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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Quebra-cabeças: Perguntas e respostas, letra e números.

  Acabei de encontrar isto por essas internetes fora. Pergunto-me quem se lembra de criar estas coisas. Basicamente são várias questões, neste caso cinco, cujas respostas são mencionadas nas restantes questões. Supostamente só há uma resposta correcta, mas eu não punha as mãos no fogo - após encontrar uma resposta não procurei por outras. Dito isto também não vou dar a resposta que encontrei. Divirtam-se!

 

Q1) A opção que não é resposta a nenhuma outra questão é:

A : A          B : B          C : C          D : D

Q2) A única questão cuja resposta é a mesma opção que esta é:

A : 3          B : 1          C : 5          D : 4

Q3) A resposta à questão cinco é:

A : B          B : D          C : A          D : D

Q4) A primeira questão cuja resposta é A é:

A : 2          B : 3          C : 4          D : 5

Q5) A resposta à questão 3 é:

A : C          B : B          C : D          D : A

Marion Zimmer Bradley - Caçadores da lua vermelha

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  Enquanto género a ficção científica tem tendência para explorar o ser humano e as suas limitações, por exemplo colocando humanos ao lado, ou de tecnologia, ou mesmo de aliens, ou mesmo de...etc, para realçar as suas - por norma - fraquezas. Por vezes divaga-se bastante sobre o que significa ser-se humano, ou, no caso deste livro em específico e através de vários diálogos, ser-se racional.

  A autora junta, nesta pequena história, um interessante grupo de seres: a personagem principal, Dane Marsh, um humano que é raptado por alienígenas quando andava indolentemente às voltas sozinho no mar num pequeno barco, e várias personagens de outras raças, outros proto-símios ("humanos") com culturas, sociedades e habilidades bem diferentes das nossas, proto-felinos, proto-sáurios; há também seres aracnídeos e mais estranhos...enfim, toda uma miríade de curiosas personagens, algumas delas raptadas com Dane Marsh para servir um mesmo propósito: ser vendidos como escravos.
  No entanto acaba por não ser esse o destino do grupo principal, sendo ele, a curto prazo, bem pior -  ou melhor, conforme a perspectiva. Que se pode dizer? Há planetas estranhos, há muito drama, muito choro, muita violência e sangue, muitas referências, muitos mistérios. Curiosamente e na maior parte do tempo e até às últimas páginas, o maior enigma é descobrir quem são e o que são os caçadores a que o título do livro refere, e que as personagens principais enfrentam. A resposta no fim só vem complicar a questão do ser-se racional e da definição de individualidade sobre a qual as diferentes personagens de diferentes 'raças' discutem.

  Foi a primeira vez que li algo da autora, mais conhece pela saga "As brumas de Avalon" e que tem tendência para escrever personagens femininas fortes - que é basicamente a única coisa que até agora sabia dela e que alguém alguma vez me disse. No entanto não é, de todo, o caso deste livro em que são sempre seres masculinos deliberadamente a liderar. Independentemente disso - apenas uma observação banal - é um excelente livro. Aliás, diabos me levem se a maior parte dos livros desta coleção não são todos interessantíssimos.

O sol precisa de amigos

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  Com o Outono vem o frio e o vento que rouba às árvores as folhas já secas. Com o Outono vem, aparentemente, a estação da moda para aqueles que a seguem, vêm roupas mais quentes, dias mais frios e pequenos. Vêm serões acompanhados por uma nova temporada de Walking Dead. A meio da estação vem o Halloween e com ele vem uma vontade enorme de comer castanhas. Cruas, cozidas e assadas. Pessoalmente prefiro as assadas.


  O problema aqui é que este ano, pelo que parece, não só há menos interesse no geral em comprar castanhas, como também não as há. Parte da falta do interesse em comprá-las, segundo as notícias que por aí se vão vendo, vem da falta de frio e chuva. Estas pessoas dizem que os portugueses só as querem quando estão a tremer de frio, talvez para juntar o útil ao agradável e aquecer as mãos descascando-as depois de assadas. A outra parte da falta de interesse parece estar associada à qualidade das mesmas. Caíram cedo demais, ninguém as apanhou na altura, nem valia o trabalho, e a maior parte das que se vão apanhando agora são de qualidade bem má, mirradas e cheias de bichos. Isto, claro está, devido à seca.


  Em várias regiões do interior a produção de castanhas caiu este ano em mais de 75%. Um jornal, numa deixa muito má, fez pouco caso da inteligência dos seus leitores tendo a ideia idiota de explicar o significado de percentagens dizendo: "Por exemplo um produtor que produzisse 100 quilos este ano só produziu 25". O certo é que para amantes de castanhas - que não faltam em Portugal - presumo que tudo isto soe muito mal. Especialmente quando nos dizem que as próprias árvores estão a sofrer com isto e podem não recuperar para os próximos anos, independentemente do que chova.


