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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Primeiro dia de aulas

  Ao contrário de muitos, Ana sempre gostou de escola, sempre gostou de aprender e sempre foi o tipo de pessoa que se senta na primeira fila. Como tal, estava bastante empolgada com o regresso às aulas.

 

  Era o primeiro dia. Foi a primeira a chegar à porta da sala de aula. Aos poucos os outros foram aparecendo e, apesar de haver sempre aqueles que se atrasam, o professor entrou na sala seguido de quase toda a gente com apenas cinco minutos de atraso. Pode-se dizer que a manhã correu bem, mas não muito bem. Fizeram-se as apresentações, trocaram-se algumas histórias. Os alunos, estando demasiado irrequietos, talvez por ser o primeiro dia, falavam uns por cima dos outros e até atropelavam o professor não o deixando concluir as frases. Ana pensou que os colegas eram um tanto labregos, mas toleráveis e foi com otimismo que chegou à hora de almoço.

 

  Durante a tarde, no entanto, o ambiente mudou de rumo. Um grupo de engraçados decidiu aparecer bêbedo na aula depois de almoço, começando a gritar com o professor que, talvez sentindo-se impotente, não chegou a mandar ninguém para a rua. Instalou-se uma rebaldaria e alguma confusão durante o início da tarde mas o grupo de rapazes que esteve a beber álcool ao almoço lá decidiu sair da sala, só para, soube Ana mais tarde, ir até ao café mais próximo beber cervejas. Mas não sem antes fazerem uma chinfrineira a arrastar e a bater em mesas e cadeiras, não sem antes fazerem uma boa mão cheia de comentários indecentes na aula, uns gritados ao professor que fez uma viagem de mais de uma hora de carro para ali estar, outros dirigidos aos colegas, em específico aos do sexo feminino. Comentários esses que em outros ambientes poderiam ser classificados como assédio. Escusado será dizer que Ana, no início empolgada, depressa se sentiu bastante mal e com vontade de sair dali e desistir após ver a rebaldaria, a falta de respeito e a falta de educação que reinava naquela sala de aula, especialmente após ser o centro de um dos comentários dos chicos-espertos da turma, especialmente depois de lhe faltarem ao respeito a ela naquela forma de brincadeira nojenta e um pouco sexual que os chicos-espertos-narizes-empinados-peitos-inchados por esse mundo tanto usam.

 

  Aqui a questão, e o verdadeiramente preocupante desta história inteiramente 90% verídica é que não estamos a falar de adolescentes, nem de “jovens adultos”. Trata-se de um curso de um ano do centro de emprego onde a pessoa mais nova tem 28 anos. Tirem as vossas conclusões.

Tenras Idades

  A carreira de um desportista, na maior parte dos casos e dos desportos, é curta. Chega-se aos trinta, talvez mais meia dúzia de anos, e acaba. O curioso é que uma pessoa com trinta anos hoje em dia ainda é “jovem”, mesmo que o corpo não seja já o que foi antes e por vezes pareça ser feito para não durar muito.

 

  Ontem no trabalho ouvi duas pessoas falar de uma terceira colega que há-de ter os seus quarenta, e referiram-se a ela como “jovem”. Com trinta anos nos dias que correm muita gente ainda vive na casa dos pais, sem nunca ter trabalhado, sem saber o que fazer da vida, talvez sem querer fazer nada, e por vezes a gastar dinheiro em noitadas. Não é que seja mau ou bom, é o que é e eu não sou ninguém para dizer o que quer seja sobre o que é e o que deixa de ser: faz-me é confusão que pessoas com quarenta e trinta anos sejam consideradas “jovens”.

 

  Com trinta anos já o cabelo cai às mãos-cheias, já a cara se vai enchendo de rugas, já os olhos veem torvo, já os dentes apodrecem e caem, já os ossos estão perros, as articulações cansadas e os desgraçados dos joelhos cheios de dor, especialmente com o frio do Inverno. Enfim, ainda jovens…

Dolores O'Riordan

  Vi agora num desses "feeds" de notícias que enchem páginas de internet por todo o lado. Morreu, no dia de ontem, Dolores O'Riordan, mais conhecida por ser a vocalista de The Cranberries, uma banda que intermitentemente sempre me foi acompanhando já desde que eu era bem novo. Estava eu no básico quando uma colega me emprestou um cd deles para ouvir, tendo esse mesmo sido o primeiro CD que alguma vez tive nas mãos. Na capa preta viam-se umas pessoas sentadas num sofá e o álbum começava com uma guitarra que, quanto mais tempo passa, mais hipnotizante e triste me parece; de seguida entram os outros instrumentos e por fim a voz dela... Certo é que enquanto tiver ouvidos que ouçam música vou ouvir esta banda e esta voz.

