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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Yoga

  Foi com dois incentivos, o da minha namorada, muito dentro de todo este mundo, e o do meu corpo, assustadoramente perro, enfim, a precisar de óleo, que comecei a fazer estas aulas de yoga organizadas em tom de desafio durante trinta dias. Não é propriamente a primeira vez que faço yoga, apesar de pouco faltar para tal. A rapariga que dá as aulas, Adriene, tem imensos vídeos de pequenas aulas de yoga para quem quiser.

 

Este mundo, ou estes mundos, são sempre bastante ambíguos o que dá aos professores um papel bastante importante, pois é deles que vem a impressão com que as pessoas ficam. A gigantesca maioria deles, infelizmente, dá-se de barato. A rapariga destes vídeos, Adriene, ou macaca como eu lhe chamo em conversas com a minha Maria, apelido que vem ainda do grande Big Show Sic, verdade seja dita, é um pouco croma, às vezes fala demais quando devia tar calada, às vezes com esse falar demais envergonha-se a ela mesma, mas eu estou a gostar. Vou já no dia 21, faltam 9. As aulas têm uma duração média de 30minutos, não sendo portanto demasiado longas, e são fáceis, no sentido em que uma pessoa que nunca tenha praticado yoga pode pôr a primeira aula sem problemas. Yoga é uma prática relaxante que pode servir de apoio ao stress diário. Deixo a quem se interesse o convite para começar. Aqui fica a primeira aula.

A Caverna - José Saramago

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  Já foi há uns meses que vi o documentário José e Pilar de Miguel Gonçalves Mendes do qual gostei bastante e que, enfim, me levou a procurar e ver no youtube umas quantas entrevistas a Saramago. Numa delas, que eu hei-de procurar e publicar aqui no blogue, o autor comentava que nós deixámos de ser cidadãos para passar a ser apenas consumidores e foi certamente com base nessa idéia que A Caverna foi escrito.

  A história segue a família de um velhote, Cipriano Algor, constituída apenas pelo própria, a filha, Marta, o genro, Marçal, e mais tarde um cão vadio que lhes aparece à porta, ao qual dão o nome de Achado. Vivem numa pequena aldeia e o seu sustento vem da sua olaria, negócio familiar de gerações, sendo a de Cipriano a terceira. O genro trabalha como segurança n'o centro, uma espécie de centro comercial gigantesco que, aumentando de tamanho a uma velocidade vertiginosa, já é composto não só por áreas de comércio e lazer, como também zonas habitacionais. Aquando do início do livro é ao centro que a olaria dos Algores vende os seus produtos, ou melhor, vendia, porque aparentemente surgiu uma nova panóplia de pratos, púcaros e afins os quais, feitos de um plástico que imita o barro, sendo mais baratos e duradouros, fazem para os consumidores as vezes dos antigos. Assim sendo, não tendo mais compradores para os seus artesanais artigos, Cipriano e Marta decidem começar a trabalhar em algo novo, em bonecos de barro. Ao mesmo tempo o genro está à espera de ser promovido no seu trabalho de segurança, advindo dessa promoção a mudança de residência da aldeia para o próprio centro.

  Este é, sem dúvida, o meu livro favorito de Saramago de entre os que já li. À história da família Saramago junta a sua interação com o centro que é descrito de uma maneira que relembra, e se pode até pôr no mesmo saco, livros como o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Infelizmente, de uma maneira ou de outra, vendo a correria da população aos shoppings e ao consumismo desenfreado, apesar dos muitos incentivos que são feitos, ditos e escritos, tanto por um lado com vista à criação de poupanças, como por outro com vista ao apoio aos comércios locais, parece-me a mim que estas distopias vão acabar, mais ou menos, de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde, por tornar-se realidade. Pode-se dizer que é esse o preço a pagar pelo conforto ilusório dos dias que correm, tal é a necessidade de ostentação e a falta de sensibilidade das pessoas. Em Admirável Mundo Novo Huxley escreve "...fez muito para tirar à verdade e à beleza a importância que lhe concediam, transferindo essa importância para o conforto...", ao passo que Saramago, numa conversa entre o oleiro e o chefe do departamento de compras do centro diz "Será caso para proclamar que o Centro escreve direito por linhas tortas, Se bem me lembro, isso das linhas tortas e de escrever direito por elas era o que se dizia de Deus, observou Cipriano Algor, Nos tempos de hoje vai dar praticamente ao mesmo, não exagerarei nada afirmando que o centro, como perfeito distribuidor de bens materiais e espirituais que é, acabou por gerar de si mesmo e em si mesmo, por necessidade pura, algo que, ainda que isto possa chocar certas ortodoxias mais sensíveis, participa da natureza do divino." Ao fim ao cabo as idéias partilhadas dos dois autores (a primeira mais extrema mas também projectada num futuro mais longínquo que a segunda) vão dar ao mesmo sítio, que é ao início do post: o problema da identidade humana no geral, a transferência daquilo a que se dá o nome de cidadania para apenas consumismo, a transferência da liberdade para o conforto.

