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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

O Americano Tranquilo - Graham Greene

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"Mais cedo ou mais tarde (...) é preciso tomar posição. Se não queremos deixar de ser humanos".

 

  Fernando Pessoa escreve, no seu Livro do Desassossego, algo como "Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado". Este título é o segundo livro que leio de Graham Greene, a quem esta frase de Pessoa se aplica também grandemente, o que é uma das principais razões porque gosto tanto do autor.

 

  A história de O Americano Tranquilo desenrola-se maioritariamente na antiga cidade de Saigão, no Vietname e Graham Greene faz uso de três personagens para abordar a temática do colonialismo no que foi um pouco da, digamos assim, pré-guerra do Vietname, criando o que acaba por ser um romance, a meu ver, puramente anti-guerra.

  Para mostrar as diferentes frentes e interesses por detrás da situação que na altura se desenrolava, o autor faz uso das três principais personagens, criando um triângulo amoroso entre elas: Thomas Fowler, que faz as vezes de narrador na primeira pessoa, é um jornalista inglês de meia idade que se encontra no Vietname há uns anos trabalhando como correspondente de guerra. Alden Pyle é um jovem americano que (revelado a meio do livro) trabalha para os serviços secretos impelido por uma noção inocente e despropositada de "bons" valores, pensando-se quase dono da verdade e desprovido da noção de consequências, características estas que incomodam grandemente o narrador, Fowler. Phoung é o elo de ligação entre os dois, no que ao triângulo amoroso diz respeito, sendo uma jovem natural de Saigão, provida de uma grande beleza.

 

  Graham Greene mostra, neste que foi um livro que me deu imenso prazer ao ler pela sua qualidade (e mais uma vez digo que as edições do círculo de leitores são estupendas) tanto o incorrecto e sujo mundo do jornalismo, como os horrores da guerra pelo olhar de cinismo de Fowler que tenta a todo o custo manter-se imparcial e neutro, não tomando posição e sendo desprendido de preconceitos. Este acaba, no entanto, por ser obrigado a tomar partido, a influenciar pelas próprias mãos o curso da história. Como o autor diz, mais cedo ou mais tarde um homem precisa de tomar posição, não por razões teóricas de força maior, não porque vem nos livros ou porque assim deve ser mas, e tal opinião é partilhada por Fernando Pessoa, porque sente, porque não consegue ficar indiferente ao sofrimento alheio, especialmente quando este é provocado por supostas boas intenções, que de boas nada têm senão um manto da mais perigosa inocência.

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