  Como não podia deixar deixar de ser também, parte destes produtores anda a choramingar ao estado por subsídios para minimizar as perdas que, no total, já andar na ordem dos milhões. Que os recebam ou não, não me diz respeito e seria conversa para pessoas com mais entendimento que eu, mas tendo em conta a quantidade de vezes que já vi esse subsídio ser mencionado pergunto-me: "Será que com toda esta conversa de seca estas pessoas fecham a torneira enquanto lavam os dentes?" Bem, se lhes for dado algum subsídio, ei, "more power to them". Eu cá vou amanhã comprar umas quantas para cozer.

Panic Room (Sala de Pânico) - David Fincher (2002)

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  Tudo o que é filmado pode chamar-se de filme. Dentro do termo filme cabe o conceito de filme comercial e vice-versa. Mas o que é um filme bem filmado? Não faço ideia, mas raios partam se este filme não é dos filmes mais bem filmados que já vi. A câmara está maioritariamente fixa, mas todos os movimentos, todos os close-ups, todos os momentos em que aparecem imagens geradas por computador para tapar os buracos que são se consegue fisicamente, são deliberados, de uma forma que não é um muito normal ver-se e que por si só é bastante...especial.

 

  Como não percebo muito de filmes fico sem saber o que dizer, mas tudo neste filme é bom, deste as dificuldades que vão enfrentando ao longo do filme, a crescente ansiedade e a motivação das personagens, passando pela escolha e performance dos atores, até ao ritmo de edição do filme, tudo tem uma estrutura que vai aumentando de intensidade até ao final (causando ansiedade e stress como tudo) – encontrando ainda assim vários momentos de leve comédia. E se algum defeito se pode colocar neste filme é no final, mas isso vai ser algo que dependerá de opiniões pessoais.

 

  A história em si é bastante simples, mas muito bem conseguida. É curioso como conseguiram fazer tanto e tão bem com uma história tão simples. Há gente que quer algo que está numa sala específica de uma casa. Há duas pessoas (mãe e filha) que vivem nessa casa e que se fecham nessa sala – a dita “Panic Room” com paredes de aço de uma espessura ridícula onde ninguém consegue entrar. Thriller/Suspense do mais simples, straight forward e melhor que pode haver. E quem tenha dúvidas sobre a Jodie Foster ser das melhores atrizes de sempre, aqui têm mais uma prova. Vejam o trailer, mas tenham em mente que não demonstra nada bem nem o trabalho de câmara e de filmagem, nem a edição. Sem dúvida dos melhores filmes que já vi.

Empresas de telecomunicações

(aplicado a telemóveis/rede móvel)

Passo 1: Criar a tecnologia.

Passo 2: Criar geringonças que permitam ligações entre elas usando o sinal de... rádio? eletromagnético? Não faço ideia. O sinal que se arranjou no passo 1.

Passo 3: Instalar antenas para propagação do sinal criado no passo 1.

Passo 4: Associar as ligações dos dispositivos criados no passo 2 que utilizam a tecnologia criada no passo 1 a um sistema de faturação.

Passo 5: Vender as geringonças criadas no passo 2.

Passo 6: Contar o dinheiro...

  Diabos me levem se isto não é O (letra maiúscula) "negócio da China". O investimento inicial, sim, é uma coisa absurda, mas depois disso, oh sweet life, o único custo que se tem é a manutenção das antenas. A tecnologia pode ir avançando mas a base é a mesma. Tudo o resto que as empresas possam fazer resume-se a marketing e competitividade.

Mario Puzo - O Padrinho

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   Aparentemente um homem tem o direito de bater na mulher com quem é casado. Quando isso acontece muito provavelmente é a mulher a culpada e deve comportar-se de maneira diferente. Machismo, sim, bastante dele neste livro. Aparentemente a máfia é uma organização patriarca absurdamente conservadora apesar da quantidade de violência e de negócios obscuros em que se vê envolvida. Quando a filha de Don Corleone (o “Padrinho”) se vai queixar de que o marido lhe bateu, o que escrevi ali acima foi a resposta que ela teve. E quando perguntou à mãe se o pai alguma vez lhe tinha batido, a resposta foi um “nunca lhe dei razões para tal”. Mario Puzo certamente tem uma imagem muito negativa da máfia, o que se depreende do tom negro em que o livro está escrito. Apesar disso não é difícil de ler.

 

   'O Padrinho' é daqueles livros que segue uma data de personagens sem que haja uma principal. O famoso filme de Coppola transformou Michael Corleone, o filho mais novo de Don Corleone, na personagem central da história, mas a verdade é que não se lê o suficiente sobre ele para o considerar como tal. Assim seguimos a história da família Corleone durante cerca de dez anos, a maior parte dos quais durante uma guerra da máfia, enquanto as personagens crescem, mudam, se descobrem e se auto-destroem.

