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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Cravos de Abril

  Numa florista ofereciam-se cravos. Não se percebendo exatamente de onde, mas não de muito longe vinha o som de uma banda filarmónica local. Na rua não se vê muita gente. Jovens contam-se pelos dedos de uma mão, velhos também não há muitos. O centro da cidade conta com mais gente numa missa de domingo do que no hastear de uma bandeira e celebrar de um dos mais importantes feriados do país. Para além das poucas pessoas e da banda, contam-se também algumas figuras políticas do sítio. A banda toca duas ou três músicas e acaba com o hino nacional, durante o qual a bandeira é hasteada. As pessoas começam a dispersar, algumas delas com meia dúzia de cravos nas mãos, algumas delas à espera para apanhar os que caem abandonados no chão.

 

  Um livro juvenil que vi na biblioteca há algum tempo dizia que todos os direitos, todas as facilidades, todas as liberdades e comodismos que temos, não são algo adquiridos. Para se manterem é necessário toda a gente lutar por eles todos os dias, desde as classes mais altas até às mais baixas, porque a sociedade em que vivemos é muito frágil.

 

  Não se trata de patriotismo. Trata-se de tudo o que se toma como garantido. Porque afinal a cor que mais se vê na bandeira portuguesa, o vermelho, está lá a simbolizar o sangue derramado para se chegar onde se está hoje, seja lá onde isso for.

Três contos de Beatrix Potter

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  Recentemente estreou nos cinemas um filme chamado “Peter Rabbit”. Pelo trailer não parece muito bom. Não conheço bem a personagem, sei apenas que vive numa quinta que na verdade pertence a um tal de senhor Gregório, a quem o “Pedrito Coelho” faz a vida negra. A personagem foi criada por Beatrix Potter, que editou uma data de contos infantis durante a primeira metade do século passado. Aqui o que eu acho singular é que ela não só escreveu, como ilustrou os seus livros. Não me recordo de nenhum outro autor que tenha feito as duas coisas à escala que esta senhora fez. E talvez a ilustração seja até a melhor parte, mas pessoalmente não me interessa tanto quanto as palavras escritas… Para mais informações sobre a autora vejam este post:

https://pantano.blogs.sapo.pt/o-imaginario-mundo-de-beatrix-potter-40769.

 

  Foi na biblioteca que estes três pequenos livros foram requisitados da secção dos mais novos. São bem pequeninos e leem-se rapidamente. Literatura para adolescentes há a montes, e algumas coisas muito boas lá pelo meio, mas infantil…? Eu não percebo histórias infantis. Não há enredo, não há objetivo, e pior do que isso, nem parece haver um sentido. Mas vamos lá por ordem de leitura.

 

  O primeiro deles que li foi “A história da Senhora Rata Migalha”. Esta rata migalha só quer ter uma casa limpa e em ordem, mas todo o tipo de bicharada entra lá constantemente, sujando-lhe tudo. O que ela menos gosta, e que a visita, é um sapo que vem dos esgotos e deixa tudo cheio de pegadas. No entanto o sapo afugenta-lhe todos os outros bichos da casa. Depois de ele ir embora, com musgo e paus, a rata migalha tapa parte da entrada da porta de modo a que o grande sapo nunca mais possa entrar. Aí ela limpa a casa e dá uma festa convidando os ratos da vizinhança… Nem nexo  nem moral a meu ver.

 

  Já “A História dos Coelhinhos Flopsi”, primos do coelho Pedrito já agora, e que não tendo muita comida em casa decidem ir alimentar-se por aí...alimentar-se de alface do caixote do lixo do senhor Gregório. Aparentemente a alface dá sono aos coelhos deste livro e é a dormir que o senhor Gregório os apanha. O agricultor lá pensa que já tem almoço, mete-os num saco que fecha e deixa sozinho durante uns minutos. Tempo suficiente para os coelhos se escapulirem, encherem o saco de coisas podres e ficar a ver a reação da mulher do senhor Gregório quanto abre o saco… Mais uma vez parece não haver nada que valha a pena ler aqui. Ou não sei, eu não vejo nada que valha a pena.

