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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Quebra-cabeças: Litros e litros de água

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 Tendo uma quantidade ilimitada de água e dois garrafões, um de cinco litros e outro de três, como é que podemos medir exatamente:

a) Um litro de água.

b) Quatro litros de água.

 

Há várias formas de obter as várias combinações pois temos a água que quisermos.

Fácil, certo? Confirmem a resposta nos comentários.  :)

Frederik Pohl - Ó Pioneiro!

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   É sempre bom quando as histórias se focam no quão pequeno o ser humano é, muitas vezes nas mais ridículas coisas. Sejam segredos que não o deviam ser, sejam artimanhas de uns que prejudicam outros, sejam as más-línguas que nunca param de trocar ideias, sejam cobardias ou arrogâncias. E quando estas coisas se atribuem não a indivíduos mas a dramas e sistemas políticos ficcionais…temos histórias como esta, “Ó Pioneiro!” de Frederik Pohl.

 

   O protagonista da história é-nos apresentado como um daqueles génios informáticos que, por serem génios informáticos, conseguem “hackear” tudo e mais um par botas e ter toda a informação do mundo em três segundos. Estas personagens irritam por simplesmente as coisas não funcionarem assim (digo eu…) mas enfim, passam-se décadas e as histórias de ficção científica e não só continuam a publicitar estes seres inexistentes que têm especial piada naqueles filmes tolos em que parece bastar a uma pessoa escrever rápido num computador para se ser um deus da informática e conseguir tudo o que se quer. Isto por si só, usado mais que uma vez neste livro, é talvez o pior defeito que lhe consigo pôr. Mas adiante.

 

   A história propriamente dita passa-se num futuro um pouco distópico, mas do qual não vemos quase nada tirando alguns detalhes no início do livro. Isto porque tudo se passa num outro planeta, apelidado pelos humanos como “Tupelo” para onde a nossa personagem principal, de nome Evesham Giyt vai viver após responder a um anúncio de uma tal de “Sociedade de Amplitude da Terra” que anda a recrutar pessoas para colonizar o novo planeta. A viagem em si é feita através de um conveniente portal de ida e volta, e quando se chega lá a sociedade do planeta e a cidade onde ainda muito pouca gente vive tem aspeto de postal americano dos anos 50, onde as famílias vivem alegremente numa espécie de subúrbio rico onde as donas de casa vão oferecer bolos aos recém-chegados, vestidas com aventais bem limpos e de sorriso rasgado na cara.

 

   Mas os humanos não estão lá sozinhos. Quatro outras espécies alienígenas vivem ali, desde uma espécie de papa-formigas, até lesmas, passando por uma versão de primatas bem mais pequenos que os humanos. Para todos eles Tupelo é o “planeta da paz” e o planeta está organizado por secções que vamos vendo à medida que Giyt, que se torna presidente da câmara, passa por elas. Há preconceitos e conflitos entre as espécies que nos entretêm durante várias páginas, e cada uma está mais encarregada que as restantes de uma determinada especialidade. Uns da energia, eletricidade e não só, outros da construção e manutenção de infra-estruturas, desde casa a hospitais…já os humanos, tidos como os menos inteligentes, e certamente os menos tecnologicamente avançados, estão encarregados principalmente da produção alimentar, da agricultura.

 

   Há ressentimentos, mentiras e esquemas manhosos, e é aqui que entra tudo o que indiquei no primeiro parágrafo, enquanto o nosso protagonista, que só quer ter uma vida calma e descontraída, tenta distinguir a verdade da mentira e da meia mentira.

 

   Não é um livro muito grande, na verdade tem o tamanho ideal, e, apesar de ter várias falhas, há bastante tempo que não me empolgava tanto a ler um livro. Livro esse que, vim a descobrir, parece ser dos piores do autor. Se algum dia der de caras novamente com Frederik Pohl digo como correu.

Esperanza Spalding - Espera

  Há músicas que nos ficam na cabeça, seja pela "mensagem", pela letra, pela melodia...neste caso ando a cantarolar a melodia deste contrabaixo há dias, assim como partes da letra: "All the sorrows will consume me, 'til peace among men I never can see, But I'm not sure enough to give it up."

 

Stephen King - O Jogo de Gerald

o jogo de gerald final.png

  Tirando o facto de que gosta de amarrar a esposa à cama durante actos sexuais, a personagem de Gerald, que dá o nome ao livro, pouco ou nada interessa aqui. Interessa sim a sua esposa, Jessie, personagem principal do livro, que se vê de braços abertos, presa a uma cama por algemas das quais não consegue sair, com o marido morto, após um ataque cardíaco, ao lado da cama. E isto numa casa de “campo” isolada e longe de tudo. E parecendo que não a luta da mulher para dali sair é 90% do livro.

 

  Stephen King alonga-se então em pormenores, descrições e flashbacks da vida dela enquanto nos vai mostrando o que se passa nos seus pensamentos criando “vozes” na cabeça dela. A casa fica junto a um lago e no início são-nos descritos os sons que rodeiam a casa de Jessie, em específico uns pássaros, uma moto-serra e um cão que mais tarde vai aparecer, esfomeado como tudo e começando a encher a barriga com o marido de Jessie, uma vez que as portas da casa estão todas abertas e passam o tempo todo a bater devido ao tempo. Stephen King até a história do cão conta.

 

  Não é um livro para todos, nem que seja só pela sua simplicidade, mas é bastante forte. Nunca eu sofri tanto com a personagem de um livro como aqui, acompanhando a luta de Jessie, enquanto ela revive o passado, enquanto sofre, se magoa, se cansa, se impressiona, se corta, se esvai em sangue e se vai definhando com sede. Já para não falar de visitas de figuras negras que ela associa tanto à figura da própria morte, como a alucinações que a deixam ainda mais desesperada.

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