Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Dádivas de arroz e épocas festivas

  Estas épocas festivas de Natal e Ano Novo são sempre um pouco bizarras. As pessoas juntam-se em famílias para comer e trocam prendas, lembrando-se daqueles que estão longe e nos quais não pensam duas vezes durante o resto do ano. O ambiente familiar por norma é um pouco constrangedor, estando-se na companhia de gente que não se conhece muito bem, que só se encontra em raras ocasiões e a quem se vai contando uma ou outra novidade ou desavença que a vida vai trazendo. Depois vem a passagem de ano… eh… já viram noticiários na passagem de ano? Metade é passada a mostrar extravagantes festas, espetáculos de fogo-de-artifício que custam balúrdios por esse mundo fora, pessoas contentes a beber a uma vida melhor, a um ano melhor, a um futuro melhor; a outra metade a falar em aumentos de impostos.

 

   Mas também é tempo de pensar nos outros, em pessoas desconhecidas que, no geral, por uma ou outra razão, se encontram em piores condições de vida que nós. São feitas doações à caridade, há o Natal nos hospitais, nas prisões, há grandes refeições para os sem-abrigo, há gente que faz dádivas de sangue e medula pela primeira vez. Confesso que não faço a mais pequena ideia do que para aí há este ano, mas são sempre feitas angariações de fundos para instituições, campanhas para estes, para aqueles, espalhadas pelos centros das cidades, pelos centros comerciais e atualmente até pelas operadoras de telecomunicações. No Verão lembro-me ter recebido uma mensagem à qual a resposta teria um custo que reverteria em favor dos bombeiros. Com este tipo de campanhas feitas diretamente por este tipo de entidades como é o caso de supermercados por exemplo, independentemente do que seja feito são sempre eles que mais ganham, o que é muito feio tendo em conta que estão a ganhar em nome de…por exemplo os sem-abrigo, ou a cruz vermelha ou algo, sei lá. Enfim, de boas intenções... O mundo é um sítio estranho cheio de desequilíbrios e desavenças, sejam elas económicas, políticas, religiosas, sociais ou pessoais, em que os envolvidos andam na luta constante pela sardinha. E não é que atual campeã de xadrez do mundo perdeu o título por o campeonato se estar a realizar na Arábia Saudita e ela não querer participar por a obrigarem a usar os ridículos trajes deles? Aparentemente nem a deixariam sair de casa sem um homem a acompanhá-la. Não vou opinar se fez bem em não ir mas credo! Este caso em específico tem andado muito em voga por aí nas redes sociais.

 

  Recentemente li um pequeno conto chamado Arroz do Céu, escrito por um tal de José Rodrigues Miguéis que, como se pode ver pela imagem em baixo, foi aqui vendido como um conto juvenil (orientado para o 7º ano de escolaridade) cheio de letras grandes e ilustrações não muito boas. Armando-me em pseudo-intelectual o conto é uma espécie de alegoria da caverna com implicações religiosas. Conta a história de um “limpa-vias” que limpa o chão do metro e a certa altura começa a encontrar arroz no chão. Enquanto imigrante que nem sabe falar a língua, o nosso homem do lixo não vive nas melhores condições de vida e, vendo aquele arroz como uma dádiva divina, começa a apanhá-lo do chão, levando-o para casa para alimentar a esposa e os filhos. O que ele não sabe, nem se questiona sobre isso, é que por cima de onde trabalha fica uma glamorosa igreja que serve de escolha de eleição para os casamentos de classes mais altas. O arroz que é atirado ao ar sem pensar duas vezes por cima dos noivos, e o que não é comido pelos pombos é então varrido para os respiradores e sarjetas para acabar por alimentar a família do nosso limpa-vias. Para ele é um presente de deus, e assim reza para que continue a chover arroz. Não sou de forma alguma uma pessoa religiosa mas como se diz por essas igrejas fora, coitados dos ricos que dos pobres é o céu!

CAM00818.jpg

Podem ser sempre os mesmos a ganhar mas pode também ser que uns cêntimos aqui e ali, que servem mais para quem os dá se sentir bem que qualquer outra coisa, façam realmente alguma diferença, não sei.  Mas chega de divagações tolas e infantis! O Natal já passou mas boas festas para todos e bom ano novo!

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Blogues

Youtube

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Mensagens