 

  Por fim temos “A História do Esquilo Trinca-Nozes” que tem até o seu quê de macabro. O trinca-nozes é..é um otário…que vai ser castigado. Portanto junto da casa dos esquilos fica um lago, no centro do qual há uma pequena ilha onde vive uma coruja, e nessa ilha há uma série de nogueiras. Para não serem comidos pela coruja, os esquilos levam-lhe sempre comida, e em troca ela deixa-os apanhar nozes. Mas o trinca-nozes nunca lhe leva nada, só goza e faz pouco dela. Nem sequer na recolha de alimento participa. Como castigo, a certa altura a coruja já farta dele apanha-o, supostamente para o comer. Ele lá consegue fugir, as fica sem cauda. Aliás, é assim que o livro começa: “Esta é a história de uma cauda”.

 

  Não é que os livros tenham de ter uma moral, aliás, isso na maior dos casos só prejudica uma história, mas estas pelo menos podiam ter nexo. Especialmente a da Senhora Rata Migalha…é que não tem ponta por onde se lhe pegue. Já a do Trinca-Nozes parece apenas um castigo absurdo. Como disse no início, acho que o mais bonito destes livros são os desenhos de Beatrix Potter. Abaixo deixo o exemplo talvez do meu favorito destes três livros: os esquilos a irem para a ilha, em jangadas de pauzinhos e com as caudas a servir de velas.

  Talvez estes contos façam parte de uma imagem maior, até porque os livros assemelham-se a pequenos episódios e muitas das personagens parecem aparecer com alguma frequência, e daí eu não estar a ver o sentido de nada disto. Eu sei é que achei, por exemplo, Os Contos de Beedle O Bardo, da JK Rowling um livro excecional. E são contos infantis que fazem parte de um universo ficcional criado pela escritora.

Germaine Acremant - As Solteironas dos Chapéus Verdes

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  Este livro remete-nos para algures no século 19 (presumo eu…), altura em que se começam a ver mais carros pelas ruas de França, e onde uma mulher solteira era, aparentemente, bastante mal vista. Ou melhor, o próprio livro passa bastante essa ideia, de que a “verdadeira vida”, para uma mulher, começa apenas após casar-se.

 

  A autora faz uma coisa bem, e muito bem, da qual eu gostei bastante, que é ridicularizar a banalidade de vários gestos e costumes tolos, focando-se bastante nos mais pequenos movimentos, ações, palavras e descuidos. Mas vamos primeiro vamos à história em si. A personagem principal é Arlete, uma jovem proveniente de uma família rica que perde todo o seu dinheiro, o que leva o pai a suicidar-se e o irmão a ir trabalhar para outro país. Ela quer ir com ele, mas basicamente não pode por ser mulher, e acaba por sair de Paris, onde vivia, para ir morar para uma terriola pequena com quatro tias solteiras, as tais “Solteironas dos chapéus verdes”. As quatro são descritas como… ridículas, por vezes pelo simples facto de não estarem casadas, mas principalmente pelos seus costumes. Vivem de forma bastante recatada, de hábitos e rotinas rígidas, são bastante religiosas, indo todos os dias à missa, muito senhoras de si, más-línguas, um pouco orgulhosas e presunçosas, torcendo o nariz a tudo o que seja “modernice” ou espalhafatoso.

 

  Parece fazer-se pouco destas quatro mulheres pelo simples facto de estarem solteiras, como se isso fosse algo mau em si, e chega-se até a tentar justificar, ainda que muito levemente, o porquê disso. Com o passar do tempo vamos conhecendo-as melhor e a própria Arlete se vai habituando a elas aos poucos, mas a verdade é que de uma forma ou de outra, sem dependerem de mais ninguém, neste caso de um homem visto isto se focar tanto no casamento, são independentes. Em todo o livro há duas situações apenas (que eu tenha apanhado) onde se dá a entender que elas são costureiras, penso eu, mas nunca nos é dito diretamente, no meio de todos os hábitos que são passados por ridículos, como elas ganham a vida, mas é certo que não se dão nada mal, tendo até dinheiro para ter uma empregada permanentemente em casa. É outra coisa que me irrita um pouco, e que já mencionei algumas vezes por este blogue: não se falar de dinheiro. As pessoas simplesmente ou são ricas ou pobres, e seja qual for o caso muito raramente se explica de onde o sustento provém, e mais raramente ainda isso é algo central numa história, tirando às vezes para criar conflitos vindos do nada. Há apenas uma minoria de escritores que o faz bem. Mas enfim, só essa questão dava para um post bem grande.

