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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Escritos de uns e de outros

  Uma pessoa conhecida de uma amiga teve a sorte de conseguir, de alguma forma, publicar um livro. Já dei de caras com livros de gente cuja existência conheço indirectamente mais que uma vez e é sempre com alguma curiosidade que os começo a ler. É um "ah a tua amiga escreveu isto? Deixa lá ver". Estas edições muito raramente estão ao nível do que seria de esperar. Ele é erros de português, de gramática, de sintaxe, ele é frases mal escritas, ele é uma cadência estranha nessas frases, ele é uma total falta, tanto de saber como de sensibilidade, para com aquilo que se escreve. Em suma: o livro que assim nos veio parar às mãos é uma desilusão que nos leva apenas a pensar "epá...fico contente por esta pessoa ter lançado alguma coisa, mas isto é tão mau que não sei como o fez". E assim se pára a leitura ao fim de dez páginas ou menos.

  Não sei como funciona o mundo editorial. Sei que há muitos livros cujos custos de impressão e tudo o mais saem directamente do bolso dos autores. Talvez seja um pouco por aí, um "O seu livro é mau mas como é, se tem dinheiro para gastar a gente publica-lhe isto." O mais estranho é que vêm com o carimbo das editoras. Não há revisores que leiam aquilo? Não há editores que indiquem "olhe, mude lá isto esta frase se faz favor e já agora corrija a outra".

  Uma coisa é escrever mal num blogue que recentemente se começou e que poucos lêem, outra é escrever mal num livro que se dá a conhecer ao mundo e para o lançamento do qual se deram umas boas centenas, senão milhares, de euros.

  Há muita gente a querer ser escritor quando muito raramente mesmo os melhores conseguem viver da escrita. Alguns podem argumentar com um vago "são sonhos". Pois bem, que o sejam, mas os sonhos, regra geral, envolvem muito trabalho.

  O que muitos dos novos autores não parecem compreender é que escrever, sendo quase sempre um pequeno part-time, é uma trabalheira levada da breca, especialmente quando se quer ter alguma qualidade. Não é uma pequena ocupação que se tenha durante um breve período de tempo. Requer dedicação e empenho. Requer muita leitura também. Ai de quem queira escrever sem ler bastante e ai de quem escreva sem, ao ler, consultar o dicionário de cada vez que encontra uma palavra desconhecida.

  Eu cá estou neste momento sentado num sofá branco e digo desde já que ter um sofá branco é uma carga de trabalhos. Se alguém andar à cata de sofás que tenha escrúpulos para comprar um com cores mais neutras, talvez verde escuro ou cinzento. De certa forma também tenho o sonho de ser escritor. Vou rabiscando umas coisas aqui e acolá. Ainda hoje acabei uma pequena história de pouco mais de dez mil palavras. Nem sei como nem onde a enquadrar mas vá. Publicar? Não me parece. Virginia Woolf dá o conselho de não editar nada antes dos trinta. Escrevo por ser uma actividade que me dá algum prazer. Quando conseguir escrever algo que ache que valha a pena talvez me dê ao trabalho de tentar publicar, mas só se valer a pena, tendo o texto uma qualidade inegável, nem que seja aos meus olhos. Ainda está para acontecer.

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