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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Tempestades

  Com os ventos fortes, a chuva intensa e o frio, mas especialmente com os ventos fortes e os sons fantasmagóricos que criam durante a noite, os rebanhos nos bardos juntam-se. Cabras, ovelhas e outros, anteriormente separadas ocupando o máximo de espaço possível, ainda assim juntas em família, amontoam-se assustadas nos cantos. Em criança, no sítio onde cresci, não havia inverno em que lá vinha mau tempo e se ficava sem eletricidade durante, por vezes, mais de uma semana. No curto espaço de tempo em que se fica acordado, após o anoitecer, janta-se e fica-se um bocado a olhar para o lume à luz de uma vela ou um candeeiro a algum canto. Há um certo prazer em ficar a ver o lume a apagar-se. Algo difícil de explicar, mas especial e hoje já quase esquecido, mas feito por famílias durante séculos, e ainda hoje em terras afastadas onde não é estranho ficar sem luz durante períodos ainda longos após uma chuvada mais forte.

 

  Quando me falaram numa tal tempestade a que se chamou “Ana” não prestei muita atenção e nem levei guarda-chuva para o trabalho. Aqui nada se fez sentir de forma estúpida, mas até se sentiu. No trabalho, desde o cair da noite, esporadicamente foram-se ouvindo uns estrondos que as pessoas presumiram serem telhas das casas mais acima a cair no nosso telhado. Também se fez ouvir alguma chuva mais forte e vento. Para alguns que vivem longe do trabalho falou-se inclusive de uma ou outra estrada que aparentemente tinha sido cortada. Quando chegou a hora de saída o tempo parecia ter melhorado de um momento para o outro. Indo a pé para casa apanhei uma grande molha, mas nada de mais. E nada que um guarda-chuva tivesse salvado pois muito provavelmente, apesar de já não muito forte, o vento estragaria ainda o velho guarda-chuva. Aliás, encontrei dois ou três escavacados e abandonados ao longo do caminho.

 

  Em casa o cão dormia, alienado completamente de tudo. As duas gatas estavam um pouco sobressaltadas e notava-se-lhes algum medo. As velhas janelas de madeira batiam, uma delas rachou-se, e por quase todas elas entrou alguma água. Não muita, nada de grave, mas ainda assim lá se tem de andar com a esfregona de um lado para o outro e, para precaver, lá se barricou uma das janelas com o que se conseguiu encontrar. Imagino apenas o que será viver num daqueles cantos do mundo onde há tempestades a sério constantemente, furacões (pf!), tsunamis!  Mas enfim, durante alguns segundo até se finge que se vive no rés-do-chão e nos estamos a proteger de algum ataque de zombies... Entretanto muitos não podem é telefonar a ninguém que com o mau tempo as telecomunicações andam todas maradas.

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