Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

O fim da internet como a conhecemos?

blogar13.jpg

  Pesquisando qualquer coisa no google, por cima dos resultados, uma das opções que temos é “notícias”. Ou seja, podemos pesquisar um qualquer termo, como um nome de alguém famoso, e redirecionar a pesquisa por “notícias” para saber as trapalhadas em que essa pessoa tem vindo a envolver-se nos últimos tempos.

 

  Não em Espanha. Em 2015 a google retirou esse serviço a quem esteja a aceder ao site nesse país. Mas porquê? Porque houve uma tal de “Asociación de Editores de Diarios Españoles” que decidiu criar e associar custos à partilha de links que proviessem da imprensa Espanha. Pois bem, como é óbvio, a google enquanto empresa não iria estar com trapalhadas. A pesquisa de notícias disponível num sem número de países e línguas, deixou de existir em Espanha, porque criar taxas para partilha de links…enfim, não há empresa que se queira meter nisso. Para quê pagar por algo que não vai fazer dinheiro diretamente? Mais vale cortar tudo e pronto, bem menos problemas dessa forma. E o que aconteceu depois? Não sei bem nem me apetece fazer essa pesquisa para este post que já vai ser bem grande, mas a google anda com malabarismos aqui e ali, e a imprensa Espanhola online perdeu grande parte do tráfego online, porque afinal é através dos motores de pesquisa que as pessoas lá vão parar.

  Desde a sua concepção que a internet tem vindo a ser reformulada a todos os níveis, incluindo o legal, e para exemplo recente e elucidativo disso basta retornarmos à google, uma das maiores e mais importantes empresas online. Já alguém reparou que dantes ao pesquisar imagens no google, bastava clicar-se na imagem para ter acesso a ela e agora já não?

 

  Recentemente anda muito em voga um tal artigo 13, que poderá ser aplicado na EU podendo alterar e muito os conteúdos aos quais temos acesso. Mas o artigo 13 não existe sozinho, e um dos companheiros é o artigo 11 que, adivinhem, coloca taxas pela partilha de links de notícias. Como aconteceu em Espanha… Escusado será dizer que poderá ter um impacto bastante grande até aqui nos blogs do sapo.

 

  O artigo 13 faz parte de uma diretiva de legislação (é assim que se diz?) da união europeia cujo objetivo é proteger direitos de autor, principalmente da indústria cinematográfica e musical que são quem tem os maiores lobbies – digo eu que de política pouco percebo e de legalidades ainda menos. O próprio youtube parece andar a espalhar a mensagem para que muitos dos utilizadores do site falem sobre o assunto. E é curioso que seja a própria empresa a tomar aqui as rédeas. Até há alguns dias atrás nunca eu tinha ouvido falar disto, mas se as implicações forem tão negras quanto eles as fazem parecer, os conteúdos aos quais temos acesso na internet podem mudar e muito. Qualquer dia nem se tem acesso a pornografia, imagem lá...

 

  Atualmente se alguém na internet, aqui nos blogs por exemplo, usar material que não lhes pertence, essa pessoa pode ser processada, ou algo assim. Com o artigo 13 será não a pessoa, mas o próprio sapo a ser processado. E pelos vistos aplica-se a TUDO, deixando de existir o que hoje se chama "fair use" (vídeo no fim para mais informações). O youtube é uma plataforma onde milhares de horas de vídeo são colocados todos os dias e eles não têm forma de controlar isso. Afinal é uma plataforma razoavelmente livre. No entanto, sendo este malfadado artigo aprovado, a própria empresa é responsável por todas essas horas de vídeo. Só alguém que não saiba como funciona o youtube ou a internet pode dizer algo assim. Não há como eles fazerem esse controlo ao nível a que é exigido. “Algoritmos e bots” como lhes chamam são muito fáceis de enganar. “Aqui está este vídeo que tem direitos de autor, viramos a imagem 180 graus e já não é detetado. Tcharam!”. O resultado disto será que estes sites, não tendo como controlar o que utilizadores lá metem, vão simplesmente cortar tudo. Tudo. (ou praticamente).

 

  Como a google fez com a sua secção de notícias em Espanha. E a parte do artigo 11 em que os provedores de notícias devem ser compensados pela partilha dos seus trabalhos? Ya. Se partilharem notícias e links aqui, serão as próprias pessoas do sapo, que nos permitem usar esta plataforma, que irão pagar por isso.

 

  De direito nada percebo, e muito menos sei dizer como isto vai afetar a internet no geral, ou sequer o vão verdade é o que estou aqui a dizer. Mas mesmo que estas coisas não sejam agora aprovadas, pode ser que esteja perto, seja inevitável e apenas uma questão de tempo. Por agora é só na Europa, mas certamente se espalhará. O que aqui digo foi apenas tirado de alguns vídeos tolos e notícias que pintam uma imagem quase apocalíptica, mas certo é que tendo em consideração a pouca informação que vi não parece tão rebuscado quanto isso. Há muito países por esse mundo fora dos quais o pouco que sabemos é que não têm acesso a grande parte da internet, como acontece na Coreia (outra verdade que não sei se o é). Aqui simplesmente não será o governo, mas as próprias empresas que se verão obrigadas a isso para se protegerem a elas mesmas.

