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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Dádivas de arroz e épocas festivas

  Estas épocas festivas de Natal e Ano Novo são sempre um pouco bizarras. As pessoas juntam-se em famílias para comer e trocam prendas, lembrando-se daqueles que estão longe e nos quais não pensam duas vezes durante o resto do ano. O ambiente familiar por norma é um pouco constrangedor, estando-se na companhia de gente que não se conhece muito bem, que só se encontra em raras ocasiões e a quem se vai contando uma ou outra novidade ou desavença que a vida vai trazendo. Depois vem a passagem de ano… eh… já viram noticiários na passagem de ano? Metade é passada a mostrar extravagantes festas, espetáculos de fogo-de-artifício que custam balúrdios por esse mundo fora, pessoas contentes a beber a uma vida melhor, a um ano melhor, a um futuro melhor; a outra metade a falar em aumentos de impostos.

 

   Mas também é tempo de pensar nos outros, em pessoas desconhecidas que, no geral, por uma ou outra razão, se encontram em piores condições de vida que nós. São feitas doações à caridade, há o Natal nos hospitais, nas prisões, há grandes refeições para os sem-abrigo, há gente que faz dádivas de sangue e medula pela primeira vez. Confesso que não faço a mais pequena ideia do que para aí há este ano, mas são sempre feitas angariações de fundos para instituições, campanhas para estes, para aqueles, espalhadas pelos centros das cidades, pelos centros comerciais e atualmente até pelas operadoras de telecomunicações. No Verão lembro-me ter recebido uma mensagem à qual a resposta teria um custo que reverteria em favor dos bombeiros. Com este tipo de campanhas feitas diretamente por este tipo de entidades como é o caso de supermercados por exemplo, independentemente do que seja feito são sempre eles que mais ganham, o que é muito feio tendo em conta que estão a ganhar em nome de…por exemplo os sem-abrigo, ou a cruz vermelha ou algo, sei lá. Enfim, de boas intenções... O mundo é um sítio estranho cheio de desequilíbrios e desavenças, sejam elas económicas, políticas, religiosas, sociais ou pessoais, em que os envolvidos andam na luta constante pela sardinha. E não é que atual campeã de xadrez do mundo perdeu o título por o campeonato se estar a realizar na Arábia Saudita e ela não querer participar por a obrigarem a usar os ridículos trajes deles? Aparentemente nem a deixariam sair de casa sem um homem a acompanhá-la. Não vou opinar se fez bem em não ir mas credo! Este caso em específico tem andado muito em voga por aí nas redes sociais.

 

  Recentemente li um pequeno conto chamado Arroz do Céu, escrito por um tal de José Rodrigues Miguéis que, como se pode ver pela imagem em baixo, foi aqui vendido como um conto juvenil (orientado para o 7º ano de escolaridade) cheio de letras grandes e ilustrações não muito boas. Armando-me em pseudo-intelectual o conto é uma espécie de alegoria da caverna com implicações religiosas. Conta a história de um “limpa-vias” que limpa o chão do metro e a certa altura começa a encontrar arroz no chão. Enquanto imigrante que nem sabe falar a língua, o nosso homem do lixo não vive nas melhores condições de vida e, vendo aquele arroz como uma dádiva divina, começa a apanhá-lo do chão, levando-o para casa para alimentar a esposa e os filhos. O que ele não sabe, nem se questiona sobre isso, é que por cima de onde trabalha fica uma glamorosa igreja que serve de escolha de eleição para os casamentos de classes mais altas. O arroz que é atirado ao ar sem pensar duas vezes por cima dos noivos, e o que não é comido pelos pombos é então varrido para os respiradores e sarjetas para acabar por alimentar a família do nosso limpa-vias. Para ele é um presente de deus, e assim reza para que continue a chover arroz. Não sou de forma alguma uma pessoa religiosa mas como se diz por essas igrejas fora, coitados dos ricos que dos pobres é o céu!

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Podem ser sempre os mesmos a ganhar mas pode também ser que uns cêntimos aqui e ali, que servem mais para quem os dá se sentir bem que qualquer outra coisa, façam realmente alguma diferença, não sei.  Mas chega de divagações tolas e infantis! O Natal já passou mas boas festas para todos e bom ano novo!

João Aniceto - O Quarto Planeta

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  Mas quem é este João Aniceto? Segundo a capa ganhou um prémio qualquer da Caminho em 1982 pelo seu primeiro livro, depois disso editou mais quatro ou cinco coisas que aparentemente também fazem parte desta coleção. E mais nada. Na rápida pesquisa que fiz não encontrei quaisquer outras edições nem grande informação sobre o autor. Tendo em conta a qualidade deste livro e presumindo que os restantes a partilham isso é muito triste porque realmente “O Quarto Planeta” é muito, muito bom.

