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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Natal em triângulos

  As músicas de Natal são sempre as mesmas todos os anos. Irritantes e repetitivas, lá acabam por entrar na cabeça, especialmente quando são ouvidas vinte vezes ao dia. Quando damos por nós já andamos a cantarolar Last Christmas i gave you my heart... No entanto a música 12 Days Of Christmas consegue ser repetitiva nela mesma.

  Nesta música o verdadeiro amor de alguém vai oferecendo coisas disparatadas durante doze dias. Temos um zoo de pássaros, bailarinas e até bateristas. No entanto o amor desta pessoa não oferece apenas uma só prenda em cada dia: não. Em cada dia oferece algo novo e o que foi oferecido no dia anterior. No primeiro dia é oferecida uma perdiz; no segundo dia são oferecidas duas rolas e uma perdiz; no terceiro três galinhas, duas rolas e uma perdiz, e por aí fora até ao décimo segundo dia. Ouvir a música acaba por ser bastante aborrecido porque a lenga-lenga vai-se tornando cada vez mais longa a cada dia que passa. Não deixa é de ser engraçado aplicar os conhecimentos matemáticos aprendidos algures no ciclo e traçar gráficos, ora com a quantidade de coisas que vai sendo oferecida, ora com a quantidade de vezes que algo é oferecido.

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  Em qualquer uma das representações o resultado vai ser um triângulo. Se quisermos saber quantas coisas no total o ser amado ofereceu, basta contar o número de pontos que compõem qualquer um dos triângulos. A isto se chamam números triangulares.

 

  A área de um triângulo, na sua forma mais básica, é área do quadrado dividida por 2. No entanto isso só inclui metade de cada um dos pontos compostos pela hipotenusa, ou, neste caso, metade dos dias que já passaram. Não estando nós a falar de números muitos grandes, podemos embarcar na tarefa aborrecida de contar todos os pontos.

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  No quinto dia, no total, contando os pontos, ofereceram-se 15 prendas. A área de um triângulo com 5…prendas…seria de 12,5…prendas. No entanto estamos a cortar cinco delas ao meio, e é necessário somar essas metades. Portanto o quinto número triangular, ou o número de prendas oferecidas até ao quinto dia, seria 15.

 

  A contagem torna-se é mais complicada se tivermos em conta que as prendas são compostas por várias coisas. No quarto dia são oferecidos quatro pássaros, que passam então a ser também oferecidos nos dias que faltam até ao final da música. No sétimo dia são oferecidos sete gansos que são também oferecidos nos restantes dias. No nono dia…bem, a porcaria da música nunca mais acaba e eu tenho-a ouvido por aí basicamente todos os dias. Chega de contagens.

 

Feliz Natal a todos!

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Palema Sargent - O meu vizinho alienígena

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  Fringe é uma série de ficção científica da qual apenas vi, há largos anos atrás, um ou outro episódio solto, mas no geral tenho uma imagem bastante positiva dela. Curiosamente apanhei mais do que um episódio com os “Observadores”, personagens idênticas entre si que se mostram nos mais variados momentos de toda a história do ser humano, mas que, tanto quanto vi na séria, nada fazem, simplesmente estão lá, observam.

 

  Não conhecendo a série, não sei dizer se houve algum desenvolvimento nos observadores, mas os criadores podem muito bem ter-se baseado neste livro para criar estas personagens. Editado primeiramente em 1983, escrito por Pamela Sargent, a quem foi dado erradamente o sexo masculino por quem compôs a contracapa do livro, pois trata-se de facto de uma mulher. (Há pequenas coisas que não se sabe bem como passam). O livro mostra-nos um mundo marcado pela pobreza e pela falta de emprego, onde as únicas soluções viáveis para a população, pelo menos na cidade onde o livro se passa, parecem ser, ou juntarem-se ao exército, ou…irem viver para a parte da cidade onde estão os sem-abrigo e afins. Nestas circunstâncias, tudo na vida do casal protagonista se centra em volta de manter os seus empregos e contar tostões. Uma chávena de café é um autêntico luxo.

