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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Comida de laboratório

  Há quem diga que gostos não se discutem. Há quem diga que gostos são a única coisa que se discute. Para mim já lá vão os tempos em que os tinha bem definidos, e mais ainda, já lá vai o tempo em que tinha paciência para os discutir. Agora tudo se transforma numa espécie de mancha indefinida. Sei distinguir o que me agrada do que não me agrada e não tenho paciência para defender esta ou aquela posição.

 

  Apesar de ser um pouco idílico e tolo, porque afinal todos temos preconceitos, gosto de pensar que me identifico com a tal frase do livro do desassossego “Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem veem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado.” As pessoas parecem sempre procurar algo com que se identificar, para serem diferentes, para se imporem, para serem especiais, talvez chicos-espertos, eu lá sei… Simplesmente não há paciência para isso. Talvez seja problema meu, perdido na vida sem saber o que quero.

 

  Seja como for, já fui uma pessoa de gostos, que discutia coisas tolas e defendia ideias disto e daquilo. Nesses tempos, quando se falava de cinema, um dos realizadores que mais me agradava era Terry Gilliam. Entre outros realizou um filme chamado Brazil em que numa das sequências mostrava um grupo de pessoas a jantar num restaurante. Pedissem o que pedissem, a comida servida eram umas bolas (tipo bolas de gelado) de cores diferentes. Seja bife de vaca, seja pato com batatas fritas, mudava apenas a cor e o sabor.

 

  Ontem no supermercado comprei uns nuggets que diziam ter “proteína láctea”. Eu sei, eu sei, de toda a porcaria de compostos que metem na comida (especialmente a embalada) nos dias de hoje, é “proteína láctea” que me faz confusão e me deixa a pensar…muito tolo da minha parte. Levou-me a pensar no quão longe estamos da realidade daquele filme que vi há tantos anos em que toda a comida parecia ser transformada e servida na mesma papa de diferentes cores. Pessoalmente, desde que seja saudável - o que não é nos dias que correm, não tenho nada contra. Venha de lá a comida de laboratório com todas as proteínas, vitaminas, gorduras e afins que o ser humano precisa! Venha de lá essa mistela! Mais uma vez, desde que seja saudável... E a diferenciação entre comidas? A tradição? Os toques pessoais dos grandes chefes de cozinha? Os pratos típicos daqui e dali? O prazer de comer, em si, onde fica? Bem, hipocrisias e pancas pessoais à parte, deixemos isso para quem queira discutir gostos. Só não me tirem as ruffles de presunto, ok?

Pelos castelos de Portugal

  Certa vez ouvi um homem falar muito emocionadamente de uma viagem que fez à Índia. Entre outras coisas ridículas descrevia como, em vários sítios por onde andou, as mulheres andavam na rua não ao lado dos maridos mas sim atrás, e nunca sozinhas. O homem também falou em como lá, se uma mulher de alguma forma falta ao respeito (seja lá o que for “faltar ao respeito”) ao marido, vai sofrer consequências disso, e que um castigo usual é algum tipo de desfiguração facial.

 

  Esse homem era um instrutor de yoga que se vestia todo de branco e falava disto com um estúpido ar de tolice. Quando confrontado com essa situação ele respondeu apenas, encolhendo os ombros, “é a cultura deles”. Parecia abastado e já tinha viajado para retiros e outras coisas turísticas nesse país umas quantas vezes.

 

  Há por aí muita gente que diz que viajar é tudo. Que viajar basicamente nos torna, sob todos os aspetos e considerações, pessoas melhores. Não sei se é só publicidade para agências de viagens, se é inveja de quem tem pouco dinheiro e nunca vai a lado nenhum, se é gabarolice de quem tem de sobra e vai a todo o lado.

 

  Cá a mim parece-me que uma pessoa pode viver uma vida inteira num raio de cinco quilómetros e ser perfeitamente equilibrada e, no geral, enfim, boa pessoa. Talvez um tanto aborrecida com a vida mas isso é outra conversa. A mesquinhice e a idiotice afinal são comuns a todos e não me parece que gente “mal criada” vá mudar por ir ver o palácio de Westminster e ouvir as badaladas do Big Ben. No entanto, de qualquer forma, estando-se longe do mar, vale a pena subir algum monte, mesmo que esteja a uns bons quilómetros de distância, para alargar a vista…

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Irving Wallace - O Relatório Chapman

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  Era uma vez uma criança, que, como tantas outras, a certa altura questiona os pais acerca da sexualidade do ser humano. Os pais, acabrunhados com a questão, redirecionaram a criança para um familiar de meia-idade de nome George G. Chapman, biólogo de profissão; afinal, quem melhor para responder a essas questões que um familiar biólogo? Certo é que Chapman também não soube responder à criança, no entanto foi mais longe. Percebendo que no geral muito pouco se sabia acerca da sexualidade do ser humano, começou a entrevistar pessoas e a publicar estudos sobre o tema.

