Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Pelos castelos de Portugal

  Certa vez ouvi um homem falar muito emocionadamente de uma viagem que fez à Índia. Entre outras coisas ridículas descrevia como, em vários sítios por onde andou, as mulheres andavam na rua não ao lado dos maridos mas sim atrás, e nunca sozinhas. O homem também falou em como lá, se uma mulher de alguma forma falta ao respeito (seja lá o que for “faltar ao respeito”) ao marido, vai sofrer consequências disso, e que um castigo usual é algum tipo de desfiguração facial.

 

  Esse homem era um instrutor de yoga que se vestia todo de branco e falava disto com um estúpido ar de tolice. Quando confrontado com essa situação ele respondeu apenas, encolhendo os ombros, “é a cultura deles”. Parecia abastado e já tinha viajado para retiros e outras coisas turísticas nesse país umas quantas vezes.

 

  Há por aí muita gente que diz que viajar é tudo. Que viajar basicamente nos torna, sob todos os aspetos e considerações, pessoas melhores. Não sei se é só publicidade para agências de viagens, se é inveja de quem tem pouco dinheiro e nunca vai a lado nenhum, se é gabarolice de quem tem de sobra e vai a todo o lado.

 

  Cá a mim parece-me que uma pessoa pode viver uma vida inteira num raio de cinco quilómetros e ser perfeitamente equilibrada e, no geral, enfim, boa pessoa. Talvez um tanto aborrecida com a vida mas isso é outra conversa. A mesquinhice e a idiotice afinal são comuns a todos e não me parece que gente “mal criada” vá mudar por ir ver o palácio de Westminster e ouvir as badaladas do Big Ben. No entanto, de qualquer forma, estando-se longe do mar, vale a pena subir algum monte, mesmo que esteja a uns bons quilómetros de distância, para alargar a vista…

GOPR2395.JPG

Este Verão eu vou...

21083199_apsaz.png

  Antes de mais, porque as regras desta tag assim o ditam, porque quero  e fica bem, agradeço à Vilã pela nomeação! Espero que consiga tornar a sua lista realidade, tirando a parte de torcer por Portugal no mundial de futebol, que essa infelizmente já era. Este desafio consiste numa lista de dez coisas (mais ou menos exequíveis) que gostaríamos fazer antes da chegada do Outono. Por fim devem-se nomear cinco pessoas para elaborar uma lista similar, a seu gosto.  A minha é a seguinte:

 

1: Caminhar bastante. Não tenho calçado novo, mas está na altura de vincar um pouco mais o bronze à camionista. Percursos pedestres e afins há por aí muitos, geralmente mal  marcados, vira uma pessoa aqui e ali e já não sabe onde anda.

2: Posto o que está acima, tentar não andar para trás e para diante nesses mesmos trilhos, que nem uma barata tonta como costuma acontecer, procurando borrões de tinta em pedras que indiquem o caminho a seguir.

3: Tocar flauta. O gosto pela música já não é o que era, mas anda uma algures aqui por casa e já está na hora de lhe dar uso.

4: Fazer e terminar uma data de posts aqui para o blog. Há uns quantos perdidos, inacabados, incompletos, deficientes, incapacitados, todos eles ao abandono em preparos vergonhosos...

5: Ler mais. No geral mesmo. A pequena pilha de livros tem aumentado nos últimos tempos e não há meio de reduzir.

6: Ir novamente à praia. Viver no fim do mundo longe da maresia não dá com nada.

7: Dormir regularmente. Pelo menos as bem-ditas sete horas, acordando sempre cedo.

8: Ao contrário da Vilã eu quero mesmo conduzir mais. Já há algum tempo não tinha carro e estava com saudades. Ganhasse eu o euro-milhões, ou prémio similar, passava uns bons tempos nisso. E já que estamos embalados com o carro em ponto morto...

9: Ganhar o euro-milhões. As probabilidades podem ser reduzidas, mas certamente são inexistentes para quem não joga, como eu. Um dia gasto os 2,5€, quem sabe?

10: Correr muitas dessas festarolas e feiras de Verão que hão-de começar por esta altura.

