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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Odisseia hospitalar - Parte 1

     Estava eu muito bem em casa, na cozinha, a fritar massa com o intuito de fazer churros quando, debruçando-me sobre o óleo a fim de retirar de lá os primeiros, este estoirou violentamente, saltando tudo para a minha cara. Fiquei um pouco atordoado. Passei imediatamente água pela cara e a minha Maria, logo aflita, quis ir às urgências. Respondi, e disse-lhe várias vezes que não senhor, não era preciso, mas o certo foi cinco minutos depois estar a sair de casa, tendo como principal medo ter ido óleo para os olhos, que me ardiam um pouco. Tinha-se apagado o fogão mas aquilo continuava a saltar pela cozinha. Não faço ideia porquê.

     Comecei por sentir calor na cara, um leve ardor e grande formigueiro. Antes de sair de casa ainda lavei a cara mais umas vezes, pus bastante nívea que, para minha surpresa, desapareceu em três tempos. O estrago estava feito e as dores começam a picar e iam aumento segundo a segundo. As queimaduras dos cozinheiros dizem muito sobre o seu trabalho mas duvido que muitos vão para ao hospital por algo ridículo como fazer churros. Para quem nunca se queimou com óleo a ferver, é como se a própria pele fritasse, literalmente. Sentia, especialmente, a testa a arder e a pele desta parecia estalar, abrir-se. A meio caminho do hospital a minha Maria disse que se começar a ver uma espécie de crosta amarela. Boa figura não era com certeza.

     Ela estava aflita, eu um pouco em choque, nervoso até mais não, mas com uma postura calma. Movia-me e alava devagar. Pouco olhava para o que se passava à minha volta. Chegando ao hospital, avançámos até ao balcão e, quando questionado sobre o que tinha acontecido, disse somente, apontando para a cara, "Queimei-me". Ao olhar para mim até a senhora das urgências ficou toda agitada. Enfim, depressa me deram uma pulseira laranja, depressa me chamaram antes de todos os outros que lá estavam - incluindo um jovem casal que por alguma razão me chamou a atenção - e depressa me vi sentado em frente de um médico que repetia a pergunta. A resposta, desta vez, foi ligeiramente mais completa, "Eh...queimei a cara com óleo que saltou da frigideira". Em ambas as situações a Maria comentou detalhes com eles. Eu estava por demais nervoso. Esse médico pediu-me que o seguisse e assim se entrou pelo hospital dentro, ele à frente, nós os dois atrás, ela levando-me pelo braço. Encaminhámos-nos pelos corredores até uma pequena sala que não tinha porta - uma grande cortina que foi prontamente fechada - , onde estava uma maca na qual me disseram para deitar. Logo apareceu uma enfermeira que me tirou a roupa enquanto o médico me dava duas injecções e me espetava uma agulha intra-venosa que ligou a um saco que tinha, se não me engano, paracetamol, para as dores. Falavam-me da maneira como as pessoas da saúde falam quando querem animar e espevitar os doentes, mas eu pouco ligava à animada conversa. Apareceu um segundo médico que ligou uma lâmpada forte acima da minha cara e os dois começaram por verificar os meus olhos e disseram que queimados não estavam, "Com a sua vista está tudo em ordem", uma sorte tendo em conta que a pálpebra esquerda que tanto me ardia tinha ficado toda queimada e inflamada. Seguiu-se a lavagem da cara, despejando nela o que me pareceu um balde inteiro de água, - destilada, pelo cheiro - espalharam um gel bastante frio, seguido de pelo menos uma bisnaga inteira de uma qualquer pomada. Depois mandaram-me aguardar até que alguém me levasse dali.

     No meio disto ouvia um médico falar lá fora com a minha Maria e foi ela quem me disse que teria de ficar uns dias internado. A princípio nem queria lá ir e acabei por ter de ficar internado...

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