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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Mamma Mia! Here we go again!

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   Foi há muitos anos que vi o primeiro Mamma Mia e, apesar de não me lembrar de quase nada, sei que não gostei muito. Oiço muita gente dizer não aos musicais, sejam eles quais forem. Eu cá acho que muitas vezes têm um quê de foleiro, mas é tolo dizer que não se gosta de nada do género, e para todos os efeitos eu não vi suficientes para sequer saber se, no geral, sim ou soupas.

 

  Assim sendo, fui arrastado para o cinema ver Mamma Mia! Here we go again, e fiquei positivamente surpreendido. É daqueles filmes que aquecem o coração e que deixam a tal lágrima, quer no canto do olho quer possivelmente a escorrer cara abaixo. Todo o filme tem uma certa aura de tristeza indefinível que me cativou bastante, uma certa sensação de tristeza e vazio bastante rara em filmes… o único exemplo que me vem à cabeça é um filme francês chamado Je vais bien, ne t’en fais pas, que absolutamente nada tem a ver com musicais. A personagem principal do primeiro filme morreu e conta-se a história de como ela chegou à Grécia e de como conheceu os três homens que aparecem no primeiro filme e retornam no segundo, etc etc etc. Todas as personagens parecem ter o seu quê de trágico, a tal leve tristeza, e as próprias músicas dos Abba são aqui cantadas com menor alegria que as originais. Recomendo!

Graham Greene - O Mundo dos Ricos

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  Traduzido à letra o título seria algo como “O Doutor Fischer de Gevena ou A Festa da Bomba”. Bem melhor, tendo em conta o que aqui se passa, do que este que foi dado na nossa língua. Não sei quem se lembrou de “O mundo dos ricos”, e especialmente não sei quem acrescentou na capa “A ambição de ricos e o orgulho de pobres”, pois dá uma imagem bem errada do livro… apesar de tocar nisso mas… simplesmente é um mau título.

 

  Este pequeno livro, que se pode ler por inteiro numa tarde, conta a história de um homem de meia-idade que se apaixona e casa com uma mulher jovem, o que não dura muito pois ela morre pouco depois num acidente. Mas isso não interessa para nada, interessa é o doutor Fischer do título original. É o sogro da personagem principal, e logo desde o início é mostrado como uma personagem bem excêntrica, fria, desapaixonada, quase maléfica, que tem a particularidade de ser anfitrião de umas festas bem ridículas. Se a nossa personagem principal representa os supostos “pobres”, apesar de pouco ter de orgulhoso, o doutor Fischer – e por extensão o pequeno grupo de pessoas que ele convida para as suas “festas” – representam os ricos, se bem que ambição também pouca é mostrada, já ganância... Pois bem, o doutor Fischer, milionário diga-se de passagem, convida então esse pequeno grupo de pessoas, todas elas no mínimo riquíssimas, para jantares onde são ridicularizadas ao máximo. Se passarem as provações, no fim, recebem presentes caríssimos como relógios de ouro, colares de pérolas, etc. Diz o anfitrião que apenas quer testar até onde vai a ganância deles, dizendo também que quem provenha de meios mais humildes não percebe o porquê dos convidados se rebaixarem tanto para receberem esses presentes caríssimos, que eles próprios poderiam muito bem comprar.

 

  Do que já li de Graham Greene, este foi sem dúvida o que menos gostei. Não sei, achei tudo  meio ridículo, muito tolo. O doutor Fischer chega mesmo a compará-los diretamente com porcos durante estes peculiares jantares e nenhum deles tem a mais pequena reação. Isso e muitas outras coisas para mim pareceram não fazer qualquer sentido. Felizmente as últimas duas ou três páginas até compensam mas...

 

  Para quem esteja interessado há também um filme que por agora está completo no youtube, se bem que não com grande qualidade, ainda para mais sendo um filme relativamente antigo. Não o vi, nem tenciono ver, não é o meu tipo de filme e parece um tanto aborrecido. No entanto, saltando rapidamente pela hora e trinta e sete que dura, parece representar o livro quase parágrafo a parágrafo, havendo conversas inteiras citadas diretamente de lá. Aqui fica:

José Saramago - A Jangada de Pedra

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  Já tive mais paciência para ler Saramago. Ou talvez este livro não me tenha cativado como outros. Ou, o mais certo, uma mistura entre as duas.

 

  A premissa será provavelmente conhecida por muitos: por artes mágicas, ocultas ou desconhecidas, a península ibérica separa-se da Europa e lá vai ela, navegando pelo Atlântico fora. Seguimos então, tanto um grupo de pessoas que passam por experiências “estranhas” no começo da história e que lá acabam por se juntar, de forma bem Saramaguesga, cheia de fantasia e simultaneamente de banalidade, como um pouco da política mundial e nacional face ao fenómeno. É a tal coisa que este autor faz sempre, de mostrar a imagem grande, a política mundial, e a pequena, um grupo de pessoas que percorre a península. Depois como é normal Saramago enfia os dedos nas feridas, com a sua típica voz irónica, mostrando tanto o melhor como o pior dos humanos – focando-se quase sempre mais no pior.

