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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Cães e talvez outros animais de estimação

  Há milhares de anos alguém teve a feliz ideia de capturar um cão e, estando ele uma vez encerrado num qualquer buraco, alguém teve novamente uma ideia feliz, a de o alimentar. Certamente na altura não seria o animal que conhecemos hoje, mas sim um bem mais feroz que tinha mais a ver com lobos, bastante ávido no que toca à colecta de alimentos e à caça. Depois de domesticado acabou por se fazer deste animal um parceiro de grande valor para a própria sobrevivência, tanto no que toca ao arranjo de comida, como, claro, à protecção das frágeis casas, cabanas ou sei lá o quê em que então os humanos habitavam.

  Andando uns quantos milénios, séculos, décadas e anos para a frente os cães chegaram ao que são hoje, animais que nunca se conseguiriam desenvencilhar sozinhos no mundo. Uns de umas raças, outros de outras, a maioria rafeiros que é como me parece que todos deveriam ser, por aí andam, uns a viver dentro das próprias casas dos humanos ou em quintais, outros abandonados ao deus dará, e aqueles nem sempre melhor tratados que estes. A própria história das raças como as temos hoje é pouco mais que uma invenção humana. Manipulámos esta espécie até um ponto sem retorno, transformando-os em pouco mais que animais, brinquedos, enfim, coisas que se usam para companhia. Não digo que não têm o seu mérito enquanto tal, afinal muitos são os que de parceiros têm unicamente e cães e diga-se que não estão nada mal servidos. Muitos são também os que, ao verem um cão bem tratado, correm a fazer-lhe festas e o cão por sua vez parece gostar bastante desta atenção. No entanto os humanos parecem nunca saber quando dizer basta e assim se chega a esta publicação que agora escrevo.

  Ontem chegou-me aos ouvidos algo que eu considero deplorável: aparentemente em muitos países, dos quais se exclui a península ibérica, é obrigatório esterilizar os cães pouco depois de nascerem (até seis meses ou coisa assim  - não vou pesquisar), ou seja, os desgraçados mal nascem vão logo à faca. Percebe-se a intenção, ainda que não totalmente, mas tal medida parece-me bastante cruel, principalmente considerando o que o cão era no principio e aquilo em que nós o tornamos. Tempos houve, não há muito certamente, em que a vacina contra a raiva não era obrigatória e os cães que na rua viviam se contavam às mãos cheias por todo o lado. Nessa altura quando se via um cão na rua, com aspecto de perdido, abandonado e maltratado, fugia-se dele a sete pés, tal era a normalidade dos animais terem essa desgraçada doença e tal era a facilidade com que ela passava para os humanos. Hoje gozamos do privilégio de poder acolher com relativa facilidade os seres desta espécie que nós aos poucos fomos mutilando e pela qual somos agora inteiramente responsáveis. Há até incontáveis famílias e instituições que parecem viver para estes bichos, alimentando-os, vacinando-os, enfim, tratando-os como podem, nem sempre bem e por vezes obrigados a ir por caminhos negros que eu sei lá, mas enfim, elas estão lá, em certa medida fazendo o que podem. Talvez consigam corrigir um pouco do mal que se faz hoje a estes bichos que são visto mais como brinquedos do qualquer outra coisa.

  Por mais que digam que a história da esterilização é isto e aquilo e muito boa e benéfica, há que ter em conta que é, entre outras coisas, mais uma forma de comércio para que estes bichos sejam vendidos a preço de ouro e não arranjados por aí. Se tal entrar em vigor, há-de haver gente com licenças para não esterilizar os animais e esses vão ser os que mais lucram. E depois essas licenças hão-de ser bastante caras, talvez, não sei. Um mundo muito sujo, este dos humanos. Os cães são animais pelos quais, como já disse, somos responsáveis, não bonecos que se dão às crinças.

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