  Portanto houve uma nave, a que se decidiu chamar Orion, que partiu da terra com uma missão específica qualquer, que aparentemente já ninguém sabe qual era - mas que acaba por ser revelada mais à frente. E ninguém se recorda porque esta nave em específico, cujo tamanho nunca é revelado exatamente mas que eu imagino ridículo – parecendo por vezes quase uma vila ou pequeno cidade...as aparências enganam – já anda às voltas há centenas de anos, ou pelo menos tempo suficiente para toda a tripulação original já ter deixado de existir e as gerações que se seguiram terem esquecido qual era a missão, ou sequer a forma da nave. Tempo suficiente para formar uma nova e pequena sociedade lá dentro, divida por sectores constantemente em conflito e liderada por um grupo religioso, cuja religião já agora se formou dentro da próprio nave. Eu disse "liderado" mas na verdade, do pouco que se conhece sobre esta cultura de aquário, eles simplesmente são o maior grupo. Um pouco louco? Sim, talvez, mas não é um conceito novo em ficção científica, e muito menos em distopias no geral, o que este livro é de uma ponta a outra. Assim conhecemos a igreja de Gagarine e o grupo de pessoas que diretamente, mas por caminhos indiretos, acaba por lutar contra ela.

  O livro está divido por capítulos que à vez descrevem acontecimentos em sítios diferentes. A nave é uma metade. A outra é uma cidade de nome Orga, onde se vive numa espécie de regime totalitário liderado por um grupo que veste invariavelmente mantos escuros escondendo as caras e que a população chama de “Cívicos”. Liberdade não há, trabalho há a mais e condições de vida são… minimalistas para se ser positivo. E quem não gosta? Bem, não é morto, mas é exilado da cinzenta cidade para a floresta que a cerca, que é o que acontece aos protagonistas desta metade do livro. E assim os seguimos enquanto eles de cidadãos passam a caçadores e, a determinada altura, passam ser presas. Não "presas" literalmente mas...meh. E se as palavras “ficção científica” e “distopia” não são algo que vos chame a atenção, que tal “terror”? Na floresta encontram um animalzinho fofo, que eu imaginei como sendo uma mistura entre um coelho e um gato, mas com três pares de pernas, que se junta a eles e cuja história me arrepiou imensamente. As três personagens exiladas pouco ou nada sabem sobre a “floresta” e, durante grande parte da sua…viagem, são seguidas por uma quarta personagem, denominada inicialmente apenas por “caçador” e é através dele que vamos conhecendo alguns dos perigos, em particular estas criaturas fofas parecidas com gatos, de nome “samaritanos” e cuja passagem por este livro, apesar de não ser muita longa, certamente me arrepiou. A sério, leiam este livro. Só por estes bichos já vale a pena. Não é que seja algo de tão único ou extraordinário quanto isso, mas a forma como tudo está descrito, jesus, como dizem os slogans, é de gelar os ossos.

  João Aniceto não se perde em divagações tolas, em informação desnecessária nem em descrições demasiado "artísticas". Aqui ou ali há algo que poderia merecer mais atenção e/ou informação, mas nada de muito grave ou que nos distancie da narrativa. Os parágrafos e as frases são curtos. A acção e a história avançam rapidamente. Ainda assim o autor criou um mundo bastante vivo cheio de pequenos detalhes para nos deliciarem a imaginação.

Irving Wallace - As Três Sereias

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   O que são As Três Sereias? Não se deixem distrair pelas moças nuas na capa do velho livro. As três sereias são um conjunto de ilhas, localizadas algures no mar da Polinésia, lá prós lados do Taiti. Mas o mais curioso sobre estas ilhas ficcionais é ninguém saber que elas existem, tirando as pessoas que lá vivem e cuja cultura se tem formado há mais de duzentos anos. E tirando outras duas pessoas graças a quem o grupo protagonista vai parar à ilha.