Quebra-Cabeças: Um caracol dorminhoco

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  Um caracol quer subir uma pilha de dez tijolos. Com grande esforço o nosso caracol consegue subir quatro tijolos numa hora. No entanto após isso adormece e escorrega três tijolos. Uma hora a subir, uma hora a dormir. Quantas horas demora até chegar ao topo da pilha?

 

Confirmem a resposta nos comentários  :)

Evelyn Anthony - O General

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  Este livro foi editado pela primeira vez em 1972 sob o título The Poellenberg Inheritance, o que só interessa pois me parece bem mais fácil falar do livro começando por aí. A herança Poellenberg é uma obra de arte ficcional, uma escultura feita por Benvenuto Cellini em ouro maciço com “…noventa e um centímetros de altura, cravejada com cento e dezoito diamantes, oitenta e três rubis, cento e cinco safiras e vinte e cinco pérolas barrocas de tamanho grande.” Esta “Taça de Poellenberg” vale milhões e entrou na posse da família alemã Von Hessel no final do século dezassete. Durante a segunda guerra mundial foi “saqueada” pelos alemães e desde então nunca mais ninguém lhe pôs a vista em cima.

 

  Seguem-se aqui algumas personagens sem haver uma principal. Conhecemos a família Von Hessel, que, como já disse em cima, existe pelo menos desde o séc 17 mas parece ser bem mais antiga, que tem em sua posse uma fortuna e dirige várias empresas e fábricas tendo acumulado fortuna vendendo armamento em várias guerras e, como não podia deixar ser, à Alemanha durante a segunda guerra. Esta família é liderada por Margaret Von Hessel com um punho de aço e sem sentimentalismos. A velhota Margaret, ao contrário dos filhos – o que por si só já gera alguns conflitos – quer reaver a Taça Poellenberg e contrata os chefes de uma empresa de detetives privados, Eric Fisher e Dunstan, para a encontrar. Eric Fisher é quem primeiro se encarrega de tal e, seguindo várias pistas há muito definidas no livro por esta altura, chega a Paula Stanley, que vive em Inglaterra e é filha do “General” que dá o titulo ao livro. Era General da S.S. alemã durante a segunda-guerra e, ao contrário de outros, aprisionados ou condenados à morte, este homem que estava no “topo” do exército alemão é tido como morto por todos e vive em exílio em Espanha sob uma identidade diferente. E, passados não sei quantos anos, o general volta a aparecer em público pois descobrindo Paula, a filha, decide dar-lhe a taça de Poellenberg que ele escondeu desde os tempos da guerra e que vê como uma herança que deve ir para às mãos da filha por meios legais (em cima a palavra saqueada estava entre aspas).

 

  Como escrevi há pouco o livro não tem propriamente uma personagem principal mas foca-se bastante em Paula, o que é curioso pois é uma personagem bastante fraca que depende e anda sempre atrás de outros. Ação da parte dela não há muita, mas no final de contas não é problema nenhum, pois ação no geral não falta. Se eu algum dia escrever um livro, gostaria que fosse algo como este...quem sabe...mas enfim, é um livro rápido em que vamos seguindo intercaladamente as várias personagens, acompanhando os seus dramas, as ações e decisões que ancoram a história. Pessoalmente não gosto de romances históricos, não são algo que me chame a atenção, muito menos histórias relacionadas com a segunda guerra mundial, talvez por as haver aos milhares, e eu pensei que este livro fosse um pouco estas duas coisas. Para quem não está interessado, não se preocupem pois não é nada assim, felizmente. Em inglês usa-se a expressão "page turner", "vira-páginas", o que O General certamente é.

Coco - Lee Unkrich, Adrian Molina

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  Quem cresceu com os filmes da Disney e talvez também os primeiros da Pixar, possivelmente mais que uma vez se sentiu frustrado com os desenhos animados que têm vindo a sair. Destes dois estúdios até se pode esperar algo relativamente bom mas no geral os filmes de animação…ok, não é que eu os veja sequer portanto quem sou eu para falar, mas “pinta”? Não têm nenhuma.

  A chegada deste filme, Coco, ao cinema não foi há muito tempo atrás, numa terra distante, mas sim recente, e pelo trailer também não dava grande coisa por ele. No entanto, após trinta piadas infantis com o título do filme e como já se viu o novo Star Wars (Vejam! Vejam! Vejam!), estando as pessoas numa de idas ao cinema, lá fui ver.

 

  Sabiam que as publicidades que passam no cinema, antes do filme começar, são diferentes nos filmes dos mais novos? Eu não... E lá estava eu sentado à espera a ver publicidade de brinquedos. Mas quem espera sempre alcança e o filme por fim lá começa. A primeira coisa que se nota desde logo é a qualidade da animação. Para quem não vê muito do género, como eu, é impressionante o estado das…coisas. Por exemplo quando tocam guitarra…tocam mesmo guitarra. Não abanam as mãos à frente do instrumento, sei lá, todos os movimentos, incluindo a vibração das cordas, estão lá. Mas o que irrita é o próprio design de tudo, das personagens, dos objetos, dos edifícios...porque é que é tudo arredondado? A sério, é tudo redondo, porquê? Para ser fofo? Não percebo, não gosto, é feio. Há-de haver certamente quem goste, não sei se esta é uma opinião popular, mas aí está ela. Outra coisa que também me incomoda é que, não interessa o quão séria uma determinada cena possa ser, e em alguns casos fillmes inteiros, com a disney pode-se esperar quase sempre alguma espécie de mascote a fazer palhaçadas e piadas que não metem graça nenhuma. No caso deste filme foi o cão...enfim. Não é que as mascotes sejam o problema, mas sim as suas palhaçadas.

