e quem tenha interesse por...enfim... barcos no geral, certamente também gostará. Ao mesmo tempo deu-me umas quantas idéias para possíveis futuros posts no blog que tratem de explicar como se navegada naqueles tempos e não só. Pode ser que os faça, pode ser que não.

   Enfim, para acabar com esta relativamente longa publicação, fica a recomendação deste romance, interessante até pelo facto de ser o único que Poe escreveu, estando talvez um pouco escondido entre os muitos contos que nos deixou.

 

Iji (2008) - Freeware

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   Não sou grande pessoa de jogos de computador mas gosto de, de vez em quando, assim matar algum tempo. Este pequeno jogo é bastante bom para isso.

  Iji é um jogo bastante simples, à borla, programado por um tal de Daniel Remar. Tendo sido lançado primeiramente em 2008, com imagens e desenhos que parecem ter sido feitos há muitos, muitos anos atrás e com uma banda sonora bastante boa, que é a principal razão pela qual no início se vai dar uma segunda oportunidade ao jogo, Iji é a típica acção em 2D, com muitas plataformas à mistura, muitos tiroteios e um sistema de upgrades que dá um ar interessante de RPG. A personagem com que se joga é uma moça que tratam como a humanóide cujo nome dá o título ao jogo e se vê numa base militar, estando o planeta terra a ser invadido por duas raças alienígenas que estão em guerra entre elas. Enfim, se uma pessoa se der ao trabalho de ler, a tramóia dos aliens é bastante interessante. A jogabilidade é excelente, o jogo é dificil e avança rapidamente. Garanto que quem goste destas coisas vai colar durante umas boas horas até virar o jogo.

 

  Ocupa apenas umas quantas mãos cheias de bites, a grande maioria destes dedicados apenas à banda sonora do jogo. Sendo o download bastante rápido, podem fazê-lo gratuitamente aqui: http://www.remar.se/daniel/iji.php

Malefícios do Tabaco - Anton Tchekhov

  Foi já há uns quantos anos que me falaram d' Os Malefícios do Tabaco, dizendo-me para procurar isto na internet e ler. Não é necessária grande pesquisa, encontrando-se o texto na íntegra com alguma facilidade.

  Os Malefícios do Tabaco é uma pequeníssima peça de teatro que consiste em apenas uma cena, um acto e uma personagem. É, assim, um monólogo bastante cómico de um homem que sobe a um palco, a favor da sua esposa, que o convence a falar a uma audiência sobre os malefícios do tabaco. O homem lá sobe ao palco para dar a palestra mas, sem interesse pelo que está ali a fazer acaba por desbobinar sobre tudo menos tabaco.

  Tal como me sugeriram a mim, sugiro eu agora a quem quer que seja que leia este post: procurem a peça, leiam. É bastante curta e engraçada. Não se vão arrepender. Pode até ser um exercício interessante para quem queira fazer algo relacionado com representação. Divirtam-se!

Laura Esquivel - Escreva a Sua Própria História

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   Não se deixem enganar pela "aura" deste livro. Sim, pode ser encontrado nas áreas de "auto-ajuda", mas é bem mais que isso. A autora propõe aos leitores que escrevam a sua própria história, literalmente, propondo questões, pessoais e não pessoais que devem ser pensadas, estruturadas e escritas. A reflexão que nos é indicada a fazer sobre a nossa própria vida constitui, em si, a parte típica dos livros de auto-ajuda, com a particularidade pró-activa de se escrever, o que eu achei bastante interessante, mas que não fiz pois o livro foi emprestado e queria-o devolver o mais rápido possível, além de não estar propriamente interessado nessa faceta.

  Ignorando essa faceta este livro compõe-se de uma miscelânea de assuntos e refleções da autora, o que foi o que me levou a lê-lo. Tem, acima das outras, uma grande componente política e social. Fala da nossa evolução enquanto espécie, desde Darwin até ao tráfico de armas, passando por vícios, Gandhi, nazis e religião, entre outros. O livro é pequeno e lê-se facilmente. Gostei.

Quebra-Cabeças: Coisas de macacos.

 

Uma corda está pendurada numa roldana que roda perfeitamente e sem atrito em torno de um eixo fixo.

Numa das extremidades da corda está um macaco que pesa 30quilos. Na outra um peso também de 30quilos.

O macaco esforça-se de modo a trepar 40 centímetros por segundo se a corda estivesse fixa.

 

O que acontece na realidade? O macaco sobe, desce, mantem-se na mesma posição..?

A resposta está nos comentários, mas pensem um pouco. Quando chegarem à resposta, confirmem-na nos comentários. :)

A Sangue Frio - Truman Capote

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  Gosto bastante de policiais no geral. O tipo de escrita que os acompanha, simples, desprovida de floreados e precisa cativa-me bastante. Fico triste com a falta de atenção que estes romances recebem, que rapidamente se depreende nas livrarias onde, se sequer há secção de policiais, está geralmente confinada a uma ou duas prateleiras num qualquer canto refundido. Regra geral podem ser histórias relativamente pesadas e talvez a falta de interesse nelas venha daí, mas o meu gosto e até preferência pelo género mantém-se inalterado. É curioso: aprende-se sempre muito ao ler seja o que for; ao ler policiais aprende-se bastante.