 

  Espero que todos estejam a ter um ótimo Verão e que consigam fazer tudo o que desejam, todos estes pontos nas vossas listas, estejam elas escritas ou apenas na cabeça. E se ótimo não for, que seja pelo menos agradável, nem sempre a vida dá para mais e tantas vezes isso basta.

  Por último fica lançar a outros o desafio. Parece-me chegar tarde aqui, muita gente respondeu já à tag e o Verão vai adiantado. Nomeio Pântano, Samantha, SarinRita e por último, apesar de ser um pouco batota, todos os que pelas artes mágicas dos blogs ou das internetes aqui venham parar!

O dinheiro não importa

  Tantas vezes se ouve essa frase, tantas vezes exaltada, tantas vezes é o dinheiro desdenhado. Tantas vezes se diz que o amor à camisola é que importa, tantas vezes se diz que trabalhar por paixão é melhor que trabalhar por pão.

 

  Estas frases e muitas mais são tantas vezes ditas, como hoje o foram a mim, por gente endinheirada...

Despacha-te e espera

  …parece ser o lema em Portugal. Nunca foi famoso pela pontualidade e não sei como é em outros sítios, mas verdade seja dita que a falta de pontualidade me irrita bastante. Irrita, isto é, quando é por partes dos outros, porque eu não sou, nem de perto nem de longe, a pessoa mais pontual do mundo. Deixo-me dormir, faço mal as contas ao tempo, esqueço-me dos compromissos, atraso-me por isto, por aquilo, pelo outro: é a areia das gatas que tem de ser limpa, é a barba que tem de ser cortada, é alguma louça que está por lavar, é o computador que reclama demasiada atenção, são os sapatos que não aparecem, é a cabeça que se esquece onde pôs as chaves, mesmo tendo estado elas nas mãos há dois minutos. E tudo isso ao mesmo tempo e exatamente na altura em que se tem de sair de casa.

 

  Quando se trata de algo combinado entre conhecidos, apesar de aborrecidos, os atrasos por vezes até são aceitáveis. Mas é incompreensível quando se trata de algo profissional. “Olha, vem à entrevista às 11 em ponto”. Chega-se lá e, depois de uma hora à espera, aparece o entrevistador nas calmas com outra pessoa a falar e a rir, café numa mão, cigarro na outra e diz “é só mais dez minutos”. É a consulta marcada no dentista onde, se chegamos nós atrasados cinco minutos são capazes de se sair logo com um “não era àquela hora?!”, mas independentemente da hora a que se chega tem de se esperar meia hora, pelo menos, até sermos atendidos. E nem para fazer dinheiro as pessoas se despacham, como aquele vendedor do anúncio do olx, que combina às 7 da tarde, um pouco depois do trabalho para dar tempo para sabe lá deus o quê, e só aparece às 7:30 a caminhar vagarosamente e diz "era para lhe ter mandado uma mensagem mas...". Mas, mas , mas. Há mas, há meio-mas, há terços, quartos e quintos de mas. Mas é a palavra de ordem para justificar falta de pontualidade.

 

  Enfim, é assim pelo menos Portugal: despachem-se a chegar onde têm de chegar e preparem-se para esperar bastante quando lá chegarem.

Cheios de estilo

  Nunca consegui compreender esta coisa de “ter estilo”. No meio de uma conversa sobre moda e roupa e sei lá mais o quê, já há algum tempo atrás, um colega disse-me o seguinte: “Bem, se há alguém que não se preocupa com este tipo de coisas és tu.” Aí está algo dito só para envergonhar, fazer os outros sentirem-se mal e baixar-lhes bastante a auto-estima.

 

  Nunca estive na moda, nunca fui cool, nunca me soube pentear ou vestir de forma cool, de forma a gerar elogios de outra pessoa que não a minha Maria. Estilo e moda sempre me passaram ao lado, como pessoas desconhecidas que vemos pelo canto do olho na rua fazendo algo que não conseguimos perceber; são áreas nas quais nunca tiraria um “excelente”, mas não quer dizer que não queira, não me importe ou não tente.

