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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

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Irving Wallace - As Três Sereias

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   O que são As Três Sereias? Não se deixem distrair pelas moças nuas na capa do velho livro. As três sereias são um conjunto de ilhas, localizadas algures no mar da Polinésia, lá prós lados do Taiti. Mas o mais curioso sobre estas ilhas ficcionais é ninguém saber que elas existem, tirando as pessoas que lá vivem e cuja cultura se tem formado há mais de duzentos anos. E tirando outras duas pessoas graças a quem o grupo protagonista vai parar à ilha.

  Tal como em A Conjura, Irving Wallace passa grande parte do início apenas a apresentar as personagens do livro (e a ilha) - e mais nada (o livro avança muiiito lentamente) - que irão compor o grupo liderado por Maud Hayden, antropóloga de profissão, que foi, sob circunstâncias a que alguns irão chamar uma espécie de ameaça tola realizada por uma terceira pessoa, estudar a cultura d'as três sereias ao longo de seis semanas. Mas porque é que estamos a falar de três? Na verdade só interessa uma delas, onde se encontra o acampamento dos indígenas. Mas enfim, a história das ilhas, ou da ilha, pode já ter séculos, mas só interessa a partir do 18º quando um Inglês pseudo-intelectual de nome Daniel Wright ali aportou e permaneceu até morrer. Este Inglês tinha o sonho de criar de uma utopia segundo os seus desígnios pessoais e foi basicamente graças a ela que a ilha se tornou em algo que valha a pena estudar. De todas as diferenças que poderia inventar entre o "novo mundo" e este povo, Irving Walllace foca-se , primeira e principalmente, em sexualidade, no conceito de família e mono/poligamia. As Sereias são assim um bocado terra sexualmente livre, onde os homens vestem apenas sacos púbicos e as mulheres um minúsculo "saiote de erva" (parece não haver outra forma de representar sociedades não avançadas tecnologicamente), onde o crime de assassinato é julgado com escravidão à família da vítima (num sítio pequeno como este - pouco mais de 200 pessoas - basicamente não há criminalidade), onde as pessoas vivem de uma forma simples, cultivando, pescando, onde há casamentos, divórcios, um festival anual de duas semanas em que são permitidas e não julgadas relações extra-conjugais, uma cabana onde, mesmo não estando nessas duas semanas, a população pode ter relações extra-conjugais (mas só ali), e um ritual em que todos os habitantes perdem a virgindade aos 16 anos.

 

  É um livro bem grande, mas se posso pôr defeitos acho que o autor se foca demasiado em conversas sobre as diferenças entre as culturas e a forma como é visto o sexo nos diferentes sítios. Enquanto na "nossa" sociedade é tabu, ali é celebrado (etc). O problema aqui é que o autor se alongou demasiado e demonstrou até muita tolice e...vou-lhe chamar inocência à falta de melhor palavra. Apesar de importante no contexto da coisa, talvez tenha retirado demasiado espaço às personagens e ao que para mim foi a parte mais interessante: como estes americanos reagiram ao "choque de culturas". Isto porque os indígenas, salvo um caso que acaba em tragédia, não se deixam influenciar e no geral estão-se pouco marimbando para os estrangeiros. Já os estrangeiros vêm as suas vidas mudar completamente ali, e não só no presente do livro, mas para o resto das suas vidas. Isto também porque todos eles decidiram embarcar na aventura com objectivos e razões específicas, alguns mesmo para mudar o rumo à vida. No entanto Irving Wallace transformou tudo numa jornada de auto-descobrimento e desenvolvimento pessoal para esta equipa de cientistas (e uns quantos acompanhantes) o que, mais uma vez, em parte, se tornou um bocado tolo. Certo é que, desde que se ouve falar delas, As Três Sereias são pintadas um pouco como uma espécie de paraíso na terra. E apesar de se mostrarem um pouco menos do isso, para cada um dos visitantes elas tornam-se a âncora com a qual irão mudar as suas vidas - nem que seja para decidir prosseguir em frente...num caso aceitando uma proposta de casamento...  :|

 

  Relendo o que já escrevi dou a impressão de que não gostei do livro. Não é de todo o caso. Está exemplarmente bem escrito e em parte agarra-nos de uma forma que poucos livros conseguem. Apenas gostaria que o autor não tivesse caracterizado algo tão idílico...porque isso gerou muita tolice. E é a quarta vez que uso essa palavra neste post!

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