  Tal como em A Conjura, Irving Wallace passa grande parte do início apenas a apresentar as personagens do livro (e a ilha) - e mais nada (o livro avança muiiito lentamente) - que irão compor o grupo liderado por Maud Hayden, antropóloga de profissão, que foi, sob circunstâncias a que alguns irão chamar uma espécie de ameaça tola realizada por uma terceira pessoa, estudar a cultura d'as três sereias ao longo de seis semanas. Mas porque é que estamos a falar de três? Na verdade só interessa uma delas, onde se encontra o acampamento dos indígenas. Mas enfim, a história das ilhas, ou da ilha, pode já ter séculos, mas só interessa a partir do 18º quando um Inglês pseudo-intelectual de nome Daniel Wright ali aportou e permaneceu até morrer. Este Inglês tinha o sonho de criar de uma utopia segundo os seus desígnios pessoais e foi basicamente graças a ela que a ilha se tornou em algo que valha a pena estudar. De todas as diferenças que poderia inventar entre o "novo mundo" e este povo, Irving Walllace foca-se , primeira e principalmente, em sexualidade, no conceito de família e mono/poligamia. As Sereias são assim um bocado terra sexualmente livre, onde os homens vestem apenas sacos púbicos e as mulheres um minúsculo "saiote de erva" (parece não haver outra forma de representar sociedades não avançadas tecnologicamente), onde o crime de assassinato é julgado com escravidão à família da vítima (num sítio pequeno como este - pouco mais de 200 pessoas - basicamente não há criminalidade), onde as pessoas vivem de uma forma simples, cultivando, pescando, onde há casamentos, divórcios, um festival anual de duas semanas em que são permitidas e não julgadas relações extra-conjugais, uma cabana onde, mesmo não estando nessas duas semanas, a população pode ter relações extra-conjugais (mas só ali), e um ritual em que todos os habitantes perdem a virgindade aos 16 anos.

 

  É um livro bem grande, mas se posso pôr defeitos acho que o autor se foca demasiado em conversas sobre as diferenças entre as culturas e a forma como é visto o sexo nos diferentes sítios. Enquanto na "nossa" sociedade é tabu, ali é celebrado (etc). O problema aqui é que o autor se alongou demasiado e demonstrou até muita tolice e...vou-lhe chamar inocência à falta de melhor palavra. Apesar de importante no contexto da coisa, talvez tenha retirado demasiado espaço às personagens e ao que para mim foi a parte mais interessante: como estes americanos reagiram ao "choque de culturas". Isto porque os indígenas, salvo um caso que acaba em tragédia, não se deixam influenciar e no geral estão-se pouco marimbando para os estrangeiros. Já os estrangeiros vêm as suas vidas mudar completamente ali, e não só no presente do livro, mas para o resto das suas vidas. Isto também porque todos eles decidiram embarcar na aventura com objectivos e razões específicas, alguns mesmo para mudar o rumo à vida. No entanto Irving Wallace transformou tudo numa jornada de auto-descobrimento e desenvolvimento pessoal para esta equipa de cientistas (e uns quantos acompanhantes) o que, mais uma vez, em parte, se tornou um bocado tolo. Certo é que, desde que se ouve falar delas, As Três Sereias são pintadas um pouco como uma espécie de paraíso na terra. E apesar de se mostrarem um pouco menos do isso, para cada um dos visitantes elas tornam-se a âncora com a qual irão mudar as suas vidas - nem que seja para decidir prosseguir em frente...num caso aceitando uma proposta de casamento...  :|

 

  Relendo o que já escrevi dou a impressão de que não gostei do livro. Não é de todo o caso. Está exemplarmente bem escrito e em parte agarra-nos de uma forma que poucos livros conseguem. Apenas gostaria que o autor não tivesse caracterizado algo tão idílico...porque isso gerou muita tolice. E é a quarta vez que uso essa palavra neste post!

Piloto Automático

  Todos nos vamos sentindo inferiores e superiores a outros. Porque será? Vai-se a ver culpa-se a raça, o ser humano com o seu confuso cérebro, a classe animal ou até quase toda a forma de vida que tenha massa cinzenta. Pelo menos a classe denominada por mamíferos vive maioritariamente organizada em grupos e em famílias onde há sempre os que lideram e os que ficam a ver. Talvez venha daí, não sei, mas é certo que esse sentimento de superioridade demonstra-se de formas muito estúpidas e pessoais. E isto desde tenras idades.

  Já na pré-escola é possível ver os garotos em grupos, onde um deles é sempre líder, de uma forma ou de outra. E é bem fácil de identificar pois esse garoto é literalmente seguido pelos outros, é olhado quando há dúvidas, é ele quem escolhe qual a brincadeira seguinte. E assim alguns crescem e passam uma vida inteira a pensar que são melhores que os outros e por vezes têm uma vida inteira em que são sempre o centro das atenções, seja porque razões for. E o oposto também. Inúmeros estudos foram e continuam a ser feitos em escolas e sobre interações escolares por estas serem uma boa espécie de bolha onde o comportamento humano é mais facilmente identificado e catalogado. Apesar de envelhecermos, os velhos não aprendem nem mudam. Há mais mesquinhice e as atitudes são mais subtis, mas ao fim ao cabo, no geral, nada muda.