 

  Para nós, utilizadores de redes sociais, facebooks, twitters, dos mais variados fóruns, dos blogs do sapo, do youtube, plataforma da qual eu confesso ser grande consumidor, podemo-nos ver privados da gigantesca maioria do conteúdo ao qual temos agora acesso, privados de partilhar seja o que for, incluindo coisas que não estejam protegidas por direitos de autor, porque para o facebook e afins não vale a pena correr o risco.

 

  Há por aí umas quantas petições e coisas do género. Há uma hashtag #saveyourinternet e tudo. E diabos me levem se algum dia não vou perceber o que raio são estas coisas começadas pelo símbolo ao qual se dava o nome de número cardinal. Se alguém me souber explicar agradeço. Adiante. Procurem a petição se estiverem para aí virados, ou apenas informação se quiserem, mas parece-me importante falar-se disto. Se tiver paciência sou capaz de ler grande parte desta nova diretiva da UE, na qual certamente já umas quantas pessoas andam a trabalhar há anos porque estas coisas não aparecem do nada, para ver se consigo compreender alguma coisa daquilo. Para olhos não habituados a legalidades como os meus parece sempre ser necessária uma licenciatura em direito para descortinar o que quer que seja da linguagem estranha na qual costumam estar escritas. Pode até ser bastante simples, não sei. Veremos.

 

  Veremos também o que será da internet, quiçá até aqui dos blogs, pois isto parece ser abrangente como tudo, nos próximos anos. Fica um dos muitos videos sobre o assunto:

Fantastic Beasts numa mala de viagem

fant1.jpg

  Confesso que não tinha grandes esperanças nestes filmes. Foi há uns dias que vi o primeiro, pensando na ida ao cinema para ver o segundo. Que posso dizer? Que não vejo um filme há algum tempo e que foi a melhor escolha que poderia ter feito. E ainda melhor quando descobri que irá haver mais, coisa da qual eu não estava à espera.

 

  Aparentemente foi a própria J.K.Rowling que escreveu os filmes. Tivesse eu sabido isso antes e já há muito tempo teria visto o primeiro Fantastic Beasts and Where to Find Them. O mundo de Harry Potter, especialmente para quem tenha, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, crescido com os livros/filmes, é uma espécie de buraco negro que nos suga e do qual é difícil sair. Que se prepare quem comece agora a ler os livros. Mesmo se não for a vossa praia, a coisa só melhora, e bastante. Em retrospectiva os dois primeiros livros podem nem ser considerados muito bons, mas a partir daí…bem, não é só uma questão da história em si, mas também JK Rowling ser, para mim, das melhores escritoras que aí anda. Os filmes são outra história, bem mais problemáticos que os livros, mas um bom complemento e não falta quem se tenha apaixonado por eles.

 

  Os Fantastic Beasts foram realizados por David Yates, que por esta altura já realizou no total seis filmes da série, e isso de certa forma nota-se. Principalmente no ambiente, na própria cor do flme…enfim, que venha alguém que perceba mais de cinema que eu para explicar.

 

  O nome do filme é o nome de um livro que Harry Potter compra no primeiro ano, mas que curiosamente só estuda no terceiro. Foi escrito por Newt Scammander, personagem principal desta nova série. Eu poucas vezes ligo aos atores, mas Eddie Redmayne quase fazia o filme todo sozinho com a sua representação de Newt, cinco estrelas mesmo, não querendo retirar crédito a outros. Newt é, antes de mais, um verdadeiro Hufflepuff, e só para que fique claro em qual das quatro mesas eu me sento, se bem que fiz o teste só para pôr aqui o resultado, aqui fica:

pottermore.jpg

  Ele chega a Nova Yorque no início do filme, com um objetivo não muito claro e uma mala que lá dentro tem um jardim zoológico. É bem claro que a principal preocupação dele são os seus animais, e o início do primeiro filme para mim vale ouro, vendo-o no mundo “normal”, de um lado para o outro há procura de um deles que fugiu da mala, estando-se nas tintas para tudo o resto. Depressa cruza caminhos, aparentemente por acaso mas na verdade com uma mãozita do ainda novo Dumbledore, com Gellert Grindelwald, um dos feiticeiros mais poderosos que alguma vez existiu, particularmente versado nas artes das trevas. No segundo filme vemo-lo reunir uns quantos seguidores, no próximo, ou próximos, inevitavelmente iremos ver a guerra que aqui se vai travar.

 

  De uma forma talvez uma pouco estranha, parece-me uma história com potencial para ser mais interessante até que a original. E sendo feita difertamente em filme não passa pela tarefa gigantesca e até certo ponto impossível, de mostrar um livro em imagens. Achei o segundo filme mais problemático que o primeiro. JK Rowling parece ter tentado inserir demasiadas referências ao Harry Potter que já conhecemos. Aqui e ali parece ser difícil manter tudo debaixo de olho, deixam-se escapar demasiados pormenores. Mas que posso dizer? É sem dúvida o mesmo universo, que por acaso eu adoro. Optimistamente fico à espera de um terceiro, talvez de mais. Apesar de inicialmente baixa, a minha espectativa foi superada em todos os sentidos. Um dia destes vou ter de reler os livros que estão ao monte na estante a apanhar pó.