 

  Vindo a protagonista da capital para a província para viver com gente recatada e sossegada, há aqui bastante atrito e ela tem alguma dificuldade em adaptar-se a uma vida mais calma. Tanto quanto nos é dito nunca ninguém a põe a trabalhar seja no que for, o que mais uma vez acumula à falta de justificação do sustento daquela casa. A protagonista começa então a fazer de casamenteira pois descobre que uma das tias esteve no passado interessada por um professor que ali vive perto. Arlete conhece também um jovem bem rico, com castelos e tudo, por quem se apaixona após duas pequenas conversas (como acontece sempre neste tipo de livros) e com quem no fim acaba por casar depois de umas quantas confusões, trocas e baldrocas, e é assim que acaba o livro…o que é importante pois o maior medo dela, no que toca a viver com as tias, era que a “solteirice” se pegasse.

 

  Enfim, a independência feminina no livro parece ser algo a que se torce o nariz. A vida a sério, como disse acima, só começa a ser vivida, e isto é-nos dito diretamente pela mais velha das “solteironas”, após o casamento. Eu não sei mas este tipo de histórias choca sempre comigo em vários, vários sentidos. No entanto quero terminar o post na que é sem dúvida a melhor parte, a que torna “As Solteironas dos Chapéus Verdes” algo que vale a pena ler: a quantidade de comédia que Germaine Acremant consegue criar em situações banais. Vou deixar um dos exemplos de que mais gostei: Lá para o fim do livro as solteironas são visitadas pelo senhorio, bastante rico e cujo filho é quem vai acabar por casar com Arlete. Estando elas na sala, quando ouvem a campainha sobem as escadas a correr e vão para os seus quartos. Isto porque fica mal às senhoras da casa abrir a porta ao visitante. Não: dizem as regras que deve ser a empregada a abrir a porta, a anunciá-lo, e a chamá-las de longe para o virem receber. Mas quando esta abre a porta apenas diz ao homem algo como “não sei onde elas se meteram, mesmo agora aqui estavam”.

Tomb Raider em retrospectiva

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  Devia eu estar no segundo ciclo quando, certa vez, ao entrar na sala de informática da escola, vi uma data de miúdos em vários PCs a jogar algo que nunca antes tinha visto. Era uma rapariga que andava num barco, supostamente em Veneza, nadava pelo rio, matava outros tipos e andava aos saltos pela cidade, pelas casas, por janelas e telhados... Tanto quanto me consigo lembrar não sei se alguma vez passaram esse nível ou se simplesmente andavam de barco de um lado para o outro que nem idiotas durante tempo suficiente para se fartarem e voltarem ao Elifoot, mas o pouco que vi do jogo ficou-me na memória durante bastante tempo, até porque habituado a coisas como Sonic, nunca tinha sequer imaginado um jogo tão realista quanto aquele.

 

  Esse jogo, claro está, era Tomb Raider, neste caso o segundo. Demorou ainda alguns anos até eu ter pc onde sequer pudesse jogar, mas de uma forma ou de outra, posso dizer que joguei grande parte dos Tomb Raider. Não seguidos e não os acabei a todos, mas tenho muitas horas disto. Há algo que me agrada neles, especialmente nos primeiros que, confesso, até me assustavam bastante quando era mais novo, e jogando-os, o que antes de qualquer outro aspeto me cativou neles foi uma certa sensação de solidão e isolamento, muito difícil de encontrar em quaisquer outros jogos, sendo a única comparação que consigo fazer talvez com os primeiros Resident Evil, e não é lá grande comparação.

 

  1996 foi um ano grande para os jogos, tendo sido lançados alguns dos que mais impulsionaram esta coisa das três dimensões. Não só Tomb Raider, mas Quake, Super Mario 64 e o também já mencionado Resident Evil (entre outros). Os primeiros 5 Tomb Raiders foram lançados com um ano de diferença uns dos outros e, no que toca a consolas, maioritariamente em exclusivo para a Playstation1. Basta ver que os primeiros 4 estão na lista dos 20 mais vendidos para a consola para perceber a importância e a fama que tiveram.

