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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Irving Wallace - O Relatório Chapman

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  Era uma vez uma criança, que, como tantas outras, a certa altura questiona os pais acerca da sexualidade do ser humano. Os pais, acabrunhados com a questão, redirecionaram a criança para um familiar de meia-idade de nome George G. Chapman, biólogo de profissão; afinal, quem melhor para responder a essas questões que um familiar biólogo? Certo é que Chapman também não soube responder à criança, no entanto foi mais longe. Percebendo que no geral muito pouco se sabia acerca da sexualidade do ser humano, começou a entrevistar pessoas e a publicar estudos sobre o tema.

 

  No seu mais recente trabalho, uma pequena parte dele tratado e elaborado durante este livro, de nome “Uma história sexual da mulher casada americana”, a equipa de cientistas de Chapman entrevista mais de três mil mulheres, cada entrevista durando no máximo cerca de uma hora e meia. São feitas as mais minuciosas questões acerca da sua vida sexual, desde a sua história começando pela infância, até ao tempo médio de duração do ato sexual com o marido, passando por preliminares, regularidade do ato, infidelidades e desvios, fantasias, etc. Depois de cada entrevista, os dados são codificados, enfiados todos no mesmo pacote e usados no fim para elaborar uma enorme estatística da coisa.

 

  Desde as primeiras entrevistas que Chapman e a sua equipa têm vindo a ter fortes oposições ao seu trabalho. Preconceitos, grupos religiosos, outros cientistas que criticam a “frieza” dos dados, fazendo crer que a sua relevância é quase nula para o cidadão comum. No entanto, para a equipa (no geral), todo o esforço necessário à realização destes estudos é válido, pois, de certa forma, vem “iluminar” o conhecimento do ser humano para com uma área tão importante e tão pouco falada. E por mais incompleto ou desfasado que o megalómano estudo possa ser, servirá sempre de base para os que vierem mais tarde trabalhar na área. Apesar de tudo, e já estando há uns anos no jogo, Chapman conseguiu ganhar uma certa fama e posição de destaque nos círculos científicos.

 

  No início do livro é-nos apresentado “The Briars”, zona de média-alta sociedade dos subúrbios de Los Angeles, assim como algumas das moradoras da zona, mulheres essas que irão ser entrevistadas pela equipa de Chapman.

 

  Tendo o livro uma mão-cheia de mulheres e também uns quantos homens como personagens principais, já se está a ver que não é propriamente pequeno. Em mais de 650 páginas as personagens cruzam-se, conhecem-se, nós conhecemo-las, as suas famílias, os seus dramas, histórias, conflitos e mariquices. De uma maneira ou de outra, as vidas aqui retratadas são alteradas pelo próprio relatório que a equipa está a elaborar.

 

  Gostei imenso do livro, mas não existe sem as suas falhas, sem umas quantas conversas tolas e, especialmente, sem uma grande cena íntima quase no final do livro que é simplesmente horrível e não faz sentido nenhum. Ainda assim o ritmo lento da escrita de Irving Wallace cativa-me bastante. O autor conseguiu também criar personagens que, tirando uma ou outra coisa, me pareceram bem reais, como o próprio Chapman, que tenta manter uma postura de cientista objetivo mas a quem o orgulho por vezes trai, como o casal formado por Sam e Sarah Goldsmith, ela infeliz e sentindo-se ignorada, levada a trair o apático marido. Enfim, o livro é grande e desenvolve bem cada uma das personagens, umas melhores que as outras, mas no fim o resultado é bastante positivo.

 

  Tão positivo que provavelmente o próximo livro que vou ler será O Prémio, também do mesmo autor. E esse sim é um calhamaço… Não saberá Irving Wallace escrever livros pequenos?

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