 

  O casal protagonista vive constantemente com medo em serem despejados da velha casa onde moram, constantemente a necessitar reparações. Nisto lá surge um novo vizinho, algo extravagante, que parece ser rico e que abertamente diz a todos que é um alien. No final de contas não é propriamente um alien, mas sim um ser humano que viveu centenas, talvez milhares de anos, com recursos infinitos e tecnologia insondável. O único problema dele é a solidão. Mas antes de o saberem os protagonistas são envolvidos no mistério da identidade da sua pessoa.

 

  Não sei se há palavra para definir o que vou demorar um parágrafo inteiro a explicar, mas a ficção científica pode ser muito…(inserir palavra). Isto é, o equivalente ao que em filmes de ação se chama a “suspensão da descrença”, quando é necessário simplesmente ver e não ligar a cenas que sejam estupidamente impossíveis. Enquanto em ação são cenas específicas em ficção científica ou fantasia é todo o ambiente, toda a história, toda a explicação que por vezes parece não fazer sentido, mas à qual damos um certo “desconto”. Largamente não foi o caso deste livro.

Contradanças e polémicas (parte 2?)

(Parte 1)

  Em primeiro lugar, não li artigo nenhum, portanto não sei bem do que falo. Fio-me apenas na pouca informação de alguns vídeos e artigos; vou também repetir parte do que disse no post anterior e tornar-me um pouco redundante mas deem lá um desconto.

 

  Recentemente anda a ser partilhada uma publicação de uma representante da UE, ou algo assim, que afirma que nada vai mudar, que, e passo a citar “O artigo 13º não se dirige a youtubers e não vai afetar os vossos canais. Dirige-se, isso sim, a plataformas como o YouTube”. (É suposto não os afetar? É como dizer "Estes aumentos de preços não afetam os portugueses, apenas o país no geral".) Não sei se esta mensagem é para tentar apaziguar um pouco as coisas. Se não é, se é para ser levada com objetividade, parece-me haver alguma incompreensão na posição da google que é uma mistura entre quase ameaça e cãozinho abandonado.

 

  O que o youtube afirma é ser impossível, no atual estado das coisas, e tendo em conta o volume absurdo de vídeos que é lá colocado, controlar tudo. Eles não concordam com artigo “no seu estado atual” (que tanto quanto sei pode já ter mudado pois afinal é essa a natureza destas coisas) e vão-se ver obrigados simplesmente a bloquear a maior parte dos seus conteúdos. Dizem que já pagam milhões em direitos e afins; que já têm realmente uma carrada de automatismos que distinguem o que é “fair use” do que não é, que identificam direitos de autor dando aos mesmos a possibilidade de apagar os vídeos ou redirecionar a monetização e trinta outras coisas (“Content ID” e afins). E que por pior que estes automatismos possam funcionar, estão constantemente a ser atualizados e melhorados. A posição do youtube parece-me ser a de que não vão fazer mais do que isso, que não estão cá para aturar mariquices, que deixam apenas meia dúzia de canais oficiais, quiçá um ou outro ao qual pelas graças de nosso senhor deem carta branca para publicar coisas, e que tudo o resto vai ao ar, que não vão nem têm como se responsabilizar por milhões de horas de vídeos sem cortar tudo. Bella Ciao Europa. Não sei se é impressão minha, mas parece-me que quando a questão do "Vão apagar-me o canal" ou "Bloquear os vídeos todos" é desmentida, o que é dito é que "Não amigos, a UE não vai apagar coisa nenhuma", quando é o próprio youtube que ameaça bloquear conteúdos indo a lei para a frente e não a UE diretamente. Só por essa falha de interpretação o comunicado acima linkado perde qualquer significado que possa ter. Esta gente parece não saber como funciona a internet. O youtube e as redes socias e tudo o mais são empresas privadas. A diretora (CEO) do youtube veio dizer que vão restringir o conteúdo e, indo a lei para a frente, queira o youtube fazê-lo para evitar ver-se em trabalhos, não há nada que esta senhora ou alguém da UE possa fazer para o impedir. São milhões de vídeos comprometedores. Eles simplesmente não vão arriscar, nem faz qualquer sentido arriscarem-se.