 

  Nunca consegui compreender esta coisa de “ter estilo”. Há quem vista um par de calças e uma t-shirt lisa e fica logo com um look de invejar, já eu quando o faço pareço um vagabundo. Mas que raio? Como é que outros conseguem? O meu corpo é deficiente de uma forma que não consigo compreender? Ou será que simplesmente não passo tempo suficiente a tentar ter uma aparência cool? Ou será por comprar apenas a roupa mais barata que se arranja e apenas uma peça de ano a ano se tanto? Porque afinal a roupa é cara, mas viver também é caro e uma pessoa tem de se sustentar. Bem, mas isso não será, porque não falta para aí gente cool com roupa velha…que de alguma forma fica com look "vintage" enquanto eu fico com um look abandalhado.

 

  A ciência de bem-parecer, está visto, é algo que nunca vou compreender apesar de até já ter pesquisado diversas vezes o assunto e seguido dicas disto e daquilo. Os outros reparam, olham para a aparência, literalmente de cima a baixo e de baixo a cima. Infelizmente no meu caso a única coisa que comentam depois de olhar é “bem, se há alguém que não se preocupa com este tipo de coisas és tu”, apesar de me preocupar e apesar de tentar. E que posso eu responder verbalmente que acompanhe o misto de sentimentos negativos que acompanha um comentário desses? Não sei. Enfim, não compreendo esta coisa de “ter estilo”.

Tenras Idades

  A carreira de um desportista, na maior parte dos casos e dos desportos, é curta. Chega-se aos trinta, talvez mais meia dúzia de anos, e acaba. O curioso é que uma pessoa com trinta anos hoje em dia ainda é “jovem”, mesmo que o corpo não seja já o que foi antes e por vezes pareça ser feito para não durar muito.

 

  Ontem no trabalho ouvi duas pessoas falar de uma terceira colega que há-de ter os seus quarenta, e referiram-se a ela como “jovem”. Com trinta anos nos dias que correm muita gente ainda vive na casa dos pais, sem nunca ter trabalhado, sem saber o que fazer da vida, talvez sem querer fazer nada, e por vezes a gastar dinheiro em noitadas. Não é que seja mau ou bom, é o que é e eu não sou ninguém para dizer o que quer seja sobre o que é e o que deixa de ser: faz-me é confusão que pessoas com quarenta e trinta anos sejam consideradas “jovens”.

 

  Com trinta anos já o cabelo cai às mãos-cheias, já a cara se vai enchendo de rugas, já os olhos veem torvo, já os dentes apodrecem e caem, já os ossos estão perros, as articulações cansadas e os desgraçados dos joelhos cheios de dor, especialmente com o frio do Inverno. Enfim, ainda jovens…

Dolores O'Riordan

  Vi agora num desses "feeds" de notícias que enchem páginas de internet por todo o lado. Morreu, no dia de ontem, Dolores O'Riordan, mais conhecida por ser a vocalista de The Cranberries, uma banda que intermitentemente sempre me foi acompanhando já desde que eu era bem novo. Estava eu no básico quando uma colega me emprestou um cd deles para ouvir, tendo esse mesmo sido o primeiro CD que alguma vez tive nas mãos. Na capa preta viam-se umas pessoas sentadas num sofá e o álbum começava com uma guitarra que, quanto mais tempo passa, mais hipnotizante e triste me parece; de seguida entram os outros instrumentos e por fim a voz dela... Certo é que enquanto tiver ouvidos que ouçam música vou ouvir esta banda e esta voz.

Cigarros e ano novo

  Muita gente fica esperançada para o “novo ano”. Entram então em campo as resoluções que, no conjunto, formam uma ideia de vida melhor que a anteriormente vivida. Dos milhões de projetos de ano novo feitos, pergunto-me quantos, até ao dia de hoje, 3, já foram esquecidos e atirados para o cesto dos pensamentos inúteis.

 

  Este ano também tenho uma, que certamente partilho com imensa gente: deixar de fumar. Quantos já a terão quebrado nestes três dias e meio? Em Portugal, na faixa etária entre os 25 e os 39 anos a percentagem de fumadores é cerca de 38% (link). Se me perguntarem porque é que fumo não sei dar uma resposta de jeito. Hábito, talvez? Não sei, mas sei que 38% é um número um bocado ridículo do qual sinceramente não estava à espera (mas que aparentemente está a descer que aquele link não é recente).