 

  No seu mais recente trabalho, uma pequena parte dele tratado e elaborado durante este livro, de nome “Uma história sexual da mulher casada americana”, a equipa de cientistas de Chapman entrevista mais de três mil mulheres, cada entrevista durando no máximo cerca de uma hora e meia. São feitas as mais minuciosas questões acerca da sua vida sexual, desde a sua história começando pela infância, até ao tempo médio de duração do ato sexual com o marido, passando por preliminares, regularidade do ato, infidelidades e desvios, fantasias, etc. Depois de cada entrevista, os dados são codificados, enfiados todos no mesmo pacote e usados no fim para elaborar uma enorme estatística da coisa.

 

  Desde as primeiras entrevistas que Chapman e a sua equipa têm vindo a ter fortes oposições ao seu trabalho. Preconceitos, grupos religiosos, outros cientistas que criticam a “frieza” dos dados, fazendo crer que a sua relevância é quase nula para o cidadão comum. No entanto, para a equipa (no geral), todo o esforço necessário à realização destes estudos é válido, pois, de certa forma, vem “iluminar” o conhecimento do ser humano para com uma área tão importante e tão pouco falada. E por mais incompleto ou desfasado que o megalómano estudo possa ser, servirá sempre de base para os que vierem mais tarde trabalhar na área. Apesar de tudo, e já estando há uns anos no jogo, Chapman conseguiu ganhar uma certa fama e posição de destaque nos círculos científicos.

 

  No início do livro é-nos apresentado “The Briars”, zona de média-alta sociedade dos subúrbios de Los Angeles, assim como algumas das moradoras da zona, mulheres essas que irão ser entrevistadas pela equipa de Chapman.

 

  Tendo o livro uma mão-cheia de mulheres e também uns quantos homens como personagens principais, já se está a ver que não é propriamente pequeno. Em mais de 650 páginas as personagens cruzam-se, conhecem-se, nós conhecemo-las, as suas famílias, os seus dramas, histórias, conflitos e mariquices. De uma maneira ou de outra, as vidas aqui retratadas são alteradas pelo próprio relatório que a equipa está a elaborar.

 

  Gostei imenso do livro, mas não existe sem as suas falhas, sem umas quantas conversas tolas e, especialmente, sem uma grande cena íntima quase no final do livro que é simplesmente horrível e não faz sentido nenhum. Ainda assim o ritmo lento da escrita de Irving Wallace cativa-me bastante. O autor conseguiu também criar personagens que, tirando uma ou outra coisa, me pareceram bem reais, como o próprio Chapman, que tenta manter uma postura de cientista objetivo mas a quem o orgulho por vezes trai, como o casal formado por Sam e Sarah Goldsmith, ela infeliz e sentindo-se ignorada, levada a trair o apático marido. Enfim, o livro é grande e desenvolve bem cada uma das personagens, umas melhores que as outras, mas no fim o resultado é bastante positivo.

 

  Tão positivo que provavelmente o próximo livro que vou ler será O Prémio, também do mesmo autor. E esse sim é um calhamaço… Não saberá Irving Wallace escrever livros pequenos?

Os juízes decidem

  Alguém se lembra de um programa chamado “O Juíz decide” que passava na sic? Lembro-me da existência de tal mas não de quaisquer pormenores ou casos específicos que lá tenham passado. Recentemente, pelos campos do youtube, encontrei vários programas similares, basicamente todos americanos, sendo “Judge Judy” sem dúvida o mais famoso.

 

  Pelo pouco que percebo todos estes programas funcionam basicamente da mesma forma. Trata-se sempre daquilo a que chamam em Inglês “small claims”, pequenos conflitos entre indivíduos ou grupos, processos que estão de facto em tribunal, e que os produtores do programa selecionam a dedo (apesar de provavelmente também nos podermos candidatar) para aparecer na tv. Como é óbvio desta forma os envolvidos no processo jurídico não pagam quaisquer despesas de tribunal – possivelmente até recebem por estar a aparecer na tv – e têm até estadias e viagens pagas até aos estúdios do programa, onde se simula um tribunal. E digo “simula” porque não substituí de facto um. As pessoas assinam algo em que como deixam a decisão nas mãos deste juiz, e essa decisão tem implicações legais, no entanto trata-se não de um julgamento em si, mas de um processo de arbitragem (ver mais info aqui).

