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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

José Saramago - As Intermitências da Morte

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   Saramago enquanto escritor gosta bastante de saltar do geral para o particular e do particular para o geral. É bastante comum falar de algo numa perspectiva política, social, geral, seja o que for, para depois saltar para o particular, para vidas de pessoas que vivem dentro do contexto político, social, geral, que ele acabou de descrever. Assim, em "Ensaio sobre a lucidez", por exemplo, temos os movimentos tanto de cidadania como políticos, ocupando uma metade do livro, e a história de apenas umas quantas pessoas ocupando a outra metade; em "Memorial do Covento" temos por um lado a vida na corte real, do outro a vida de Baltasar e de Blimunda. Enfim...o mesmo aplica-se neste livro, várias vezes e de variadas formas.

  Em As Intermitências da Morte Saramago fala de um país no qual se deixa de morrer, descrevendo as possíveis implicações disso, para depois virar o leitor ao contrário, fazendo uma personificação da morte. A morte, tantas vezes desenhada e narrada, sendo a sua principal figura o esqueleto munido da gadanha, nunca teve tanta vida como a que Saramago lhe dá.

  O livro tem grandes implicações religiosas, umas óbvias e descritas, outras nem tanto. Alguns farão uns quantos paralelos entre o que é relatado aqui e certas histórias bíblicas, outros não as farão por talvez serem até disparatadas. Não sei...

  A escrita é bastante simples e a leitura rápida, mais até do que aquilo a que estou habituado vindo do autor. Poucas vezes recorri ao dicionário durante As Intermitências da Morte. Para ser sincero não o achei tão bom quanto outros que já li do autor. Houve partes que me aborreceram, que achei secantes, que me fizeram querer parar de ler apenas por puro tédio. Mas uma coisa fica dita: Mesmo nesses momentos Saramago sabe atirar um qualquer anzol que nos prende ao livro, havendo sempre uma espécie de promessa de que "é desta que a história vai andar finalmente para a frente depois de tanta divagação" até que anda...e assim se chega ao belo final do livro, que comoverá uns, outros nem tanto, mas que deixará quase todos de boca aberta.

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