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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Graham Greene - Um Campo de Batalha

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   Com tantos livros focados em personagens a viajar ou a praticar coisas “extraordinárias”, é sempre bom ler algo que se foque em ações mais simples não requerendo personagens misteriosamente milionárias. Não só as ações, como a história em si também é simples apesar de não ser, de forma alguma, leve. O livro inteiro tem aura de um certo realismo, de um absurdo pessimismo e falta de fé em relação ao ser humano, tentando retratar, de certa forma, o pior das pessoas. As personagens deste livro são egoístas, estúpidas e andam completamente perdidas na vida sem saberem o que fazer, levando a que façam apenas burrices. E como seria de esperar perante esta pequena descrição, o livro acaba num tom bem deprimente.

 

   A história em si é curta. Um certo homem chamado Drover, numa manifestação, matou um polícia sob condições duvidosas e está para ser condenado, ou à morte, ou a pelo menos vinte anos de cadeia. Depois o livro segue umas quantas personagens cujas vidas, ligadas à de Drover, se interligam também entre si: alguns colegas do mesmo partido político que tentam evitar que o colega seja condenado (mas que na realidade não querem saber e alguns veem até vantagens na morte do colega) fazendo uma petição; Milly, esposa de Drover, uma mulher bastante conservadora e desesperada; Kay, a sua irmã, bem mais liberal que está de momento a viver com a irmã. O livro não se foca em ninguém em especial, mas se há personagens principais são Conrad, irmão de Drover, um homem bastante nervoso e medroso, o que contrasta bastante com a imagem do irmão condenado (corajoso e terra-a-terra), que quer desesperadamente ajudar tanto o irmão, como Milly, mas não faz ideia de como o fazer e acaba ainda por piorar tudo, e o comissário adjunto, um velho polícia que começou há pouco o seu trabalho na polícia londrina e está encarregue de fazer um relatório sobre o caso de Drover. O que achei interessante foi como Conrad vê no comissário adjunto uma espécie de inimigo, e como os dois são parecidos. Descontentes com o trabalho, alienados pelos colegas, solitários, sem esperança, desorientados e à procura de acção. Não, não é receita para um final feliz… mas é para um excelente livro.

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