 

  Há vícios que parecem ser uma loucura, que deixam as pessoas tolas se não os satisfazem. Fumar não é assim. A nicotina funciona subtilmente, é um hábito, algo que é feito muitas vezes, até só para matar tempo, é ter uma pausa de dez minutos no trabalho e não ter mais nada que fazer. Quem não conhece alguém que é viciado mas que não o assume, que diz que a qualquer altura deixa de fumar mas não deixa e assim regularmente lá está a comprar mais um maço de tabaco, cujo preço tem vindo a disparar de forma estúpida durante os últimos anos. Talvez esses tenham razão apesar de continuarem, talvez tenham a certeza que tem razão, ou então não entendem como funciona a nicotina porque a sensação criada pelo tabaco – ou melhor, pela falta dele – não é algo forte que passe por necessidade.

 

  32% dos fumadores já tentou deixar de fumar e eu sou um deles. A verdade é que é simples, é só não fazer algo que não dá trabalho nenhum a fazer, que é feito sem ter qualquer objetivo específico à vista e que, ao contrário de muitos outros vícios, maioritariamente não dá prazer algum. Não se fuma para se estar num estado diferente, não se fuma para esquecer, não se fuma para se ficar alegre; apenas se fuma. No entanto deixar de o fazer é uma espécie de dança executada por dois parceiros tolos que não sabem o que estão a fazer e se pisam constantemente. Ou então pessoalmente apenas nunca me tenha convencido e por isso continuei. Ou como alguns dizem quem deixa de fumar “está apenas entre cigarros”. Para mim nunca houve um intervalo de tempo muito longo apesar de algumas tentativas. Não sei porquê. Se é algo que em si não tem finalidade, que muito pouco ou nenhum prazer dá e que muitos chamam até de nojento, qual é o problema? … meh … As pessoas raramente mudam e muito menos gostam de mudanças, talvez seja isso.

 

  E assim se chega ao ano novo, quando ainda tinha menos de meio maço que fiz questão de acabar e...já foi. Bye-bye, por agora pelo menos, e que se seja por um longo longo tempo. A ver vamos.

Piloto Automático

  Todos nos vamos sentindo inferiores e superiores a outros. Porque será? Vai-se a ver culpa-se a raça, o ser humano com o seu confuso cérebro, a classe animal ou até quase toda a forma de vida que tenha massa cinzenta. Pelo menos a classe denominada por mamíferos vive maioritariamente organizada em grupos e em famílias onde há sempre os que lideram e os que ficam a ver. Talvez venha daí, não sei, mas é certo que esse sentimento de superioridade demonstra-se de formas muito estúpidas e pessoais. E isto desde tenras idades.

  Já na pré-escola é possível ver os garotos em grupos, onde um deles é sempre líder, de uma forma ou de outra. E é bem fácil de identificar pois esse garoto é literalmente seguido pelos outros, é olhado quando há dúvidas, é ele quem escolhe qual a brincadeira seguinte. E assim alguns crescem e passam uma vida inteira a pensar que são melhores que os outros e por vezes têm uma vida inteira em que são sempre o centro das atenções, seja porque razões for. E o oposto também. Inúmeros estudos foram e continuam a ser feitos em escolas e sobre interações escolares por estas serem uma boa espécie de bolha onde o comportamento humano é mais facilmente identificado e catalogado. Apesar de envelhecermos, os velhos não aprendem nem mudam. Há mais mesquinhice e as atitudes são mais subtis, mas ao fim ao cabo, no geral, nada muda.

