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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Ocean's 8 de Gary Ross

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  Filmes de assaltos há muitos. A premissa é quase sempre a mesma: junta-se um grupo de pessoas, cada uma com a sua especialidade e papel a representar no roubo em si, e cria-se um plano bem espetacular, desses que um criminoso provavelmente teria dificuldade em criar, mas que para um escritor com conhecimento de causa pode ser relativamente fácil. Depois a história é arrastada tanto pelas personagens em si como, principalmente, pelo plano de assalto, que o vemos enquanto se desenrola.

 

  Nunca vi nenhum dos Ocean’s, mas fiquei com vontade de procurar os anteriores e quem sabe fazer até um post de comparações ou algo assim, isto porque gostei deste Ocean's 8. Vão roubar joias avaliadas nuns quantos milhões durante uma gala que irá ocorrer no Museu Metropolitano de Arte em Nova Iorque debaixo dos olhos de inúmeros seguranças e inúmeras câmaras de vigilância.

 

  No que toca a assaltos, é difícil ser-se mais perfeito que isto. Aliás, o maior defeito que ponho no filme é ser perfeito demais, pois há ali muita coisa que poderia ter corrido mal e que, aliás, quase parece que deveria ter corrido mal. Fiquei com a impressão que faltava talvez algum drama, algumas pedras no caminho.

 

  Mas pronto, lá fui ontem ao cinema ver o filme e certamente não me desapontou. Vejam e digam de vossa justiça.

Lilo e Stitch - Dean DeBlois e Chris Sanders

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  Curiosamente nunca tinha visto este filme. Saiu-me bem melhor do que estava à espera.

  Lilo e Stitch, e vamos começar esquecendo a parte do Stitch, conta a história de duas irmãs órfãs que vivem no Havai (ou Hawaii se preferirem), de nomes Lilo, claro está, a mais nova, e Nani, a mais velha que luta para manter a custódia de Lilo. Aqui o filme ganha pontos extra por ir mostrando como Nani se vê à rasca para encontrar trabalho e como quase todos os trabalhos do sítio andam à volta de turismo, sendo dada uma certa conotaçao negativa a tal.

 

  No entanto não é com isto que se começa o filme. Durante cerca de dez minutos e antes de chegarmos ao Havai, temos toda uma cena onde nos são dados a conhecer aliens, todos envoltos em burocracias, regulamentos e ideias tontas. Em particular são-nos dados a conhecer Pleakly, um cientista “especializado” no planeta terra, e o doutor Jumba que no início do filme é julgado em tribunal (galáctico) por manipulações genéticas ilegais que levaram à criação de uma forma de vida aberrante cujo único objetivo é a destruição de tudo, chamada apenas de “experiência 626”. Essa experiência acaba por ir parar ao Hawaii e à companhia de Lilo que lhe dá o nome de Stitch, e com ela aprende o significado de família, união e, de certa forma, bondade porque afinal este é um filme da Disney.

 

  Estava à espera que este filme fosse uma espécie de musical e, como não sou lá grande fã desses, tive aqui uma agradável surpresa. É um filme bastante bonito que recomendo a todos, incluindo àqueles que não o viram quando eram mais novos.

Coco - Lee Unkrich, Adrian Molina

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  Quem cresceu com os filmes da Disney e talvez também os primeiros da Pixar, possivelmente mais que uma vez se sentiu frustrado com os desenhos animados que têm vindo a sair. Destes dois estúdios até se pode esperar algo relativamente bom mas no geral os filmes de animação…ok, não é que eu os veja sequer portanto quem sou eu para falar, mas “pinta”? Não têm nenhuma.

  A chegada deste filme, Coco, ao cinema não foi há muito tempo atrás, numa terra distante, mas sim recente, e pelo trailer também não dava grande coisa por ele. No entanto, após trinta piadas infantis com o título do filme e como já se viu o novo Star Wars (Vejam! Vejam! Vejam!), estando as pessoas numa de idas ao cinema, lá fui ver.