  Em qualquer ambiente adulto é fácil reconhecer os chico-espertos, aqueles e aquelas que são boas e o sabem (fisicamente), os pseudo-intelectuais, etc... A postura, o olhar, a forma como olham, por vezes de cima a baixo. Eu nem sei. A maior das conversas, aos meus ouvidos, parece resumir-se a “eu sou melhor que tu” “não, não és, eu é que sou”. Quando se fala em gostos, então: “A minha banda favorita é melhor que a tua”. Bah. Então nas redes sociais nem se fala… Quando se é novo pensa-se que à medida que se envelhece há coisas que vão melhorando. Ao julgar isso apaga-se é da memória que os velhos são muitas vezes os mais rudes e indesejados.

  Nunca percebi as interações humanas. Acho que falta (à falta de melhor palavra) visão. Ou se calhar sou eu quem tem falta dela. Com isto vem à cabeça um dos mais famosos poemas de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) que começa com “Nunca conheci quem tivesse levado porrada”. Por vezes parece que estou à margem dos outros, "...sempre campeões em tudo". Mas no final de contas não são todos os humanos animais tentando-se orientar na vida em “Piloto Automático”(?): nome da música ao compasso da qual este post foi escrito. Não é que seja uma música muito boa por si só, mas por vezes, apesar de todo o snobismo que há (também) na arte em geral, basta uma mensagem que nos toque, com a qual nos identifiquemos, nem que seja momentaneamente, dita de uma forma não muito lamechas. Neste momento a Piloto Automático consegue ser tudo isso. Porque ninguém pede para existir mas todos têm que aturar este mundo. Aqui fica a música:

Tempestades

  Com os ventos fortes, a chuva intensa e o frio, mas especialmente com os ventos fortes e os sons fantasmagóricos que criam durante a noite, os rebanhos nos bardos juntam-se. Cabras, ovelhas e outros, anteriormente separadas ocupando o máximo de espaço possível, ainda assim juntas em família, amontoam-se assustadas nos cantos. Em criança, no sítio onde cresci, não havia inverno em que lá vinha mau tempo e se ficava sem eletricidade durante, por vezes, mais de uma semana. No curto espaço de tempo em que se fica acordado, após o anoitecer, janta-se e fica-se um bocado a olhar para o lume à luz de uma vela ou um candeeiro a algum canto. Há um certo prazer em ficar a ver o lume a apagar-se. Algo difícil de explicar, mas especial e hoje já quase esquecido, mas feito por famílias durante séculos, e ainda hoje em terras afastadas onde não é estranho ficar sem luz durante períodos ainda longos após uma chuvada mais forte.

 

  Quando me falaram numa tal tempestade a que se chamou “Ana” não prestei muita atenção e nem levei guarda-chuva para o trabalho. Aqui nada se fez sentir de forma estúpida, mas até se sentiu. No trabalho, desde o cair da noite, esporadicamente foram-se ouvindo uns estrondos que as pessoas presumiram serem telhas das casas mais acima a cair no nosso telhado. Também se fez ouvir alguma chuva mais forte e vento. Para alguns que vivem longe do trabalho falou-se inclusive de uma ou outra estrada que aparentemente tinha sido cortada. Quando chegou a hora de saída o tempo parecia ter melhorado de um momento para o outro. Indo a pé para casa apanhei uma grande molha, mas nada de mais. E nada que um guarda-chuva tivesse salvado pois muito provavelmente, apesar de já não muito forte, o vento estragaria ainda o velho guarda-chuva. Aliás, encontrei dois ou três escavacados e abandonados ao longo do caminho.

 

  Em casa o cão dormia, alienado completamente de tudo. As duas gatas estavam um pouco sobressaltadas e notava-se-lhes algum medo. As velhas janelas de madeira batiam, uma delas rachou-se, e por quase todas elas entrou alguma água. Não muita, nada de grave, mas ainda assim lá se tem de andar com a esfregona de um lado para o outro e, para precaver, lá se barricou uma das janelas com o que se conseguiu encontrar. Imagino apenas o que será viver num daqueles cantos do mundo onde há tempestades a sério constantemente, furacões (pf!), tsunamis!  Mas enfim, durante alguns segundo até se finge que se vive no rés-do-chão e nos estamos a proteger de algum ataque de zombies... Entretanto muitos não podem é telefonar a ninguém que com o mau tempo as telecomunicações andam todas maradas.