 

  Na maior parte dos programas que tenho visto, incluindo a já menciona Judge Judy, existe o limite de cinco mil dólares, portanto, mais uma vez, trata-se apenas de “small claims”, disputas financeiras a nível de “ah e tal ele estragou-me o carro e não pagou”. Aqui não se tratam casos mais sérios de prisão, de custódia de crianças, etc. É mesmo para resolver as mesquinhices entre as pessoas. E apesar de, ao fim ao cabo, ninguém perder, por não terem de pagar a tal arbitragem, ou os custos de tribunal, que podem ser bastante elevados, e de terem as viagens pagas pelo programa, quase uma espécie de mini-férias pagas, estes programas viciaram de uma maneira um pouco estúpida.

 

  Coloca-se sempre a questão do quão real é o que estamos a ver, porque afinal casos escolhidos a dedo, pessoas escolhidas a dedo e filmagens escolhidas a dedo para televisão, já para não falar da possível existência de casos inventados pelos produtores… Apesar de tudo isso estes programas são viciantes. Demonstram muito bem a pequenez do ser humano, as ninharias que vai buscar para criar conflitos, a estupidez de uns, ignorância de outros e falta de bom senso dos restantes – coisas estas afinal tão comuns a todos nós nos mais variados aspetos da vida. Também gosto especialmente de ouvir as pessoas falar. Na tv, em filmes, ou livros, toda a gente tem boa dicção, todos falam corretamente. Mas na realidade não é isso que se vê, metem-se os pés pelas mãos, usam-se substantivos a mais e pronomes a menos, repetem-se coisas, conjugam-se mal os verbos, estruturam-se mal as frases etc etc etc. Isso acontece em todas as conversas que temos, no entanto podemos não o notar muito nelas, a não ser que se gravem para serem depois ouvidas, mas naquele clima com uma leve tenção em que alguém está a pôr pressão para que se diga a “verdade”…jesus, as pessoas parecem analfabetas. O facto de todos falarmos mal aqui salta à vista de uma forma ridícula.

 

  O mais conhecido destes programas, provavelmente, como disse anteriormente, é “A Juíza Judy”, ou em inglês que soa bem melhor “Judge Judy”. O programa começou em 1996 e depois de umas quantas alterações e temporadas, ainda hoje está no ativo, e Judy Sheindlin, que preside o programa, é uma das celebridades mais bem pagas da televisão americana. Nasceu em 1942, exerce direito desde 65, tendo-se tornado juíza em 82, para se “reformar” e começar o programa, como já foi dito, em 96. Nas programações de muitos canais já entraram outros desta natureza, muitos deles que desapareceram devido a baixas audiências, no entanto esta senhora sempre se manteve acima disso devido a um certo charme que cai muito bem com a televisão. É um pouco difícil explicar, só mesmo procurando e vendo no youtube. De uma maneira ou de outra, é hoje uma das estrelas de televisão mais bem pagas, recebendo atualmente, segundo alguns, cerca de 47 milhões por ano. Tem uns quantos filhos e, obviamente, uma mansão absurda. Ganhou um estatuto de estrela tal que não tem de se preocupar com audiências. Reformar-se-á apenas quando se fartar.

 

  No youtube há uns quantos vídeos do programa, que devido a direitos de autor estão sempre a ser eliminados e publicados novamente. Recomendo avidamente que deem uma vista de olhos. Pode ser que achem um aborrecimento total e mudem logo para algo que mais vos agrade, ou então, se tiverem o mesmo tipo de curiosidade e humor que eu tenho, por vezes um pouco sádico, e o mesmo interesse em ver gente pôr os pés pelas mãos e muitas vezes não ter noção nenhuma de senso comum, pode ser que entrem no espírito e de uma vez passem uma hora ou mais a ver vídeos uns a seguir aos outros. Mas tudo o que aqui digo acerca destes programas é extremamente redutor para descrever o seu conteúdo. Terá de ser mesmo ver para crer e tirar as próprias conclusões.

Sobre escrever um post acerca da importância da leitura

  Já foi há alguns meses atrás que tive a intenção de fazer um post acerca da importância de ler, ou de possíveis benefícios que a leitura possa trazer. É um assunto que já foi tratado por quase todos os que têm alguma plataforma onde partilhem informação – como é o caso aqui dos blogues – e que vão lendo algo aqui e ali. Por vezes aparece de uma forma que tenta ser objetiva/científica, por vezes subjetiva/pessoal, onde se vão incluindo gostos e preferências, por vezes até social.