 

  O Rapaz das Ilhas, no seu post, resumiu a conversa às duas grandes questões que, correta ou incorretamente se espalham por aí. Acho que a resposta à primeira é bem clara e a posição do Youtube é sim, que vai restringir grande parte do conteúdo que por lá circula na Europa e impedir o upload da gigantesca maioria dos novos vídeos que lá surgiriam. Ninguém faz conteúdo 100% original e tentar descortinar o que é fair game ou não, dá demasiado trabalho, custos e problemas. Imagino que em muitos casos seja mesmo necessário haver pessoas a visualizar os vídeos antes de estarem públicos, porque é relativamente fácil enganar estas coisas, e pedir isso é ridículo. Ninguém fala é especificamente de nada, apenas de conceitos abstratos. Ameaças por parte do youtube ou da UE à parte, sabemos lá nós o que irá acontecer, se é que vai acontecer alguma coisa. Devido ao post dele acabei vendo uns quantos vídeos de portugueses. A única pessoa que vi levantar alguma questão de jeito foi a Bumba na Fofinha que questionou exatamente como o controlo exigido pelo artigo 13 é suposto ser sequer possível de executar.

 

  Quanto à segunda questão do Rapaz das Ilhas...eu gostava que se falasse mais no artigo 11. Não tendo lido nada quase nada acerca disso, nem sem bem o que é, muito menos como será aplicado mas também é assustador. Cada vez que se dá uma opinião sobre o que quer que seja, é necessário colocar-se a fonte de onde essa informação veio, porque há sempre alguma, e sem ela é só barro que se atira à parede à espera que cole. No post anterior falei no caso da google news em Espanha. Ainda hei-de pesquisar o que, ao fim ao cabo, isso deu, se é que deu em algo. É curioso como ninguém fala nesse artigo quando, no caso aqui dos blogs, poderia ter um grande impacto. Em Espanha, pelo que depreendo, era suposto que para a google partilhar links de notícias das fontes de informação (imprensa) seria necessário adquirir algum tipo de licença. Tendo em conta que aqui no sapo existem umas quantas páginas dedicadas a futebol (apenas um exemplo) onde comentam e partilham constantemente notícias, teria o sapo de pagar alguma licença para isso? Afinal estes artigos metem as plataformas como responsáveis por tudo o que nelas é publicado. E se sim, o sapo vai fazê-lo? Ou irá simplesmente entrar no filme do youtube e bloquear tudo o que se identifique minimamente dentro do assunto e pronto? Tanto as pessoas das legalidades como as pessoas…do lado de fora delas, falam falam mas não explicam coisa alguma. Na prática afinal o que raio vai acontecer? O Polígrafo comenta, em relação às afirmações de um dos maiores youtubers portugueses, que estas medidas podem beneficiar a imprensa tradicional, no entanto não é algo tão linear quanto isso. Quando a google news acabou em Espanha, o tráfego nas páginas da imprensa de lá supostamente reduziu para níveis tristíssimos. Isto porque, adivinhem lá, as pessoas na sua maioria não vão às fontes de informação diretamente. Se algo não é partilhado, nem falado, não vai ser visto.

 

  Resumindo: a resposta à segunda pergunta, vai e não vai. Não é totalmente descabido pensar que sim. São plataformas que, em certa medida, concordo, têm poder a mais. No entanto o que estes artigos vêm fazer é como se…bem, é como se, de um momento para o outro, se proibisse a utilização de carros para evitar o aquecimento global, de repente, sem sequer serem dadas alternativas às pessoas para se deslocarem aqui e ali. Comparação talvez tola, eu sei, mas foi o melhor que arranjei à pressão. Os princípios podem ser bons, mas os meios são, na melhor das hipóteses, incompletos.

