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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Ian Watson - O Livro do RIo

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“E assim o Blue Guitarprosseguiu na direcção do meu local de encontro com a cabeça da lagarta – enquanto, a trezentas léguas de distância, tinha começado uma guerra.”

 

  Que se pode dizer sobre o Livro do Rio? É aborrecido, maçante, um tanto cansativo e não está lá muito bem escrito. Introduz trinta personagens que parecem pouco mais que nevoeiro, não passamos tempo suficiente com elas e confundi-mo-las quase todas. A história passa também por um bom número de cidades, cada uma delas descrita com particularidades próprias, mas o problema é o mesmo e, a não ser que leia segunda vez, confunde-se tudo. Ou talvez eu não estivesse a ler com a devida atenção porque, afinal, como comecei por dizer, achei o livro um pouco aborrecido. Não é muito grande, no entanto demorei bastante tempo a lê-lo (e mais ainda a fazer este post). Está cheio de palavras rebuscadas que não conheço e que, confesso, na maior parte dos casos, nem me dei ao trabalho de procurar no dicionário porque só queria despachar o livro.

 

  Mas se é assim, porque o li eu até ao fim? Curiosidade e interesse no mundo que o autor, Ian Watson, aqui criou. O livro está escrito na primeira pessoa e é com os olhos da personagem principal, de nome Yaleen, que vemos este…bem, eu não se é suposto ser um vale ou…enfim, chamemos-lhe porção de terra habitada por seres humanos. Esta porção de terra está dividida por um rio de uma largura absurda no centro do qual passa a “corrente negra”. A corrente negra não é apenas uma nhaca viscosa e preta que passa no centro do rio, mas sim um organismo, uma entidade, uma espécie de bicho, um ser que por alguma razão não deixa ninguém atravessar o rio e só deixa os homens passear por água uma vez na vida. Yaleen vive do lado oriental desta corrente, onde, ao longo do rio, se desenvolveram cidades economicamente prósperas que usam os barcos de transporte da “guilda do rio” – onde a protagonista trabalha – para as suas trocas, vendas e compras de mercadorias. Numa dessas cidades há uma data de gente curiosa em saber o que está do outro lado do rio, do lado ocidental, e começam a construir telescópios. A certa altura descobrem, lá bem longe, uma aldeia onde todos se vestem de preto e queimam mulheres vivas. A nossa protagonista acaba, por vontade da corrente negra, a ir passar algum tempo ao outro lado do rio (note-se que, de acordo com o que sabemos, é a segunda pessoa a alguma vez conseguir atravessar porque a corrente negra literalmente afoga todos os que tentam) para descobrir uma cultura machista e, diga-se de passagem, fanaticamente religiosa. Eventualmente é mais ou menos revelado o que é a corrente, a espécie de bicho viscoso com milhares de metros lá começa a mover-se, as duas civilizações entram em guerra, há algumas divagações e conversas sobre a origem da vida, e cabe a Yaleen resolver toda esta trapalhada.

 

  E por isto é que eu adiei este post: porque esta maradice não soa muito bem e posso dizer que é bem melhor e mais bem estruturado do que talvez possa parecer. No fim de contas livros como este, independentemente do quanto eu tenha ou não gostado, são bons exemplos das viagens e dos mundos que se podem criar e mostrar através de literatura, pois essas páginas que estão por baixo dessa capa azul não funcionariam em nenhum outro tipo de meio e/ou adaptação. Ou pelo menos eu não vejo como funcionariam...

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