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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

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Mario Puzo - O Padrinho

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   Aparentemente um homem tem o direito de bater na mulher com quem é casado. Quando isso acontece muito provavelmente é a mulher a culpada e deve comportar-se de maneira diferente. Machismo, sim, bastante dele neste livro. Aparentemente a máfia é uma organização patriarca absurdamente conservadora apesar da quantidade de violência e de negócios obscuros em que se vê envolvida. Quando a filha de Don Corleone (o “Padrinho”) se vai queixar de que o marido lhe bateu, o que escrevi ali acima foi a resposta que ela teve. E quando perguntou à mãe se o pai alguma vez lhe tinha batido, a resposta foi um “nunca lhe dei razões para tal”. Mario Puzo certamente tem uma imagem muito negativa da máfia, o que se depreende do tom negro em que o livro está escrito. Apesar disso não é difícil de ler.

 

   'O Padrinho' é daqueles livros que segue uma data de personagens sem que haja uma principal. O famoso filme de Coppola transformou Michael Corleone, o filho mais novo de Don Corleone, na personagem central da história, mas a verdade é que não se lê o suficiente sobre ele para o considerar como tal. Assim seguimos a história da família Corleone durante cerca de dez anos, a maior parte dos quais durante uma guerra da máfia, enquanto as personagens crescem, mudam, se descobrem e se auto-destroem.

 

   Também me surpreendeu as secções que retiraram do livro na adaptação ao cinema. Maioritariamente temos a personagem de Johny Fontane, sobrinho de Don Corleone e cantor/actor de Hollywood que a certa altura perdeu a voz e a quem são dedicadas grandes partes do livro. Mario Puzo com certeza também não tem uma imagem muito positiva de Hollywood caracterizando as pessoas de lá como vazias, megalomaníacas, ladras e até pedófilos. Esta é talvez a maior das personagens que não aparece muito no filme, mas no livro praticamente TODAS as personagens têm pelo menos um capítulo dedicado a elas, fazendo com que a vinte páginas do fim ainda se estejam a apresentar personagens novas. Ya…o livro não se foca em nada nem ninguém em específico, mudando constantemente de personagem e perspetiva, o que faz com que eu não saiba bem o que escrever aqui, portanto estou a usar o filme como bengala.

 

   Não é de todo um livro pequeno, mas lê-se até bastante bem e, apesar de algumas secções parecem demasiado aleatórias, no geral é uma história bastante inteligente. Não há efeitos sem causas e muito menos o inverso. Uma coisa é certa, após uma história de dez anos ficamos a conhecer bastante bem os Corleone, o Don, os filhos, o afilhado, as suas esposas e amantes, alguns assassinos e suicidadas, as pessoas que a família ajuda em troca de favores futuros e aqueles a quem a família fica a dever e, passando-se nas décadas de 40/50 nem os efeitos da segunda guerra mundial na vida da máfia são postos de lado. Fica a lição, quando quiserem algo de alguém, têm apenas de fazer uma oferta que não possa ser recusada.

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