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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sobre eutanásia

  Pessoas com cartazes a dizer “não matem os velhinhos”? “Quero viver!”? “Deus deu-me a vida, só ele sabe quando ma tirará!”? Ou, pior ainda, como vi aqui nos blogues ontem, “Eutanásia = Nazismo”? É que este último é ridículo, seja-se contra ou a favor à despenalização da eutanásia.

 

  Ninguém aqui está a falar de matar velhinhos. Na notícia que está agora na página principal do sapo diz-se o seguinte: “Todos os diplomas previam que só podem pedir, através de um médico, a morte medicamente assistida pessoas maiores de 18 anos, sem problemas ou doenças mentais, em situação de sofrimento e com doença incurável, sendo necessário confirmar várias vezes essa vontade.”.

 

  Isto não é algo complicado, nem algo que deva confundir as cabeças dos outros. São condições bem específicas para se ser “elegível”. E isto, publicado numa notícia, provavelmente é só um resumo. E amigos que dizem que “querem viver”: é uma escolha pessoal, não é por estarem doentes que vos vão matar no hospital. Entre as pessoas não perceberem sequer aquilo que está a ser debatido e ideias religiosa que talvez pouco tenham a ver com religião, lá se está a negar este direito a quem precisa dele. Negar-se vá...às vezes. Se uma pessoa pedir com jeitinho, muitos médicos fazem-no, arriscando-se a variadas represálias só por sentirem compaixão dos outros, porque de uma maneira ou de outra, é uma prática relativamente comum em hospitais.

 

  É engraçado é como se levam animais ao veterinário para serem “eutanasiados”. Aqueles que são contra a despenalização, nesta situação simplesmente…o quê? Estão fartos de pagar pelo tratamento do bicho? Ou voltamos à ideia religiosa de que os animais estão cá para nos servir e somos superiores a eles? Ou talvez seja uma ideia mais racional, em que se diga que os seres humanos são superiores, pensam e sentem de uma forma diferente dos animais, e como tal o sofrimento de um humano vale menos. Acabamos com o sofrimento de um animal, mas não com o de um humano, só porque alguns, como mais-ou-menos alguém aqui nos blogues também disse, “querem ser donos dos nossos corpos moribundos”.

 

  Mais uma vez, não se trata de suicídio, nem de os outros mandarem na nossa vida ou na nossa morte. As condições estão bem explícitas ali em cima, no parágrafo em itálico. Não é algo que dependa das circunstâncias: elas já foram claramente definidas. Mas enfim, por agora está decidido e, como aparentemente disse o Bruno Nogueira: “Nada como esperar em sofrimento e dor, a definhar e a agonizar numa cama, a cuspir sangue e a respirar entre tubos e máquinas, que quando tiver agenda deus logo nos chama para junto dele. Ou o Homem-Aranha. Ou qualquer outro super-herói que conheçam e que apreciem particularmente.”

Breves considerações infundadas sobre identidade de género

  Vamos lá então dar uma opinião pessoal e irrelevante sobre um assunto que para mim pouco interessa, mas do qual, pelo que vejo pela internet, tem-se feito grande alarido. Digo pela internet porque pessoalmente nunca ouvi ninguém falar sobre isto.

 

  O primeiro contacto que tive com este tema foi já há alguns meses, através de uma notícia (não sei se era esta, mas serve) que partilharam comigo, em que se dizia que o facebook dos EUA permitia escolher de entre mais de 50 géneros diferentes. A ideia de “género” aqui é que, em vez de a palavra ser utilizada como um qualitativo para definir o sexo de um indivíduo, é utilizada para definir onde esse indivíduo se encaixa naquilo que são os papéis sociais de cada sexo no seu tempo e na sua cultura…ou seja, o significado da palavra foi alterado, o que é um bocado à 1984 mas eh…enfim. Essa alteração aparentemente foi feita já há umas boas décadas por uns quantos sociólogos que devem ter achado redundante haver basicamente duas palavras para definir o sexo biológico e associaram então “género” ao quão masculino, ou feminino, um indivíduo é, tendo em consideração a cultura em que se insere. Basicamente em vez de algo preto ou branco, ou nenhum, ou os dois ao mesmo tempo (porque a biologia é marada e não nos podemos esquecer dos hermafroditas), o género é visto como um espectro, uma linha, onde numa ponta está aquilo que é tido como cem por cento “masculino”, e noutra o que é tido como cem por cento “feminino”. Assim, uma mulher, só por ser mulher, começa na ponta do “feminino” e escolhe um ponto na linha onde se possa inserir, de acordo com os preconceitos existentes, podendo, assim, identificar-se mais com os estereótipos masculinos que femininos.