 

   Também me surpreendeu as secções que retiraram do livro na adaptação ao cinema. Maioritariamente temos a personagem de Johny Fontane, sobrinho de Don Corleone e cantor/actor de Hollywood que a certa altura perdeu a voz e a quem são dedicadas grandes partes do livro. Mario Puzo com certeza também não tem uma imagem muito positiva de Hollywood caracterizando as pessoas de lá como vazias, megalomaníacas, ladras e até pedófilos. Esta é talvez a maior das personagens que não aparece muito no filme, mas no livro praticamente TODAS as personagens têm pelo menos um capítulo dedicado a elas, fazendo com que a vinte páginas do fim ainda se estejam a apresentar personagens novas. Ya…o livro não se foca em nada nem ninguém em específico, mudando constantemente de personagem e perspetiva, o que faz com que eu não saiba bem o que escrever aqui, portanto estou a usar o filme como bengala.

 

   Não é de todo um livro pequeno, mas lê-se até bastante bem e, apesar de algumas secções parecem demasiado aleatórias, no geral é uma história bastante inteligente. Não há efeitos sem causas e muito menos o inverso. Uma coisa é certa, após uma história de dez anos ficamos a conhecer bastante bem os Corleone, o Don, os filhos, o afilhado, as suas esposas e amantes, alguns assassinos e suicidadas, as pessoas que a família ajuda em troca de favores futuros e aqueles a quem a família fica a dever e, passando-se nas décadas de 40/50 nem os efeitos da segunda guerra mundial na vida da máfia são postos de lado. Fica a lição, quando quiserem algo de alguém, têm apenas de fazer uma oferta que não possa ser recusada.

Era uma vez a chuva

   Parece ridículo como na Alemanha, apenas a dois mil quilómetros, há tempestades e inundações, enquanto em Portugal se fala apenas em seca.

 

   Hoje foi o primeiro dia de pseudo-inverno em que senti mais frio. As nuvens brincaram no céu durante todo o dia mas, pelo menos onde vivo, não houve pinga de água. Os meus pais têm uma pequena quinta onde semeiam umas quantas coisas no entanto este ano, com a seca de que tanto se fala, muito pouco da sua horta tiraram.

 

   Ao mesmo tempo e com alguma regularidade vejo gente a dizer que Portugal estaria melhor se saísse da união europeia. Não é que seja a favor ou contra, sinceramente nunca pensei muito nisso sequer, mas há implicações nas quais as pessoas não parecem pensar muito. Vivemos num país onde sim, pode haver muito potencial para produção, blá blá blá, mas onde atualmente a maior parte dos alimentos vêm de fora, e com a seca que para aqui anda, que gera uma grande escassez de produção, imagem quanto estaríamos a pagar por comida se não fosse a dita globalização. Se Portugal saísse da união europeia certamente uma das primeiras medidas a tomar seria também baixar o valor do escudo, emitindo mais moeda, para aumentar as exportações. Em contrapartida os produtos importados ficariam mais caros. Mais uma vez, sem haver grande produção alimentar em Portugal, imaginem quanto estaríamos a pagar por comida em tempos de seca.

   Passinhos de bebé até termos algum tipo de independência económica sustentável. Estamos muito longe.

Graham Greene - Um Campo de Batalha

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   Com tantos livros focados em personagens a viajar ou a praticar coisas “extraordinárias”, é sempre bom ler algo que se foque em ações mais simples não requerendo personagens misteriosamente milionárias. Não só as ações, como a história em si também é simples apesar de não ser, de forma alguma, leve. O livro inteiro tem aura de um certo realismo, de um absurdo pessimismo e falta de fé em relação ao ser humano, tentando retratar, de certa forma, o pior das pessoas. As personagens deste livro são egoístas, estúpidas e andam completamente perdidas na vida sem saberem o que fazer, levando a que façam apenas burrices. E como seria de esperar perante esta pequena descrição, o livro acaba num tom bem deprimente.

 

   A história em si é curta. Um certo homem chamado Drover, numa manifestação, matou um polícia sob condições duvidosas e está para ser condenado, ou à morte, ou a pelo menos vinte anos de cadeia. Depois o livro segue umas quantas personagens cujas vidas, ligadas à de Drover, se interligam também entre si: alguns colegas do mesmo partido político que tentam evitar que o colega seja condenado (mas que na realidade não querem saber e alguns veem até vantagens na morte do colega) fazendo uma petição; Milly, esposa de Drover, uma mulher bastante conservadora e desesperada; Kay, a sua irmã, bem mais liberal que está de momento a viver com a irmã. O livro não se foca em ninguém em especial, mas se há personagens principais são Conrad, irmão de Drover, um homem bastante nervoso e medroso, o que contrasta bastante com a imagem do irmão condenado (corajoso e terra-a-terra), que quer desesperadamente ajudar tanto o irmão, como Milly, mas não faz ideia de como o fazer e acaba ainda por piorar tudo, e o comissário adjunto, um velho polícia que começou há pouco o seu trabalho na polícia londrina e está encarregue de fazer um relatório sobre o caso de Drover. O que achei interessante foi como Conrad vê no comissário adjunto uma espécie de inimigo, e como os dois são parecidos. Descontentes com o trabalho, alienados pelos colegas, solitários, sem esperança, desorientados e à procura de acção. Não, não é receita para um final feliz… mas é para um excelente livro.

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