Stephen King - The Cell

CAM01040.jpg

  Stephen King devia estar um pouco farto da banalidade dos zombies mortos-vivos que não fazem sentido nenhum e decidiu dar-lhes um upgradezito, que pouco sentido teve também. Antes de mais não são mortos vivos, que essa trapalhada não tem jeito nenhum; são pessoas normais cujos cérebros, de alguma forma, foram apagados, ou “reiniciados” – como gostam de dizer no livro – devido a um qualquer “impulso” transmitido através de telemóveis. Sim, telemóveis. Ah, e vamos-lhes dar poderes, como telepatia, que é até bastante utilizada no livro. E já agora também porque não levitação? Meter os zombies por aí a flutuar, sem sequer terem noção de que o fazem e sem qualquer controlo aparente sobre isso, e que não leva a lado nenhum. Pelo menos não são zombies, são pessoas loucas que andam por aí a correr...não tanto Walking Dead mas mais 28 Days Later. E nada dessa trapalhada de comer pessoas. Apenas pura violência e pilhagem.

  Aí está senhoras e senhores, The Cell, de Stephen King, editado primeiramente em 2006, provavelmente escrito algum tempo antes disso, altura em que toda a gente começava a ter telemóveis.


  Este livro tem vários problemas e ideias que me deixam a torcer o nariz e, curiosamente, sendo King, o final em si não foi um problema. O problema são as ideias e os conceitos que se introduzem sem serem explicados e que não chegam a lado nenhum. São personagens que deveriam reaparecer mas que nunca mais lhes pomos a vista em cima, ou aquelas que acompanhamos mas cujo desenvolvimento é muito pouco interessante; são conceitos que tocam a ficção científica mas que não têm jeito nenhum nem fazem qualquer sentido. No geral, tolices a mais.

  Mas uma coisa é certa, o homem sabe como começar um livro. Desde a primeira página com os desde logo apocalítico primeiro parágrafo, até cinquenta ou cem páginas adiante, em que vemos a cidade de Boston, onde começa a história, ser virada ao avesso, corrida por acidentes, mortos, assassinatos, violência, até aviões caem, enfim, sangue e fogo por todo o lado. O problema é quando se sai de lá. O livro começa bem acelerado, mas de alguma forma vai diminuindo tanto de velocidade como de intensidade até ao fim que, na verdade, após vários momentos dececionantes, é até bastante bom.

Fora do sofá e pela ecopista do Dão

DSC_7777.JPG

  Andámos, andámos, andámos. Ainda foram três, talvez quatro quilómetros e o pavimento esverdeado, molhado da chuva que volta e meia levemente se fazia sentir, parecia não ter fim. Algumas curvas abertas, ora à direita, ora à esquerda, mas o percurso seguia basicamente sempre em frente. Sem termos muito tempo e vendo que não se iria dar a lado nenhum, a contra gosto lá se voltou ao carro, sítio de partida onde de uma maneira ou outra teríamos de voltar.

 

  Estávamos nós a caminhar por uma tal de Ecopista do Dão. Nunca tendo ouvido falar do sítio, pensávamos tratar-se de algum percurso pedestre que desse a volta à pequena cidade de Tondela, mas não.

DSC_7785.JPG

  No caminho de volta cruzámos-nos com um grupo de cinco velhotas, todas agasalhadas e cada uma com seu gigante chapéu-de-chuva, que nos informaram que, tivéssemos seguido em frente, ainda seriam alguns quilómetros até encontrarmos uma pequena aldeia, segundo elas até bem bonita e cujo nome não me recordo. O final da Ecopista? Em Santa Comba Dão. O início? Em Viseu. Tínhamos muito que andar…

 

  Não sei que mentes ou em que espécie de projeto e/ou âmbito se decidiu fazer um percurso tão grande, quase 100km ida-e-volta, porque se tem de voltar sempre ao ponto de partida, mas o caminho é bem agradável e está razoavelmente bem cuidado. Menos bom é a vegetação estar queimada em toda a volta durante quilómetros, de incêndios de anos anteriores, quase de certeza do ano passado. Estava queimado onde nós andámos, espere que o resto da via esteja mais verde. Ainda assim só pelas paisagens e pelos avistamentos do rio Dão já deverá valer a pena. Se tiverem tempo livre e uma bicicleta – que a pé nunca mais se chega a lado nenhum, e para todos os efeitos parece-me estar mais pensado nas duas rodas que nos dois pés – fica a recomendação. Eu certamente lá voltarei para pedalar, não meia dúzia de quilómetros, mas a distância até ao fim. E de volta ao início.

DSC_7772.JPG

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Blogues

Youtube

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Mensagens