 

  Em português pode haver alguma confusão quando falo em mudar o significado às coisas, porque a palavra “género” é uma palavra bastante abrangente que basicamente serve para agrupar conjuntos do que quer que seja. No entanto em língua inglesa há uma palavra específica usada para qualificar coisas quanto ao sexo (ou pelo menos assim era): “Gender”. No entanto, mesmo em língua portuguesa, sendo a palavra abrangente como é, o mesmo aplicava-se: se um ser humano se define em relação ao sexo como “homem”, define-se em relação ao género como “masculino” e ponto final. Prós em linguística como somos, arranjámos uma solução com bem mais classe que a inglesa, de alterar o significado de palavras. Criou-se uma expressão: “Identidade de género”. É importante perceber essa diferenciação porque, isto em língua portuguesa, pelas pequenas pesquisas que fiz, confunde-se o "género" em si, com a "identidade de género", que trata da forma como se experienciam os estereótipos associados aos sexos.

 

  Não faço ideia se o facebook português já fez essa alteração, mas basta uma pequena passagem de olhos pelo artigo acima referido para verificar o ridículo ao que a situação rapidamente chegou. Em vez de se falar de género como algo mais ou menos identificável, confunde-se isto tudo e tratam-se estes conceitos como “novos géneros”, que não verdade não o são, e com os quais as pessoas se devem definir a elas mesmas no seu perfil e, por extensão, na sua vida. Tratando esta definição de género dos estereótipos e preconceitos associados a homens e a mulheres, esta escolha de género do facebook é como um ridículo preconceito que vamos atribuir a nós mesmos. Ou seja, transformando aquilo a que se poderia, estereotipa e preconceituosamente chamar a “experiência de género” num “género”, um homem que esteja a costurar deixa de pertencer ao género “masculino” e passa a pertencer ao género “feminino”. Ou melhor, passa a ser algo entre um e outro, e basicamente podem ir à tal lista de géneros do facebook e escolher à vontade. Esta abordagem só serve para reforçar e vincar ainda mais todo e qualquer tipo de preconceito que aqui possa existir, em vez de os tentar combater, que deveria ser o objetivo.

 

  Aqui o cerne da questão é que as pessoas não se deveriam definir desta forma, e na verdade não se definem desta forma. Isto porque esta abordagem, que tem vindo a ganhar cada vez mais destaque, não interessa para nada no dia-a-dia. Não é importante perceber qual a “identidade de género" de alguém. Esta trapalhada dos géneros é importante apenas no âmbito em que foi criada: para estudar os papéis sociais dos sexos. Tirada do âmbito da sociologia (e talvez psicologia?) e dos estudos a que pertence, como a maior parte das coisas quando tiradas do contexto, perde qualquer sentido ou significado, o que neste caso se torna mesmo preocupante.

 

  Mas vamos olhar para a lista do facebook para ver o que lá há. Bigenero: pode apresentar-se tanto como homem ou mulher. Cisgénero: Vive de acordo com o seu sexo biológico. Se uma mulher faz desporto ou corta o cabelo curto aparentemente já não é isto porque tem que estar em casa a costurar e a cozinhar o dia todo. Genderqueer: Fora do sistema dos dois géneros. Nem sei o que isso seria (uma caixa de cartão, talvez?). Não-binário: desprezam a dicotomia entre “homem” e “mulher”. Basicamente dizer que esta questão de género não interessa é, em si, um género. Transgénero: Identifica-se apenas com o género oposto ao seu sexo. Transexual: Quem alterou o seu sexo.

 

  Ei! Ei! Esperem! Algo ali está errado! Se a identidade de género tem a ver com os papéis sociais e culturais de homens e mulheres, como é que transexual pode ser um género? Há muitas confusões e contradições neste assunto. A principal é confundir-se o que é cultural e o que é biológico. E, neste caso em específico da transexualidade parece-me alarmante a quantidade de informação contrária que se encontra.

 

  Presumo que hoje em dia para se mudar de sexo baste basicamente querer e ter dinheiro. No entanto, o que abriu as mentes mais conservadoras à liberdade para agora se poder fazê-lo, foi o facto de biológica e hormonalmente haver homens que são mulheres e vice-versa. Isso não é um estereótipo, não é preconceito, não é cultural: é físico. Porque a criação de um ser é algo complexo que por vezes corre bem, por vezes corre mal, por vezes não se percebe como correu. E foi o facto de haver mulheres que são biologicamente homens (e vice-versa mais uma vez) que sequer permitiu que em larga escala a possibilidade da mudança de sexo. E isso para agora ser confundido com “género”. A liberdade do ser humano, não apenas neste assunto mas no geral, é algo muito frágil, e erros destes, se generalizados, podem vir a ter repercussões bem negativas no futuro.