 

  A minha ideia era escrever algo um pouco para o pseudo-intelectualóide pegando em casos particulares de livros ou histórias. Algo como “Estão a ver estas raparigas que protagonizam alguns dos filmes da Disney? Elas leem livros…e acabaram a casar com príncipes, portanto…aí está! Benefícios da leitura!”. A verdade é que não encontrei um ângulo de jeito e como sou preguiçoso depressa desisti da ideia. No entanto encontrei um vídeo no youtube que faz mais ou menos o que eu queria fazer, e cujo link está guardado no browser há meses sem saber o que fazer com ele.

 

  Pesquisando rapidamente há várias coisas que sempre aparecem, muitas delas tolas. A mais importante, mais séria, e aos meus olhos de leigo ignorante mais acertada, é ajudar a prevenir e combater variadas doenças mentais, desde depressão a alzheimer. No entanto, não me parece que a leitura seja mais eficaz nisso que qualquer outra atividade na qual haja necessidade de concentração, seja ela costura, ver filmes, cavar terra, malabarismo ou desporto, desde que sejam feitas regularmente e com disciplina. Parece-me que tudo aquilo que envolva concentração e disciplina faz esse trabalho tão bem quanto a leitura. Mas provavelmente a mais comum, e que é bastante tola, é a ideia de que ficamos mais inteligentes ao ler. Para além disso é dada uma certa aura à leitura que não me agrada nada. É verdade que o vocabulário pode ir aos poucos aumentando, tal como a cultura geral, sendo também verdade que se vai treinando a memória. Tirando o vocabulário, que há-de ser a mais diretamente afetada aqui, se bem que também há outras formas de o ir melhorando, há várias outras maneiras de “treinar” tudo o resto. No entanto, objetiva e diretamente mais inteligentes, tendo em conta a complexidade do conceito psicológico de inteligência? Não me parece. Acho é que é possível ficar-se menos inteligente se não se fizer absolutamente nada, se os dias se ficarem por idas ao café e pela televisão sem ao menos se prestar atenção a uma ou à outra coisa, à medida que se vai vivendo nas redes sociais e em sites tolos onde a única coisa que se faz é “scroll down” à espera que algo nos chame a atenção, e tudo isto regado com álcool e/ou drogas. Afinal nada como ter uma atividade – seja ela qual for – à qual nos dediquemos. E ainda assim com o que está acima há-de ser pouco inteligente da minha parte dizer que se fica menos inteligente.

 

  Mas enfim, desde as ideias que aqui pus, passando por inspiração ao ler acerca de (ou as palavras de) pessoas de alguma forma importantes e influentes, até à atratividade perante o sexo oposto. A tudo isto e mais ainda queria eu fugir quando na minha cabeça um dia surgiu esse “tenho que fazer um post sobre leitura!”.

 

  Foi então já há algum tempo que encontrei o vídeo que aqui partilho, que infelizmente não está legendado para quem não saiba inglês – e quem gostar pode dar uma vista de olhos pelo canal visto ter umas quantas coisas interessantes. Não é propriamente o post que eu queria fazer, pois faz desde logo a distinção entre ficção e não ficção, dizem diretamente que ler nos torna pessoas melhores, e mais umas quantas tolices – mas é aceitável. Ainda estive para copiar a ideia à minha maneira, usando até os dois livros aqui falados, mas a verdade é que não gosto deles o suficiente para tal e afinal... Porquê copiar quando posso, de forma mais honesta, partilhar aqui o vídeo?

 

  Independentemente da minha opinião acerca deles, o 1984 de George Orwell e o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley são hoje gigantes da literatura. Não tenho problema nenhum com eles em particular e são bem interessantes, no entanto tornaram-se uma espécie de pet peeve por achar que não falta por aí melhor ficção científica que toca nos mesmos assuntos. Apesar disso é sempre da mesma treta dos mesmos dois livros que as pessoas acabam por falar - e que eu estou aqui agora a falar... De alguma forma ganharam um estatuto não só de obras-primas, mas também sinónimos de “cool”. Adiante. Cada um dos livros mostra um mundo onde basicamente não existe arte, seja por imposição num caso, ou por falta de interesse do público no outro, criando sociedades onde existe falta de interesse pelos variados assuntos da vida e um leve contentamento que evita qualquer tipo de revolta por parte do povo, ou sequer vontade de mudança de algum tipo. O vídeo termina com a frase, traduzida às três pancadas, “Se acha que o seu país se está a transformar numa distopia, o seu primeiro acto de resistência deverá sempre ser abrir um livro”. Aqui fica:

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