 

  Mas como estava a dizer, não ando com grande paciência para ler Saramago, ou melhor, não ando com grande paciência para ler este tipo de escritores. Estes que constantemente disparam em tangentes, simbolismos (por vezes um pouco forçados como me pareceu ser o caso neste livro livro) e divagações (o mais “straight forward” dos pouco que li dele deve ser o Memorial) o que se pode tornar bastante cansativo se uma pessoa não está com cabeça para tal. Houve alturas nesta Jangada de Pedra em que tive de me obrigar a ler, alturas em que bate muito na mesma tecla, houve muitas, muitas palavras que eu deveria ter procurado no dicionário, o que não fiz porque queria apenas que isto andasse para a frente.

 

  Enfim, está longe, bem longe, de ser o melhor dele – e eu digo isso tendo lido ainda poucos e tendo adorado alguns desses. No entanto há também momentos de genialidade, pequenos gestos, pequenas passagens, por vezes dezenas de páginas de uma vez, que passam sem darmos por elas. O melhor, como em tudo o que li dele, são sem dúvida os diálogos. Em livros de José Saramago não há diálogos normais, as personagens discutem e debatem sobre significados de palavras, de expressões, de sentimentos, de uma forma bastante bela e rara em literatura.

 

  Queria aqui deixar um desses diálogos. Já foi há dias que acabei de ler o livro e não sabendo bem o que procurar, abri e folheei um pouco ao calhas. Não foi difícil encontrar um bom exemplo que, acredito, faz sentido e dá para se perceber o que quero dizer mesmo sem contexto:

 

  “Novamente a caminho, sempre para o norte, em certa altura José Anaiço disse, era a Pedro Orce que se dirigia, A continuar assim vamos entrar em Espanha, voltamos à tua terra, A minha terra é a Andaluzia, Terra e país são tudo o mesmo, Não são, podemos não conhecer o nosso país, mas conhecemos a nossa terra, Já alguma vez foste à Galiza, Nunca fui à Galiza, a Galiza é terra doutros”.

Este Verão eu vou...

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  Antes de mais, porque as regras desta tag assim o ditam, porque quero  e fica bem, agradeço à Vilã pela nomeação! Espero que consiga tornar a sua lista realidade, tirando a parte de torcer por Portugal no mundial de futebol, que essa infelizmente já era. Este desafio consiste numa lista de dez coisas (mais ou menos exequíveis) que gostaríamos fazer antes da chegada do Outono. Por fim devem-se nomear cinco pessoas para elaborar uma lista similar, a seu gosto.  A minha é a seguinte:

 

1: Caminhar bastante. Não tenho calçado novo, mas está na altura de vincar um pouco mais o bronze à camionista. Percursos pedestres e afins há por aí muitos, geralmente mal  marcados, vira uma pessoa aqui e ali e já não sabe onde anda.

2: Posto o que está acima, tentar não andar para trás e para diante nesses mesmos trilhos, que nem uma barata tonta como costuma acontecer, procurando borrões de tinta em pedras que indiquem o caminho a seguir.

3: Tocar flauta. O gosto pela música já não é o que era, mas anda uma algures aqui por casa e já está na hora de lhe dar uso.

4: Fazer e terminar uma data de posts aqui para o blog. Há uns quantos perdidos, inacabados, incompletos, deficientes, incapacitados, todos eles ao abandono em preparos vergonhosos...

5: Ler mais. No geral mesmo. A pequena pilha de livros tem aumentado nos últimos tempos e não há meio de reduzir.

6: Ir novamente à praia. Viver no fim do mundo longe da maresia não dá com nada.

7: Dormir regularmente. Pelo menos as bem-ditas sete horas, acordando sempre cedo.

8: Ao contrário da Vilã eu quero mesmo conduzir mais. Já há algum tempo não tinha carro e estava com saudades. Ganhasse eu o euro-milhões, ou prémio similar, passava uns bons tempos nisso. E já que estamos embalados com o carro em ponto morto...

9: Ganhar o euro-milhões. As probabilidades podem ser reduzidas, mas certamente são inexistentes para quem não joga, como eu. Um dia gasto os 2,5€, quem sabe?

10: Correr muitas dessas festarolas e feiras de Verão que hão-de começar por esta altura.

 

  Espero que todos estejam a ter um ótimo Verão e que consigam fazer tudo o que desejam, todos estes pontos nas vossas listas, estejam elas escritas ou apenas na cabeça. E se ótimo não for, que seja pelo menos agradável, nem sempre a vida dá para mais e tantas vezes isso basta.

  Por último fica lançar a outros o desafio. Parece-me chegar tarde aqui, muita gente respondeu já à tag e o Verão vai adiantado. Nomeio Pântano, Samantha, SarinRita e por último, apesar de ser um pouco batota, todos os que pelas artes mágicas dos blogs ou das internetes aqui venham parar!

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