 

  No papel parece tudo porreiro, mas as aplicações podem ser desastrosas e é isso que me parece que a UE não tem em conta. Não sabem como essa gestão deve ser feita, mas exigem-na. Pois bem, aí está "a internet" a dizer "vão dar uma volta porque isso é impossível", mensagem essa que aparentemente também não foi compreendida. O objetivo do youtube/google é proteger a sua plataforma, porque atualmente dizem não há como aplicar restrições à escala abrangente que seria necessário. Responsabilizar as plataformas em si financeiramente (porque é isso) pelas ações dos seus milhões de utilizadores não me parece a forma mais correta. Imagino a google a falar com as suas equipas de contabilidade e a resposta dada "Não amigos, assim não dá! Deixa de haver margem de lucro na Europa!". Com a ameaça da google, "adeusinho Europa que nós não temos pachorra para isto", pergunto-me também o que vai ser dos blogs e dos bloggers que partilham e falam de notícias (e etc) aqui, e de como o vão fazer sem poder citar as suas fontes. Até a wikipedia já se pronunciou sobre isso. E quem se questiona acerca da internet mudar…imaginem uma internet sem Wikipedias e sem muitas das bases de dados e/ou de informação que temos viradas para o entretenimento. Depois é pensar em todas as redes sociais, todos os sites de piadas e anedotas que partilham informação e sim, no final temos uma internet bem diferente daquela que conhecemos agora. Ou pelo menos com conteúdos bem diferentes que isto do "como conhecemos" por si só tem pano para mangas no que toca a interpretações.

 

  A Borboleta Verde mencionou covers de músicas, e eu li algures que também iriam sofrer. Ora eu estou a aprender a tocar um instrumento musical. E 100% dessa aprendizagem, para além de prática, são vídeos informativos e covers no youtube. É assim que quase toda a gente aprende nos dias que correm (e desde sempre): com músicas dos outros. E se não o pudermos fazer por não se poder ensinar essas mesmas músicas online por terem direitos de autor? E, esquecendo a parte em que o youtube diz que vai bloquear tudo e pronto, não havendo esse bloqueio, onde se traça a linha do que é fair use ou não? Isto porque aparentemente vídeos de covers, ou vídeos de dança, onde se cria uma coreografia para alguma música, também vão deixar de ser partilhados. Um vídeo onde se esmiúça uma música, como este, pode ser partilhado? E que tal uma análise de géneros musicais (não sei mais o que lhe chamar) como aqui? … De tudo o que se fala ninguém diz exatamente onde as linhas se vão traçar. E voltando à aprendizagem musical, deixará isso de ser possível através da internet? E ainda nas covers, o que é fair game? Pode-se colocar uma música como esta, em piano?

 

  Nada disto é preto no branco e parece-me que em parte é isso que assusta as empresas. Parecem piadas atiradas ao ar por alguém que pouco mais sabe do que eu (que nada sei) sobre o assunto, como uma pessoa de telemarketing a vender um produto que desconhece. Talvez isto fique por aqui e depois destes dias se deixe de falar por completo no assunto e não dê em nada, mas é interessante ver o desenrolar de uma polémica, seja ela qual for. Em Portugal aparentemente há muitos youtubers que têm um sem número de garotos a ver os seus vídeos. Lá vêm as notícias de crianças a chorar baba e ranho por o seu youtuber favorito ficar sem canal. A criança azucrina os pais que, por sua vez azucrinados, falam mal dos youtubers. Enfim, muita trapalhada não relacionada com o tópico em questão. Mas pronto, em Portugal, já se sabe, tudo o que envolva as sagradas crianças é de se fugir a sete pés. Que o diga a Supernanny. Juro que por vezes a moralidade nacional parece ser ditada pelas crianças, ou pela forma como são usadas. Tenho pena delas. Coitadas. Só querem atirar paus a gatos, brincar com bonecos e à apanhada, no entanto acabam sempre metidas em tudo o que é controvérsia. Há muita gente a interpretar mal as alterações propostas. Também há aqueles que se enaltecem, como se a sua integridade pessoal fosse o que está em causa, dizendo coisas como ”Eu defendo a vida!” e “Não matem os velhinhos!”. Afirmações essas que não pertencem aqui, mas são igualmente tolas e fora de contexto. E também se escusa de falar de direitos de autor por si só, que isso nunca sequer esteve em causa. O que está em causa é, sim, encontrar as melhores ferramentas e formas de proteger esses direitos, coisa que a própria UE não parece muito capacitada ou sequer interessada em fazer.

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