 

  É óbvio que uma escolha de género no facebook não é grande base para coisa alguma, e grande parte destes “géneros” não passa de anedotas propositadas, mas penso que através delas se pode ver os buracos deste conceito quanto retirado do âmbito de estudo em que foi criado e onde pertence e é importante. Ainda para mais tendo em conta que é aqui que a maioria de nós - presumo eu - vem ter conhecimento deste assunto. Uma pessoa que goste de caçar e que subitamente ganhe gosto também pela cozinha não passa a pertencer a uma categoria de pessoas diferente, apesar de estupidamente parecer ser essa a mensagem. Mais uma vez porque o conceito foi retirado do âmbito a que pertence. Tentem aplicar esta lógica a qualquer outra coisa e é fácil compreender o ridículo a que se chega.

 

  A identidade de género não é um “problema” ou uma “questão” que tenha de ser identificada e seguida de perto. Não é algo importante de se localizar e descobrir desde cedo. É algo que retirado do contexto, como eu vejo sempre, só serve para manter, talvez até aumentar e até criar novos estereótipos e preconceitos. Na minha vida já conheci umas quantas “marias-rapazes” que não gostavam de ser assim conhecidas ou tratadas. Como é óbvio há gente para tudo, e cada um se identifica como e com o que quiser. Não vale é a pena pegar em preconceitos já existentes e simplesmente enfiá-los num saco de plástico novo, com uma cor diferente. Metam é os sacos na reciclagem onde pertencem e ensinem apenas uma coisa, que é o mais importante: que todos somos humanos, que para todos a vida é uma grande merda, e como tal todos merecemos talvez alguma consideração e respeito. Porque afinal jamais um preconceito deixou de o ser dando-se relevo e importância ao que nos torna diferentes, mas sim ao que nos torna iguais.

Pierre Loti - Madame Chrisanthème

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  Pierre Loti foi um oficial de alta patente da marinha francesa que, em 1885, passou cerca de dois meses e meio, entre Julho e Setembro, em Nagasaki, no Japão. Este livro, supostamente autobiográfico, relata os acontecimentos durante esse tempo.

 

  Começa com a sua chegada a Nagasaki. O que ele vai lá fazer ao certo, infelizmente nunca nos é dito, mas entende-se que a estadia no Japão faz parte do trabalho dele com a marinha. O que nos é dito, no entanto, é que ele tinha um sonho: casar com uma japonesa. Grande tara tinha este homem por quimonos no geral; por caras de olhos em bico e pele amarelada também.

 

  Pouco depois de chegar, o narrador vai ter com um homem que faz as vezes de vendedor de mulheres e, após lhe ter sido apresentada uma rapariga que, se bem me recordo deveria ter os seus 12 anos, deixando-o chocado por ser tão nova, o narrador acaba por escolher a irmã mais velha. Assim alugou ele uma mulher japonesa por vinte piastras por mês, seja lá isso quanto for. O “aluguer” de mulheres e a prostituição é algo bem batido no livro. Uma grande parte dos oficiais franceses que ali pára aluga mulheres com bastante facilidade, para depois se separarem delas (aparentemente fazia-se mesmo uma espécie de casamento e divórcio, assinavam-se papéis e tudo, qual contrato), para além de nos serem dados a conhecer casos de prostituição mais normal, que fora parte do negócio, há muitos anos atrás, dos que viriam a ser os senhorios do narrador. Tudo isso é descrito com bastante naturalidade e o mais politicamente correto possível, evitando praticamente sempre ferir suscetibilidades.

 

  O livro está escrito como um diário. Devo dizer que nunca gostei de livros escritos na primeira pessoa, mas este é capaz de me ter convertido. O narrador passa bastante bem os seus sentimentos para o papel, nomeada e especialmente o afastamento que sente em relação àquela cultura, o que é normal porque afinal não é a dele. Eu não sei explicar como ele o faz mas muitas vezes dá uma certa sensação de vazio como no filme “Lost in Translation” – que acidentalmente também se desenrola no Japão.