 

  Posto toda esta divagação, seguindo em frente para terminar este já longo post, digo que esta obra de Saramago tocou-me bastante. O autor mostra uma certa...não sei o que lhe chamar, talvez sensibilidade, da qual eu conhecia pouco. Sofre-se com as personagens, com o oleiro que tendo sido oleiro toda a vida de repente olha para as mãos e pensa para consigo que não servem para nada, que ele próprio não serve para nada; com a filha que quer que o marido seja promovido para ir viver uma vida mais confortável no centro, mas ao mesmo tempo, oleira como também ela é, se sente destornada tanto pelo próprio sofrimento como pelo do pai; com Marçal que tem a vida completamente dividida. 

  É curioso como quando gosto de um livro, regra geral, gosto de tudo no livro, desde a capa até às páginas, ao tipo de letra, ao papel, enfim, tudo. A edição que li, do Círculo de Leitores, é bastante boa em todos os aspectos, sendo uma adição bastante agradável ao que é uma das mais bonitas histórias que já tive o prazer de ler, uma história simples sobre pessoas simples, enfim, pessoas que, dando-lhe a escolher, preferem apenas ficar sem fazer nada, a ver o lume apagar-se...

Um Euro

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   Vê-se uma pessoa sem lanche a meio de uma tarde qualquer de trabalho (ou algo assim parecido) e pensa "ah e tal vou ali dar um saltito para comprar alguma coisa para comer". A comida toda cara, tudo o que seja embalado vem cheio de merdas químicas, bolachas? Um pacote de açúcar em cada uma...parece que tudo o que se pode comprar é apenas para engorda, credo! E se acaso uma pessoa não gosta de doces as poucas opções que restam ainda mais caras são.

 

  E depois é a moda dos produtos a 1€. Não sei quem diabos se lembrou disto, mas tornou-se cá uma praga...pacotito de bolachas que pouco mais é além de diabetes num saco: custa um euro. É caro. Um euro é bastante dinheiro. Boa sorte para quem pense o contrário.

Heist (2015); Scott Mann

Heist2015.jpg  O comentário que fiz ontem, ao acabar de ver este filme foi o seguinte: "O Robert de Niro não poderia ter sido mais nada na vida além de actor". Não que este seja, em particular, um grande filme ou esta uma grande performance por parte dele mas...sei lá, de todos os velhos que ainda por aí andam a fazer filmes este é dos poucos que, a meu ver, bem merece a fama que tem.

  Passando ao filme, gostei. Saíu-me bem diferente e melhor do que estava à espera, apesar de não estar à espera de grande coisa. O filme trata de um assalto (heist, em inglês) a um casino, cujo dono é a personagem de De Niro, planeado por pessoas que lá trabalham. Com sucesso lá roubam o casino, só para depois se verem obrigados a fugir, correndo pela rua e sequestrando o primeiro meio de transporte que aparece - um autocarro meio-cheio de gente. A isso seguiu-se aquilo que certo modo é mais ou menos o típico filme de polícias e ladrões, perseguição pela estrada fora, negociações etc...

  Ao fim ao cabo o que mais me ficou na cabeça foi o quão importante é um sistema de saúde público e gratuíto (ou pelo menos bastante barato). A primeira razão para o assalto acontecer e ter-se posto uma data de gente em perigo foi a personagem principal ter uma filha doente que precisa ser operada e, como nos EUA a saúde não é pública (se esse não é um país às avesas não sei), tens tens, não tens lixas-te. Dá que pensar a maneira como a maioria dos problemas sociais que por aí há começam e acabam na pobreza. Quando acaso alguém bate a sério num cão, este enfia-se a um canto, defendendo-se como pode, a ladrar, a rosnar e a morder. Assim também são os humanos quando encostados à parede e vendo-se sem apoio por parte de ninguém...

 

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