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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Edgar Allan Poe - Histórias Extraordinárias

100_4015.JPG    Sem nunca ter lido grande coisa dele, já tenho este pequeno livro de contos* de Edgar Allan Poe há muitos anos. Foi com a leitura da Narrativa de A. Gordon Pym que o meu interesse em relação ao autor veio à baila.

    Pois bem, o que se pode encontrar nestes contos*? Antes de qualquer outra coisa e acima de tudo encontram-se muitas, muitas, muitas divagações sobre a natureza humana, sobre as nossas propensões para o mal, para o bem, para o amor e para o ódio. Poe é dos poucos autores que prefere escrever na primeira pessoa e faz uso do narrador autodiegético para explorar as suas personagens a um nível bastante pessoal, escrevendo sobre sentimentos, medos e pontos de vista específicos às personagens principais.

    Há uns tempos li algures que os géneros de fantasia e terror afinal ocupam apenas uma pequena parte do conjunto escrito pelo autor. Certo é que foi essa a veia a ficar marcada na história. Este livro tem 15 contos e tocam todos eles, invariavelmente, ou a morte, vindo por ela mesma ou por meios de assassinato, ou alguma espécie de miséria, por vezes com uma grande pitada de ironia e comédia até. Há uns quantos que na minha opinião valem a pena ressaltar.

    Começando por aquele que para mim foi o pior, Ligeia: credo, uma autêntica seca; divagações e descrições horrivelmente longas que partem de uma mente irritante e egoísta. Enfim...Em O Poço e o Pêndulo encontrei uma história de um autêntico terror; nunca antes um livro me tinha feito virar a cara, que nem um filme de terror, com um final abusivamente abrupto, mas muito bom. O Escaravelho de Ouro também merece ser mencionado, narrando uma história de tesouros perdidos em que um amigo que anda a fazer pouco de outro de uma forma bem cómica até. William Wilson é um conto bastante inteligente de um rapaz/homem que encontra alguém igual a ele, fazendo lembrar por vezes o Homem Duplicado de Saramago. Por fim, em Manuscrito Encontrado numa Garrafa encontrei um retorno aos assuntos do mar, piscando um pouco o olho a Gordon Pym mas passando-se num barco cuja tripulação tem ares de fantasmagórica, navegando por mares nunca percorridos.

    Há, no geral, algo que tenho que mencionar: é difícil escrever sobre pessoas pobres. Nos seus contos, como em quase todo o lado, não estando as personagens em ambientes inóspitos nos quais o estatuto social não importa absolutamente nada, estas são, sempre, ricas. Sempre provindo das dias "antigas famílias", com inúmeros bens e possibilidades de vida, tendo criados e até escravos. Irrita-me um pouco que até na literatura se usem personagens assim apenas por ser essa uma forma de as colocar em circunstâncias curiosas sem se fazer perguntas. Quando leio algo tenho tendência a questionar COMO?. Como é que esta pessoa consegue ter e/ou fazer isto e aquilo? As respostas no geral da literatura a tal, ou são vagas e não se percebem, ou são apenas "eh...tem dinheiro e pronto". É um pouco triste que até neste tipo de ficção haja tal diferenciação de pessoas.

 

*contos presentes no livro, por ordem: A pipa de amontillado; O coração delator; A caixa longa; Morella; O gato preto; O poço e o pêndulo; O demónio da perversidade; Metzengerstein; O enterro prematuro; O escaravelho de ouro; A esfinge; Ligeia; Berenice; William Wilson; Manuscrito encontrado numa garrafa.

 

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