 

  Sabiam que as publicidades que passam no cinema, antes do filme começar, são diferentes nos filmes dos mais novos? Eu não... E lá estava eu sentado à espera a ver publicidade de brinquedos. Mas quem espera sempre alcança e o filme por fim lá começa. A primeira coisa que se nota desde logo é a qualidade da animação. Para quem não vê muito do género, como eu, é impressionante o estado das…coisas. Por exemplo quando tocam guitarra…tocam mesmo guitarra. Não abanam as mãos à frente do instrumento, sei lá, todos os movimentos, incluindo a vibração das cordas, estão lá. Mas o que irrita é o próprio design de tudo, das personagens, dos objetos, dos edifícios...porque é que é tudo arredondado? A sério, é tudo redondo, porquê? Para ser fofo? Não percebo, não gosto, é feio. Há-de haver certamente quem goste, não sei se esta é uma opinião popular, mas aí está ela. Outra coisa que também me incomoda é que, não interessa o quão séria uma determinada cena possa ser, e em alguns casos fillmes inteiros, com a disney pode-se esperar quase sempre alguma espécie de mascote a fazer palhaçadas e piadas que não metem graça nenhuma. No caso deste filme foi o cão...enfim. Não é que as mascotes sejam o problema, mas sim as suas palhaçadas.

 

  Em Coco conta-se a história de um garoto de nome Miguel, quarta geração de uma família matriarcal produtora de calçado que abomina música porque o trisavô abandonou a trisavó para seguir o sonho de tocar guitarra. Enfim, muitos sonhos a seguir, muitas dificuldades para os alcançar, alguma tolice no geral da história, da família, das tradições, que é sempre de se esperar. No dia dos mortos - feriado mexicano similar ao dia de todos os santos – Miguel fica amaldiçoado e vai parar ao…mundo dos mortos, onde as almas ficam enquanto houver memória delas na terra. Depois o que vem é a jornada de Miguel para conseguir regressar ao nosso mundo dentro dos seus próprios termos, na qual conhece a personagem mais interessante do filme, um homem de nome Hector, que de certa forma guia o nosso protagonista ao longo da história e mais tarde é peça central de uma grande reviravolta de que eu não estava à espera e que foi muito bem feita. De notar também vários pormenores interessantes como a existência de “bairros de lata" onde os que já pouco ou nada são recordados vivem. Porque parece que o além-vida pode ser tão injusto quanto a terra.

 

  No final das contas é um bom filme com bastante coração, que tanto parece faltar nas animações recentes e que deixará qualquer um com uma lágrima no canto do olho, incluindo eu.

Panic Room (Sala de Pânico) - David Fincher (2002)

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  Tudo o que é filmado pode chamar-se de filme. Dentro do termo filme cabe o conceito de filme comercial e vice-versa. Mas o que é um filme bem filmado? Não faço ideia, mas raios partam se este filme não é dos filmes mais bem filmados que já vi. A câmara está maioritariamente fixa, mas todos os movimentos, todos os close-ups, todos os momentos em que aparecem imagens geradas por computador para tapar os buracos que são se consegue fisicamente, são deliberados, de uma forma que não é um muito normal ver-se e que por si só é bastante...especial.

 

  Como não percebo muito de filmes fico sem saber o que dizer, mas tudo neste filme é bom, deste as dificuldades que vão enfrentando ao longo do filme, a crescente ansiedade e a motivação das personagens, passando pela escolha e performance dos atores, até ao ritmo de edição do filme, tudo tem uma estrutura que vai aumentando de intensidade até ao final (causando ansiedade e stress como tudo) – encontrando ainda assim vários momentos de leve comédia. E se algum defeito se pode colocar neste filme é no final, mas isso vai ser algo que dependerá de opiniões pessoais.

 

  A história em si é bastante simples, mas muito bem conseguida. É curioso como conseguiram fazer tanto e tão bem com uma história tão simples. Há gente que quer algo que está numa sala específica de uma casa. Há duas pessoas (mãe e filha) que vivem nessa casa e que se fecham nessa sala – a dita “Panic Room” com paredes de aço de uma espessura ridícula onde ninguém consegue entrar. Thriller/Suspense do mais simples, straight forward e melhor que pode haver. E quem tenha dúvidas sobre a Jodie Foster ser das melhores atrizes de sempre, aqui têm mais uma prova. Vejam o trailer, mas tenham em mente que não demonstra nada bem nem o trabalho de câmara e de filmagem, nem a edição. Sem dúvida dos melhores filmes que já vi.

mother! - Darren Aronofsky

  Foi antes do fim-de-semana passado que vi o filme “mother!” de Darren Aronofsky e desde então que queria escrever um post. O problema principal em falar deste filme em específico é que, apenas pelo trailer, não se fica propriamente a saber do que trata, mas comecemos por aí: Ao contrário do que possa parecer, não é um filme de terror. Tem uma atmosfera um pouco arrepiante e em partes fica até bastante violento, mas não, não é terror. A julgar pelo trailer parece mais um filme que toca o assunto de alguém a invadir a nossa casa…eh…é um pouco por aí, num sentido figurativo.