 

  No início do livro, numa nota do autor (aliás, uma carta a uma duquesa qualquer), o mesmo refere que “…as três principais personagens são: eu, o Japão, e o efeito que esse país produziu em mim” e isso é bem notório ao longo de todo o livro. O narrador desenvolve uma espécie de relação de amor-ódio (e tudo o que há entre os dois) para com o país. Tanto adora o cenário, as cores, os sons das guitarras japonesas, como não suporta nada disso. No entanto, na maioria dos casos e em grande parte do tempo, tudo lhe é indiferente, incluindo a própria mulher alugada, Crisântemo. Mas é das pessoas que ele menos parece gostar, notando toda a pequenez e hipocrisia desse povo que, em todo o caso, ou apenas para ele visto ser rico e estrangeiro, parece estar sempre a sorrir.

 

  Outra coisa que salta à vista é o quão turística Nagasaki é em 1885. Não só pelo negócio de jovens alugadas, que parece ser o sustendo de muitas famílias, mas também pelos restaurantes, pelas festas que decorrem à noite e até pelas pessoas que transportam os ricos. Parece que todos os empregos, todo o comércio local se centra em volta do turismo - ou, pelo menos, na satisfação da prazeres caros. Mas verdade é que, tratando-se Pierre Loti de um homem rico e estrangeiro, também não seria de esperar ver dali outra realidade.

 

  Enfim, assim nos são descritas paisagens (juro: nunca tive tanta vontade de viajar ao ler um livro), a cidade cheias de cores, objetos repletos das mais pequenas e detalhadas representações – especialmente pássaros por alguma razão, roupas estranhas também bastante coloridas, cerimónias e festas religiosas onde os locais colocam máscaras de animais, muitas, muitas lanternas de papel levadas na ponta de paus para alumiar o caminho, a arquitetura, os interiores das casas, brancas limpas e vazias, a gastronomia repleta de pratos e iguarias agri-doces, talvez demasiado açucaradas, uma indústria de papel que parece bem desenvolvida para o tempo e, por fim, como não podia deixar de ser e não será grande novidade para quem já tenha visto desenhos animados japoneses, o som de fundo constante do canto das cigarras que nunca acaba.

 

  No final da estadia, Pierre Loti tirou uma foto onde se pode ver ele mesmo, com o seu bigode, Yves, mais alto, o seu melhor amigo, e Crisântemo, sentada numa cadeira, com os pés virados para dentro seguindo as normas de beleza japonesa. Aqui está essa foto:

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Despacha-te e espera

  …parece ser o lema em Portugal. Nunca foi famoso pela pontualidade e não sei como é em outros sítios, mas verdade seja dita que a falta de pontualidade me irrita bastante. Irrita, isto é, quando é por partes dos outros, porque eu não sou, nem de perto nem de longe, a pessoa mais pontual do mundo. Deixo-me dormir, faço mal as contas ao tempo, esqueço-me dos compromissos, atraso-me por isto, por aquilo, pelo outro: é a areia das gatas que tem de ser limpa, é a barba que tem de ser cortada, é alguma louça que está por lavar, é o computador que reclama demasiada atenção, são os sapatos que não aparecem, é a cabeça que se esquece onde pôs as chaves, mesmo tendo estado elas nas mãos há dois minutos. E tudo isso ao mesmo tempo e exatamente na altura em que se tem de sair de casa.

 

  Quando se trata de algo combinado entre conhecidos, apesar de aborrecidos, os atrasos por vezes até são aceitáveis. Mas é incompreensível quando se trata de algo profissional. “Olha, vem à entrevista às 11 em ponto”. Chega-se lá e, depois de uma hora à espera, aparece o entrevistador nas calmas com outra pessoa a falar e a rir, café numa mão, cigarro na outra e diz “é só mais dez minutos”. É a consulta marcada no dentista onde, se chegamos nós atrasados cinco minutos são capazes de se sair logo com um “não era àquela hora?!”, mas independentemente da hora a que se chega tem de se esperar meia hora, pelo menos, até sermos atendidos. E nem para fazer dinheiro as pessoas se despacham, como aquele vendedor do anúncio do olx, que combina às 7 da tarde, um pouco depois do trabalho para dar tempo para sabe lá deus o quê, e só aparece às 7:30 a caminhar vagarosamente e diz "era para lhe ter mandado uma mensagem mas...". Mas, mas , mas. Há mas, há meio-mas, há terços, quartos e quintos de mas. Mas é a palavra de ordem para justificar falta de pontualidade.

 

  Enfim, é assim pelo menos Portugal: despachem-se a chegar onde têm de chegar e preparem-se para esperar bastante quando lá chegarem.

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