Referências a flautistas e contos de fadas

  Foi especialmente através dos filmes da Disney que muitos dos já anteriormente mais bem conhecidos contos infantis/juvenis de sempre ganharam fama por esse mundo fora. Parte deles foram escritos ou re-escritos/compilados pelos famosos irmãos Grimm durante os séculos 18 e 19. Poucas foram as pessoas que tiveram, e nos dias de hoje continuam a ter, tanto reconhecimento como eles, e mesmo que não conheçam os nomes certamente conhecem as histórias como a Cinderela, a Branca de Neve, o Capuchinho Vermelho, Rapunzel, e a lista continua e continua. Apesar de serem talvez os mais conhecidos, ao longo dos últimos séculos há mais que uma boa mão cheia de autores deste género. O que muitos deles tinham em comum, contrariando o facto de se tratarem de contos infantis, é incorporarem temas e descrições bastante macabras nos seus contos - mas o que é interessa é a mensagem, certo? (:   . Assim sendo o Pinóquio é torturado e enforcado, o lobo come a avó, as primas da Cinderela cortam dedos dos pés para conseguir calçar o raio do sapato mágico e os seus olhos são arrancados por pássaros, e o príncipe da Rapunzel fica cego após cair da torre em cima de espinhos…ou seja…caíu com os olhos em cima dos espinhos?... Ok. De notar que estas histórias já foram contadas e recontadas trinta vezes cada e há diferentes versões de todas elas.

 

  Como nunca li nenhum o meu conhecimento dos mesmos é pouco mais que inexistente. Sinceramente nem os filmes da Disney vi, tirando este ou aquele. Tal ignorância não me deixa reconhecer quaisquer referências que sejam feitas quando estas coisas aparecem em filmes, músicas ou séries ou o que for. Mas que as há, há, e não são poucas.

  Chegamos então a uma banda que há uns anitos ouvia, e com a qual me deparei recentemente: Megadeth. Pois bem, estes rapazes lançaram em 1992 um álbum de nome “Countdown to Extinction”, que contém umas quantas boas músicas. Uma delas, que pessoalmente nunca me chamou a atenção, chama-se “Symphony of destruction” e é nada mais que uma música anti-guerra. Há muito disso em Megadeth. Muito mesmo. O refrão é o seguinte:

     “Just like the Pied Piper

     Led rats through the streets

     We dance like marionetes

     Swaying to the symphony of destruction”

  Quem conhece a banda sabe que, quer goste ou não da música em questão, é sem sombra de dúvida das mais conhecidas, talvez até a mais conhecida, e ainda hoje não há concerto de Megadeth sem a sinfonia da destruição. Foi apenas recentemente que me perguntei: mas quem é esse Pied Piper?

 

  "The Pied Piper Of Hamelin", ou em português, “O Flautista de Hamelin” é uma história proveniente da cidade alemã com o mesmo nome que remota ao século 12 e foi publicada pelos irmãos Grimm sendo, possivelmente, uma das mais sinistras. Reza a história então que, numa determinada época, a cidade estava infestada de ratos e o dirigente, em toda a sua sabedoria, ofereceu recompensas monetárias por cabeças de ratos para fazer face à praga. Entra então em cena o referido flautista que, com os poderes mágicos dos sons emitidos pela sua flauta, enfeitiça todos e cada um dos ratos da cidade, encaminhando-os para o rio, onde morreram afogados. E como esta é uma história de vingança, quando o flautista reclamou o prémio do seu encantado trabalho, o presidente, ou dirigente, ou lá o que for, recusou-se a pagar um tostão por o flautista não ter apresentado quaisquer cabeças de ratos. Nunca ninguém explicou a essa cabeça dura que com bruxos não se brinca e assim o homem lá foi embora de mãos a abanar, para voltar mais tarde, enfeitiçar todas as crianças da cidade e levá-las através dos bosques até uma caverna na montanha, cuja entrada desapareceu para sempre após as crianças entrarem. E nunca mais ninguém as viu.

  Gente, não se metam com bruxos, independentemente do quão coloridas sejam as suas vestes. E patrões, paguem aos vossos trabalhadores. Muita gente louca por aí. Fica a última frase do conto, ou melhor, de uma das versões dele:

“E desde então, nunca mais houve um rato na cidade de Hamelin”

Fica também, para ouvirem, a história e a música:

 

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