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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Trechos

  A certa altura da minha vida, nos tempos de estudante, vivi numa residência - dos serviços de acção social - bastante grande onde, durante o período escolar, habitavam mais de 300 universitários. Saía bem mais barato que alugar um quarto qualquer e passavam recibos. Essa residência (residencial?), para além de vários pisos, tinha duas alas, direita e esquerda, sendo a última destinada, na sua grande maioria, a estudantes de outros países, integrantes de erasmus e outros programas equivalentes. Asiáticos, europeus, americanos e africanos, gente de todo o lado, confinada àquela ala. Imagino que na ausência de tal divisão houvessem inúmeras queixas por parte de portugueses referentes à barulheira que se fazia ouvia em muitos dos quartos de gentes de fora que facilmente atravessava as finas paredes que não coavam som algum.

  Eu vivia, portanto, no lado correspondente aos portugueses, nacionalidade que não tinha direito a grandes festas ali dentro e que deus ajude quem as faça que logo há processos disciplinares e uma possível expulsão para encarar. Ao contrário de muitos, que em conversas afirmavam preferir um maior convívio e contacto com as outras nacionalidades, eu certamente não estava descontente com aquela disposição. Sempre preferi sossego a ambientes turbulentos. Se os polacos e afins vinham para cá com o intuito de festejar, viajar, descontrair e embebedarem-se, pois bem, que o fizessem, mas a alguma distância de mim que procuro, invariavelmente, alguma paz.

  O sossego, principalmente no ponto que nos dias que correm pode ser visto como o extremo que é o silêncio, é viciante. Séries e filmes passam a ser vistos com o som controladamente baixo, de maneira a que as suas conversas e bandas sonoras sejam ouvidas, ainda que clara e perceptivelmente, como que ao longe. Os sons sobre os quais não se tem controlo passam a ter uma espécie de sabor estranho. Carros a passar ao longe, berbequins e outros instrumentos de qualquer obra não distante, conversas incompreensíveis de pessoas que passam perto da janela, um qualquer aspirador que apanha partículas de sujidade num piso por cima ou por baixo, alguém que bate à porta de um vizinho...

  Enfim, mais logo vou cozinhar. Tenho lentilhas em água em cima da bancada da cozinha, batatas num saco de plástico dentro de uma prateleira, cenouras e couve no frigorífico. Continuarei a leitura do meu actual livro tendo nos ouvidos a soupa a fervilhar.

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