  Em qualquer ambiente adulto é fácil reconhecer os chico-espertos, aqueles e aquelas que são boas e o sabem (fisicamente), os pseudo-intelectuais, etc... A postura, o olhar, a forma como olham, por vezes de cima a baixo. Eu nem sei. A maior das conversas, aos meus ouvidos, parece resumir-se a “eu sou melhor que tu” “não, não és, eu é que sou”. Quando se fala em gostos, então: “A minha banda favorita é melhor que a tua”. Bah. Então nas redes sociais nem se fala… Quando se é novo pensa-se que à medida que se envelhece há coisas que vão melhorando. Ao julgar isso apaga-se é da memória que os velhos são muitas vezes os mais rudes e indesejados.

  Nunca percebi as interações humanas. Acho que falta (à falta de melhor palavra) visão. Ou se calhar sou eu quem tem falta dela. Com isto vem à cabeça um dos mais famosos poemas de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) que começa com “Nunca conheci quem tivesse levado porrada”. Por vezes parece que estou à margem dos outros, "...sempre campeões em tudo". Mas no final de contas não são todos os humanos animais tentando-se orientar na vida em “Piloto Automático”(?): nome da música ao compasso da qual este post foi escrito. Não é que seja uma música muito boa por si só, mas por vezes, apesar de todo o snobismo que há (também) na arte em geral, basta uma mensagem que nos toque, com a qual nos identifiquemos, nem que seja momentaneamente, dita de uma forma não muito lamechas. Neste momento a Piloto Automático consegue ser tudo isso. Porque ninguém pede para existir mas todos têm que aturar este mundo. Aqui fica a música:

Tempestades

  Com os ventos fortes, a chuva intensa e o frio, mas especialmente com os ventos fortes e os sons fantasmagóricos que criam durante a noite, os rebanhos nos bardos juntam-se. Cabras, ovelhas e outros, anteriormente separadas ocupando o máximo de espaço possível, ainda assim juntas em família, amontoam-se assustadas nos cantos. Em criança, no sítio onde cresci, não havia inverno em que lá vinha mau tempo e se ficava sem eletricidade durante, por vezes, mais de uma semana. No curto espaço de tempo em que se fica acordado, após o anoitecer, janta-se e fica-se um bocado a olhar para o lume à luz de uma vela ou um candeeiro a algum canto. Há um certo prazer em ficar a ver o lume a apagar-se. Algo difícil de explicar, mas especial e hoje já quase esquecido, mas feito por famílias durante séculos, e ainda hoje em terras afastadas onde não é estranho ficar sem luz durante períodos ainda longos após uma chuvada mais forte.

 

  Quando me falaram numa tal tempestade a que se chamou “Ana” não prestei muita atenção e nem levei guarda-chuva para o trabalho. Aqui nada se fez sentir de forma estúpida, mas até se sentiu. No trabalho, desde o cair da noite, esporadicamente foram-se ouvindo uns estrondos que as pessoas presumiram serem telhas das casas mais acima a cair no nosso telhado. Também se fez ouvir alguma chuva mais forte e vento. Para alguns que vivem longe do trabalho falou-se inclusive de uma ou outra estrada que aparentemente tinha sido cortada. Quando chegou a hora de saída o tempo parecia ter melhorado de um momento para o outro. Indo a pé para casa apanhei uma grande molha, mas nada de mais. E nada que um guarda-chuva tivesse salvado pois muito provavelmente, apesar de já não muito forte, o vento estragaria ainda o velho guarda-chuva. Aliás, encontrei dois ou três escavacados e abandonados ao longo do caminho.

 

  Em casa o cão dormia, alienado completamente de tudo. As duas gatas estavam um pouco sobressaltadas e notava-se-lhes algum medo. As velhas janelas de madeira batiam, uma delas rachou-se, e por quase todas elas entrou alguma água. Não muita, nada de grave, mas ainda assim lá se tem de andar com a esfregona de um lado para o outro e, para precaver, lá se barricou uma das janelas com o que se conseguiu encontrar. Imagino apenas o que será viver num daqueles cantos do mundo onde há tempestades a sério constantemente, furacões (pf!), tsunamis!  Mas enfim, durante alguns segundo até se finge que se vive no rés-do-chão e nos estamos a proteger de algum ataque de zombies... Entretanto muitos não podem é telefonar a ninguém que com o mau tempo as telecomunicações andam todas maradas.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Blogues

Youtube

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Mensagens