 

  Tomb Raider fez o seu nome juntando três coisas como possivelmente nenhum outro jogo tinha feito até então: exploração, plataformas e…tiros, muitos tiros, que são para mim a mais fraca parte mas ei! A nível de gráficos, no início era tudo baseado em blocos/cubos, inclusive o movimento da personagem; por exemplo, com um salto para a frente avançam-se dois blocos, se for um salto a correr conseguem-se avançar três. Esta precisão levava a que se morresse inúmeras vezes para se conseguir fazer um salto. O jogo vai avançando através de sucessivos cenários/salas, onde há quebra-cabeças para resolver. Consiste maioritariamente em explorar um sítio para descobrir algum(ns) objeto(s) ou alguma(s) alavanca que depois vai abrir uma nova porta ou uma nova sala enquanto possivelmente se matam alguns adversários. Para mim este design e esta mistura era, e continua a ser, perfeita. Joguei algumas coisas no meu tempo, mas se me questionarem quais os meus jogos favoritos, possivelmente continuariam a ser estes. E quero também falar nas excelentes bandas sonoras. Durante a maior parte do tempo apenas se ouvem sons ambientais, que realçam a tal já mencionada e única sensação de solidão de Tomb Raider, mas volta e meia, em transições ou como antecipação para cenas ou passagens importantes, entram as músicas que fazem parte da banda sonora do jogo…e se não é uma das melhores de todos os tempos, não sei. No fim deste post deixo exemplos.

 

  Há medida que os jogos se foram sucedendo, os que saíam nunca batiam as vendas do anterior e desde o primeiro, durante uns quantos anos, os jogos foram perdendo alguma popularidade. A série também foi bastante criticada por repetir sempre os mesmos elementos e a mesma jogabilidade. Eram feitos leves avanços entre as sequelas mas não suficientes para agradar, nesse sentido, ao público e aos críticos, mas afinal não é fácil lançar um jogo novo todos os anos e ainda alterar grandemente a fórmula do mesmo. Até que em 2003 saiu “Angel of Darkness”, incompleto como tudo. Confesso que até adoro gosto bastante do jogo, mas credo, há vários elementos, animações defeituosas, bugs, mecânicas e até localizações inteiras que não foram acabadas devido a pressões para lançar o já atrasado jogo há bastante tempo. Ou pelo menos eu gosto de pensar que a pressão para lançar o jogo o quanto antes foi a razão de tanto defeito. Talvez a equipa se tenha lançado em algo demasiado ambicioso e não havia nem tempo nem recursos para tal. Isso resultou naquele que é considerado, possivelmente, o pior da série, não só em jogabilidade como em vendas, fazendo com que a empresa Core Design, que até então tinha feito todos os jogos, perdesse os direitos da série. A partir de 2003 os mesmos passaram para a Crystal Dynamics que, em 2008, não esquecendo as bases e querendo fazer dinheiro com antigos fãs, lançou “Tomb Raider Anniversary”, um remake do primeiro jogo de 1996, remake esse que é talvez o meu favorito de toda a série, misturando os avanços e mecânicas dos anos 2000 com o design de níveis dos primeiros. Com a Crystal Dynamics nota-se uma grande evolução (para o bem e para o mal), especialmente após o segundo “reboot” em 2013, mas não só. Foram também feitos vários spin-offs como o excelente “Lara Croft and the Guardian of Light” que desde já recomendo a toda a gente, assim como a sua sequela.

 

  Enfim, muitas alterações certamente houve desde 96 e agora pode-se dizer que não se morre 20 vezes estupidamente tentando um salto impossível. Também foram lançados vários jogos para para gameboy e até smartphones/tablets, destacando-se aqui o pequeno, mas excelente Lara Croft Go que nada tem a ver com Tomb Raider mas que é um jogo de puzzles muito bom.

 

  No entanto a Lara Croft não se limita a consolas, pcs e afins: não. No que toca a franchises criados a partir de jogos, é difícil bater Tomb Raider com a sua (talvez) demasiadamente sexualizada protagonista até a ser capa de revistas e a participar em várias publicidades, incluindo barras energéticas - só para verem a fama da moça. Há também uns quantos romances que eu gostaria imenso de ler, mas que são dificílimos de encontrar, várias bandas desenhadas e claro, até à data, três filmes. Aliás, há de haver gente que só conhece Tomb Raider através dos filmes. Lara foi Inicialmente interpretada por Angelina Jolie no início dos 2000, e em 2018 por Alicia Vikander. Vi o último filme recentemente no cinema e até me surpreendeu, mas…os três filmes ficam para um próximo post. Por agora fiquem com duas das músicas das bandas sonoras:

Zombies e Walking Dead (A Estrada de Woodbury - Robert Kirkman e Jay Bonansinga)

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  Quem acompanhe a série de televisão ou leia as bandas desenhadas certamente se lembra do “Governador”, Philip Blake, e certamente se lembrará também da sua cidade, Woodbury. Enquanto na série, inicialmente, Woodbury nos é mostrado como uma espécie de utopia com umas quantas particularidades não muito bonitas, nas bandas desenhadas é podre desde o início. E é essa a Woodbury que aqui vemos. Mas só lá se chega já depois da centésima página.

 

  É possível que quem siga a série e não saiba da existência deste livro fique contente, mas ficará mais ainda em saber que é o segundo de uma série que segue a história desta cidade. Mas mesmo que não sigam ou não saibam absolutamente nada de Walking Dead, não há problema pois seguimos aqui personagens diferentes com uma nova história; nem sendo este o segundo livro, precisam ler o primeiro.

 

  Confesso que até gosto e sigo a série. Esta ideia dos zombies, por mais tola que seja e mesmo não fazendo sentido nenhum, já tem dado pano para mangas e não faltam para aí histórias envolvendo um futuro onde algo acontece e os mortos começam a andar e a comer pessoas. Por vezes apenas cérebros de pessoas, o que é tipo…a cereja no topo do bolo da tolice, mas ei, não é como se não se pudessem criar histórias e personagens interessantes sob uma premissa tola. Premissas tolas não faltam por aí. E só faço questão de o dizer porque já houve tanta história disto que aparentemente há uma certa “má” reputação aqui. Mas desde o filme “Night Of the Living Dead” que saiu em 1968 relizado por George Romero, tido como o filme que popularizou em massa a própria ideia dos zombies, já foram feitas muitas histórias até decentes pegando neste tópico. E assim se chega ao livro “A Estrada de Woodbury”.

 

  Passa-se em Atlanta – nos arredores de - e seguimos principalmente Lily, uma jovem inicialmente meio medricas que se vai escondendo atrás destes ou daqueles. No começo as personagens estão num grande acampamento com mais de uma centena de pessoas onde há até uma tenda gigante de circo. Sendo Walking Dead lá acontece merda, lá Lily e o seu grupo se vão embora e depois de alguns meses e muitas peripécias, lá acabam por chegar a Woodbury, uma pequena cidade com uma muralha à volta, que está a ser expandida, e onde vivem cerca de cinquenta pessoas, das quais apenas doze são mulheres e apenas quatro dessas não são idosas – e se isto não é uma receita para o desastre…

 

  Há duas coisas que me incomodaram bastante neste livro: Em primeiro lugar, há uma personagem que trata Lily sempre como “boneca” ou “querida”, ou ainda, “pequena”, mas principalmente “boneca”. E essa palavra é repetida muitas, muitas vezes. Antes de mais quem é que vai tratar sempre alguém por “boneca”? Não sei…se calhar até é comum, mas não deixa de me incomodar. A segunda coisa é a seguinte: a certa altura estabelece-se que as personagens em Woodbury trabalham em troca de comida e outros bens, e a certa altura deixa-se de trabalhar… e nunca mais ninguém refere de onde provem a subsistência da personagem principal. Eu sei que em ficção por norma dinheiro nunca falta e vai-se dar a volta ao mundo com cinco tostões se for preciso, mas se o autor faz questão de estabelecer que, dia após dia, é assim que as personagens vivem e é assim que arranjam bens de consumo, havendo aqui uma quebra se calhar era melhor explicar também o que acontece depois. Uma frase ou duas bastaria. Não sei. Curiosamente também nunca mais mencionam especificamente (ou se o fazem eu não apanhei) a passagem do tempo e quem quiser defender o livro pode dizer que a partir dai toda a história se passa no máximo em dois ou três dias, mas lendo o livro tal também não faz sentido.

 

  Resumindo, não é o melhor livro de todos os tempos mas não é de todo um mau livro, e recomendo-o não só a, mas a todos os que gostem destes temas. É curioso como isto dos zombies se assemelha a “settings” de guerra, sendo um bom ambiente para colocar personagens em situações extremas, levando-as a extremos. E podem crer que aqui isso acontece!

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