  “mother!” que por alguma razão tem aquele ponto de exclamação e o m minúsculo é uma alegoria sobre o ser humano carregada de referências religiosas que, de alguma maneira, foge à típica pseudo intectualice que se pode esperar com estes temas.

  Como não sabia bem o que dizer sobre este filme fiz o que as pessoas sem originalidade fazem e pesquisei pelas internets o que outros já tinham dito. Desde análises do filme, a interpretações sobre a simbologia (que é bastante simples penso eu e não é necessária grande explicação) até uma pessoa falar durante 5 minutos num vídeo sobre o quão bom era que um filme assim estivesse nos “cinemas de shopping”, não encontrei algo que acrescentasse ao filme. A verdade é que é daqueles que é necessário ver, experimentar, se gostam tudo bem, se não gostam, olhem, dinheiro desperdiçado. Eu cá gostei bastante e sem dúvida que recomendo o filme. Vejam enquanto podem!

Final Fantasy: The Spirits Within (2001) - Hironobu Sakaguchi, Motonori Sakakibara

  Quem tenha jogado qualquer título da saga Final Fantasy sabe bem a capacidade que os criadores de tais jogos têm para criar mundos, personagens e histórias fantásticas. Todos os jogos narram histórias diferentes e este The Spirits Within nada tem a ver com qualquer dessas histórias. É um filme de ficção cientifica. Aliás, é um bom filme de ficção científica.

  Os desenhos hoje podem até parecer fora de moda, ultrapassados, enfim, old school, mas quando saiu, em 2001, este filme criou grande sensação pois a animação era de um realismo nunca antes visto. Pelo que vi no making of, foi também inovador no uso de motion caption, que é nada mais que arte de fazer animações baseados em movimentos de gente de carne e osso, vestidos em fatos cheios de sensores.

  A história em si é, na verdade, bastante original. Quando se pensa em aliens, regra geral, pensa-se que eles são como nós, mas mais avançados tecnologicamente. Aqui o planeta vê-se destruído por uma raça que nem parece inteligente, cujos corpos e formas são estranhos e que não conseguimos sequer começar a compreender. São seres inteiramente diferentes de nós em tudo quanto é possível pensar. Depois há a tal batalha por sobrevivência, há filosofias e teorias e tudo o mais, mas o verdadeiramente original é o conceito desta bicharada que atracou na terra através de um cometa que cá veio cair. O resultado final é uma mistura entre conceitos novos e conceitos já batidos, da qual eu confesso ter gostado bastante.

Contact (Contacto), (1997) - Robert Zemeckis

   Tenho um fraquinho por ficção científica. Um fraquinho bem grande. É curioso como a certa altura do filme a personagem de Matthew McConaughey faz uns quantos comentários em relação à passagem do tempo noutros pontos do universo. Em 1997 parecia adivinhar que iria protagonizar o Interstellar. No entanto a personagem dele aqui não poderia ser mais diferente da do filme de 2014. Ele é um padre. Jodie Foster é uma astrónoma. Ele, verdade seja dita, apesar de importante aqui e ali, nem aparece muito. Ela anda à cata de aliens, ouvindo e procurando possíveis mensagens que tenham enviado através de frequências de rádio (se não me engano). Visualmente é um filme rico, cheio de cor e lindos cenários. Aborda algumas típicas linhas da ficção científica, como o debate entre avanço tecnológico, ciência e religião. Deixo também o comentário à prestação de Jodie Foster que, como é habitual, sozinha dá um brilho impressionante ao filme.

  Contacto é baseado num livro com o mesmo nome escrito por Carl Sagan. É um escritor que, estando nas prateleiras de umas quantas bibliotecas e papelarias, já me cativou a atenção umas quantas vezes, apesar de nunca ter lido nada dele. A julgar por este "contacto" irá sem dúvida para à lista de autores que quero ler.