 

  Em Coco conta-se a história de um garoto de nome Miguel, quarta geração de uma família matriarcal produtora de calçado que abomina música porque o trisavô abandonou a trisavó para seguir o sonho de tocar guitarra. Enfim, muitos sonhos a seguir, muitas dificuldades para os alcançar, alguma tolice no geral da história, da família, das tradições, que é sempre de se esperar. No dia dos mortos - feriado mexicano similar ao dia de todos os santos – Miguel fica amaldiçoado e vai parar ao…mundo dos mortos, onde as almas ficam enquanto houver memória delas na terra. Depois o que vem é a jornada de Miguel para conseguir regressar ao nosso mundo dentro dos seus próprios termos, na qual conhece a personagem mais interessante do filme, um homem de nome Hector, que de certa forma guia o nosso protagonista ao longo da história e mais tarde é peça central de uma grande reviravolta de que eu não estava à espera e que foi muito bem feita. De notar também vários pormenores interessantes como a existência de “bairros de lata" onde os que já pouco ou nada são recordados vivem. Porque parece que o além-vida pode ser tão injusto quanto a terra.

 

  No final das contas é um bom filme com bastante coração, que tanto parece faltar nas animações recentes e que deixará qualquer um com uma lágrima no canto do olho, incluindo eu.

Cigarros e ano novo

  Muita gente fica esperançada para o “novo ano”. Entram então em campo as resoluções que, no conjunto, formam uma ideia de vida melhor que a anteriormente vivida. Dos milhões de projetos de ano novo feitos, pergunto-me quantos, até ao dia de hoje, 3, já foram esquecidos e atirados para o cesto dos pensamentos inúteis.

 

  Este ano também tenho uma, que certamente partilho com imensa gente: deixar de fumar. Quantos já a terão quebrado nestes três dias e meio? Em Portugal, na faixa etária entre os 25 e os 39 anos a percentagem de fumadores é cerca de 38% (link). Se me perguntarem porque é que fumo não sei dar uma resposta de jeito. Hábito, talvez? Não sei, mas sei que 38% é um número um bocado ridículo do qual sinceramente não estava à espera (mas que aparentemente está a descer que aquele link não é recente).

 

  Há vícios que parecem ser uma loucura, que deixam as pessoas tolas se não os satisfazem. Fumar não é assim. A nicotina funciona subtilmente, é um hábito, algo que é feito muitas vezes, até só para matar tempo, é ter uma pausa de dez minutos no trabalho e não ter mais nada que fazer. Quem não conhece alguém que é viciado mas que não o assume, que diz que a qualquer altura deixa de fumar mas não deixa e assim regularmente lá está a comprar mais um maço de tabaco, cujo preço tem vindo a disparar de forma estúpida durante os últimos anos. Talvez esses tenham razão apesar de continuarem, talvez tenham a certeza que tem razão, ou então não entendem como funciona a nicotina porque a sensação criada pelo tabaco – ou melhor, pela falta dele – não é algo forte que passe por necessidade.

 

  32% dos fumadores já tentou deixar de fumar e eu sou um deles. A verdade é que é simples, é só não fazer algo que não dá trabalho nenhum a fazer, que é feito sem ter qualquer objetivo específico à vista e que, ao contrário de muitos outros vícios, maioritariamente não dá prazer algum. Não se fuma para se estar num estado diferente, não se fuma para esquecer, não se fuma para se ficar alegre; apenas se fuma. No entanto deixar de o fazer é uma espécie de dança executada por dois parceiros tolos que não sabem o que estão a fazer e se pisam constantemente. Ou então pessoalmente apenas nunca me tenha convencido e por isso continuei. Ou como alguns dizem quem deixa de fumar “está apenas entre cigarros”. Para mim nunca houve um intervalo de tempo muito longo apesar de algumas tentativas. Não sei porquê. Se é algo que em si não tem finalidade, que muito pouco ou nenhum prazer dá e que muitos chamam até de nojento, qual é o problema? … meh … As pessoas raramente mudam e muito menos gostam de mudanças, talvez seja isso.

 

  E assim se chega ao ano novo, quando ainda tinha menos de meio maço que fiz questão de acabar e...já foi. Bye-bye, por agora pelo menos, e que se seja por um longo longo tempo. A ver vamos.

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