  Este A Sangue Frio, de Truman Capote, cuja escrita simples e directa se enquadra perfeitamente neste género, tem a particularidade de ser baseado numa história real e de estar tão de mãos dadas a essa realidade, que o género é denominado de "romance-documentário". Trata o assassinato de quatro membros de uma família de nome Clutter, residentes numa grande quinta isolada no Kansas (EUA) levado a cabo por Perry Smith e Richard Hicock em 1959.

  O livro está narrado e escrito de uma forma que diria genial. Capote soube ter calma ao escrever, soube não apressar a história, soube dar vida aos mais pequenos pormenores. Começa por falar dos membros da família, de cada um, das relações deles, das suas vidas; tudo isso a partir das suas acções no último dia das suas vidas. Depois salta o crime e passa directamente para a investigação criminal, para os testemunhos das últimas pessoas a vê-los, para opiniões públicas de várias pessoas na pequena povoação de Holcomb, perto da quinta dos Clutter, e na cidade mais próxima, onde são também uma família relativamente conhecida, Garden City. O autor faz também um excelente trabalho em mostrar como estes ambientes foram afetados com os assassinatos. Enquanto isso, por vezes dando saltos curtos no tempo da narrativa para trás e para a frente, descreve o trajecto dos assassinos que primeiramente fogem para o México, regressando mais tarde e percorrendo vários estados dos EUA.

  Bem ao estilo Noir, todas as personagens têm vida e ficamos a conhecer intimamente não só a família, como os assassinos, os investigadores encarregues do caso, e muitas outras outras personagens com quem todos estes vão interagindo.

  A Sangue Frio, adaptado em 1967 num filme com o mesmo nome - que não vi - é, pura e simplesmente, uma grandessíssima obra de arte literária.

 

PS: Há coisas curiosas. A certa altura do livro negam a Perry e "Dick" - como é conhecido - emprego num barco que tem destino ao Brasil, a um sítio onde "estão a contruir uma cidade onde antes não havia nada". Graças ao Éden que li há não muito tempo, sei que estão a falar da capital, Brasilia...

Her (Ela); 2013; Spike Jonze

 

     Adiei este filme durante bastante tempo. Parecia-me um filme bom, mas ao mesmo tempo não o queria ver porque parecia demasiado piroso. Por fim lá o vi. Afinal já vi outros filmes do realizador, entre eles "Being John Malkovich", e gostei, de um modo geral, de todos.

     O que ele aqui criou acabou por ser nada mais que um bom filme de ficção científica, retratando a criação de inteligência artificial, sob a forma de um sistema operativo. Este sistema funciona como as pequenas aplicações que temos hoje e às quais respondemos a pequenas perguntas como "o que está à procura?". Mas aqui estes sistemas organizam toda a nossa vida por meios electrónicos. Como qualquer bom filme de ficção científica, havendo sempre um certo ênfase na sociedade, aqui vemos, por exemplo, como as pessoas andam pela rua, falando sozinhas, com os seus computadores de bolso. Aliás há um silêncio geral bastante interessante. O personagem principal do filme acaba por se apaixonar por um destes novos seres dotados de inteligência que, por sua vez, crescem dentro das redes electrónicas a uma grande velocidade. A questão que eu faço é: até que ponto? (enquanto via o filme não podia deixar de pensar na Skynet. Infelizmente nada disso aconteceu...).

Sorria! Está a ser fotografado!

     Umas pessoas conhecidas minhas participaram, no passado sábado, numa pequena encenação que teve lugar numa igreja. Havia lá duas centenas de pessoas, se bem que nunca acerto muito nestas contas. Era uma pequena pequena pequena peça de teatro acompanhada de uma pequena pequena pequena atuação de uns grupos de cantares...algo bastante simples mesmo, que se prolongou apenas durante pouco mais de trinta minutos, sobre o dia de reis, as ofertas a cristo e as janeiras. Este tipo de coisas é sempre ligeiramente aborrecido e no final uma pessoa está é deserta de chegar a casa, ainda para mais com a chuva que estava.

     Tal pequeno e simples evento não poderia existir, claro está, sem a presença de fotógrafos. Três ou quatro deles. Juntando-se-lhes outras pessoas que eventualmente tiravam fotos, não passavam dez segundos sem a ocorrência de dois ou três flashes, de modo que uma pessoa se via, por vezes, a piscar os olhos, ofuscada.

     Não percebo a insistência das fotos e dos vídeos hoje, especialmente em tão simples coisas. O mais certo é que, antes de ter chegado a casa, já constava em alguma galeria nalgum facebook. É ridículo. Não autorizei a ninguém que me tirassem fotos; nem eu nem quase ninguém que lá tenha estado. Qual a necessidade de tanta foto num evento tão simples, quase sem movimento nem nada? Credo. Uma pessoa até fica um pouco alterada.

     Não gosto. Dá-me vontade de não sair de casa.

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