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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

João Aniceto - O Quarto Planeta

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  Mas quem é este João Aniceto? Segundo a capa ganhou um prémio qualquer da Caminho em 1982 pelo seu primeiro livro, depois disso editou mais quatro ou cinco coisas que aparentemente também fazem parte desta coleção. E mais nada. Na rápida pesquisa que fiz não encontrei quaisquer outras edições nem grande informação sobre o autor. Tendo em conta a qualidade deste livro e presumindo que os restantes a partilham isso é muito triste porque realmente “O Quarto Planeta” é muito, muito bom.

  Portanto houve uma nave, a que se decidiu chamar Orion, que partiu da terra com uma missão específica qualquer, que aparentemente já ninguém sabe qual era - mas que acaba por ser revelada mais à frente. E ninguém se recorda porque esta nave em específico, cujo tamanho nunca é revelado exatamente mas que eu imagino ridículo – parecendo por vezes quase uma vila ou pequeno cidade...as aparências enganam – já anda às voltas há centenas de anos, ou pelo menos tempo suficiente para toda a tripulação original já ter deixado de existir e as gerações que se seguiram terem esquecido qual era a missão, ou sequer a forma da nave. Tempo suficiente para formar uma nova e pequena sociedade lá dentro, divida por sectores constantemente em conflito e liderada por um grupo religioso, cuja religião já agora se formou dentro da próprio nave. Eu disse "liderado" mas na verdade, do pouco que se conhece sobre esta cultura de aquário, eles simplesmente são o maior grupo. Um pouco louco? Sim, talvez, mas não é um conceito novo em ficção científica, e muito menos em distopias no geral, o que este livro é de uma ponta a outra. Assim conhecemos a igreja de Gagarine e o grupo de pessoas que diretamente, mas por caminhos indiretos, acaba por lutar contra ela.

  O livro está divido por capítulos que à vez descrevem acontecimentos em sítios diferentes. A nave é uma metade. A outra é uma cidade de nome Orga, onde se vive numa espécie de regime totalitário liderado por um grupo que veste invariavelmente mantos escuros escondendo as caras e que a população chama de “Cívicos”. Liberdade não há, trabalho há a mais e condições de vida são… minimalistas para se ser positivo. E quem não gosta? Bem, não é morto, mas é exilado da cinzenta cidade para a floresta que a cerca, que é o que acontece aos protagonistas desta metade do livro. E assim os seguimos enquanto eles de cidadãos passam a caçadores e, a determinada altura, passam ser presas. Não "presas" literalmente mas...meh. E se as palavras “ficção científica” e “distopia” não são algo que vos chame a atenção, que tal “terror”? Na floresta encontram um animalzinho fofo, que eu imaginei como sendo uma mistura entre um coelho e um gato, mas com três pares de pernas, que se junta a eles e cuja história me arrepiou imensamente. As três personagens exiladas pouco ou nada sabem sobre a “floresta” e, durante grande parte da sua…viagem, são seguidas por uma quarta personagem, denominada inicialmente apenas por “caçador” e é através dele que vamos conhecendo alguns dos perigos, em particular estas criaturas fofas parecidas com gatos, de nome “samaritanos” e cuja passagem por este livro, apesar de não ser muita longa, certamente me arrepiou. A sério, leiam este livro. Só por estes bichos já vale a pena. Não é que seja algo de tão único ou extraordinário quanto isso, mas a forma como tudo está descrito, jesus, como dizem os slogans, é de gelar os ossos.

  João Aniceto não se perde em divagações tolas, em informação desnecessária nem em descrições demasiado "artísticas". Aqui ou ali há algo que poderia merecer mais atenção e/ou informação, mas nada de muito grave ou que nos distancie da narrativa. Os parágrafos e as frases são curtos. A acção e a história avançam rapidamente. Ainda assim o autor criou um mundo bastante vivo cheio de pequenos detalhes para nos deliciarem a imaginação.

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