O Senhor Dos Anéis

   Confesso que tenho uma espécie de fascínio estranho por estes filmes. Não os considero propriamente os melhores de todos os tempos, nem sequer os meus favoritos, mas é certo que quando alguma conversa por acaso chega a eles fico logo empolgado. Não sei. Talvez seja por já os ter visto uma data de vezes. Talvez seja a formação da irmandade no primeiro livro, com os seus altos e baixos, talvez seja a participação dos Ents no segundo a mostrar que com a natureza não se brinca, ou talvez seja a leve sensação de tristeza que fica no fim do terceiro. 

  Sim, os filmes têm defeitos...e muitos. Mas o mundo que Tolkien criou é tão abrangente e completo, a jornada de Frodo é algo de tão extraordinário que não consigo evitar amar estes filmes.

  Até da trilogia "Hobbit" eu sou fã, tão criticada por andar vagarosamente. "Eu vi o primeiro filme mas parece que nada se passou...". Enfim, as pessoas estão tão cheias de filmes de acção que parecem já nem aceitar um filme lento. Ou talvez seja uma questão de gostos, não sei.

  

  Passando à frente, hoje requisitei na biblioteca "O Hobbit" do senhor JRR Tolkien. Dele pouco ouvi, mas a trilogia que o segue parece ser de não muito agradável leitura pelo simples facto de ser bastante lenta e ter muitas músicas lá escritas. Mais uma vez: não sei. As minhas espectativas são muito altas. É acabar de ler o meu livro actual (Intermitências da Morte de Saramago) e depois vamos ver o que nos reserva o senhor Tolkien.

Uma Senhora Herança (My Old Lady) - Israel Horovitz

oldlay.jpg  Tirem lá o vinho à professora Mcgonagall de uma vez por todas! Que diabos anda ela a fazer a aparecer em filmes? Não só a aparecer neles, como a dar performances esplêndidas. E aliás, não só ela como os outros dois actores principais deste filme. Este realizador tem uma carreira bem mais relacionada com teatro do que com cinema e, tendo sido ele a escrever o filme, antes de um argumento este foi primeiramente uma peça de teatro. É um filme bastante fácil de imaginar enquanto peça por estar, na sua maioria, feito dentro de uma casa, em menos de uma mão-cheia de divisões.

  A história em si é interessante, seguindo a personagem principal, Mathias, um homem de meia-idade que pouco ou nada conseguiu na vida, até Paris onde o espera uma casa que herdou do pai. Nessa casa vai encontrar as personagens de Maggie Smith e Kristin Scott Thomas, mãe e filha, lá residentes. O que se segue é um desvendar de histórias familiares, de amores, desamores, encontros, desencontros e reencontros. Gostei imenso do filme e recomendo-o vivamente a quem queira ver algo simples e inteligente, por vezes divertido, por vezes bastante dramático. Com o background teatral que o filme tem uma coisa é óbvia: o foco é dado às personagens e aos diálogos que são extremamente bem escritos, tendo sempre, mesmo nos momentos mais informais, bastante classe. Há tempos vi uma entrevista com alguém (terá sido Woody Allen?) que afirmava que para se fazer um bom filme a única coisa necessária é contratar os melhores actores que por aí há e deixá-los brilhar. Israel Horovitz certamente fez isso aqui e assim fico à espera do próximo trabalho dele: que seja tão bom quanto este.

Por Aqui e Por Ali (A Walk in the Woods) (2015) - Ken Kwapis

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  Com a idade nem sempre vem um entendimento superior da vida em si, muito menos qualquer sentimento de auto-realização. Gostamos de pensar que daqui a uns anos teremos a vida mais orientada, mas independentemente de tal se verificar ou não, o seu sentido - ou significado - escapar-nos-à sempre. É com este sentimento, uma mescla de nostalgia e desalento, que um escritor, Bill Bryson, já velho, decide partir numa grande caminhada ao longo de um conhecido trilho americano (Appalachian), acompanhado de um amigo que não vê há décadas.

  O filme é baseado na vida real do autor que editor um livro com o mesmo nome. Gostei dele. Os cenários são lindos e é apenas uma história simples de desencontros e velhas amizades quando a idade já vai avançando. Vejo-me imensas vezes a preferir e a querer ver filmes assim, calmos e serenos, mas na verdade são relativamente difíceis de encontrar, ou pelo menos não saltam aos molhos das prateleiras. A idade das personagens, com as diferentes perspectivas de vida que as acompanham é, sem dúvida, uma mais e grande valia.

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