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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

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Três contos de Beatrix Potter

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  Recentemente estreou nos cinemas um filme chamado “Peter Rabbit”. Pelo trailer não parece muito bom. Não conheço bem a personagem, sei apenas que vive numa quinta que na verdade pertence a um tal de senhor Gregório, a quem o “Pedrito Coelho” faz a vida negra. A personagem foi criada por Beatrix Potter, que editou uma data de contos infantis durante a primeira metade do século passado. Aqui o que eu acho singular é que ela não só escreveu, como ilustrou os seus livros. Não me recordo de nenhum outro autor que tenha feito as duas coisas à escala que esta senhora fez. E talvez a ilustração seja até a melhor parte, mas pessoalmente não me interessa tanto quanto as palavras escritas… Para mais informações sobre a autora vejam este post:

https://pantano.blogs.sapo.pt/o-imaginario-mundo-de-beatrix-potter-40769.

 

  Foi na biblioteca que estes três pequenos livros foram requisitados da secção dos mais novos. São bem pequeninos e leem-se rapidamente. Literatura para adolescentes há a montes, e algumas coisas muito boas lá pelo meio, mas infantil…? Eu não percebo histórias infantis. Não há enredo, não há objetivo, e pior do que isso, nem parece haver um sentido. Mas vamos lá por ordem de leitura.

 

  O primeiro deles que li foi “A história da Senhora Rata Migalha”. Esta rata migalha só quer ter uma casa limpa e em ordem, mas todo o tipo de bicharada entra lá constantemente, sujando-lhe tudo. O que ela menos gosta, e que a visita, é um sapo que vem dos esgotos e deixa tudo cheio de pegadas. No entanto o sapo afugenta-lhe todos os outros bichos da casa. Depois de ele ir embora, com musgo e paus, a rata migalha tapa parte da entrada da porta de modo a que o grande sapo nunca mais possa entrar. Aí ela limpa a casa e dá uma festa convidando os ratos da vizinhança… Nem nexo  nem moral a meu ver.

 

  Já “A História dos Coelhinhos Flopsi”, primos do coelho Pedrito já agora, e que não tendo muita comida em casa decidem ir alimentar-se por aí...alimentar-se de alface do caixote do lixo do senhor Gregório. Aparentemente a alface dá sono aos coelhos deste livro e é a dormir que o senhor Gregório os apanha. O agricultor lá pensa que já tem almoço, mete-os num saco que fecha e deixa sozinho durante uns minutos. Tempo suficiente para os coelhos se escapulirem, encherem o saco de coisas podres e ficar a ver a reação da mulher do senhor Gregório quanto abre o saco… Mais uma vez parece não haver nada que valha a pena ler aqui. Ou não sei, eu não vejo nada que valha a pena.

 

  Por fim temos “A História do Esquilo Trinca-Nozes” que tem até o seu quê de macabro. O trinca-nozes é..é um otário…que vai ser castigado. Portanto junto da casa dos esquilos fica um lago, no centro do qual há uma pequena ilha onde vive uma coruja, e nessa ilha há uma série de nogueiras. Para não serem comidos pela coruja, os esquilos levam-lhe sempre comida, e em troca ela deixa-os apanhar nozes. Mas o trinca-nozes nunca lhe leva nada, só goza e faz pouco dela. Nem sequer na recolha de alimento participa. Como castigo, a certa altura a coruja já farta dele apanha-o, supostamente para o comer. Ele lá consegue fugir, as fica sem cauda. Aliás, é assim que o livro começa: “Esta é a história de uma cauda”.

 

  Não é que os livros tenham de ter uma moral, aliás, isso na maior dos casos só prejudica uma história, mas estas pelo menos podiam ter nexo. Especialmente a da Senhora Rata Migalha…é que não tem ponta por onde se lhe pegue. Já a do Trinca-Nozes parece apenas um castigo absurdo. Como disse no início, acho que o mais bonito destes livros são os desenhos de Beatrix Potter. Abaixo deixo o exemplo talvez do meu favorito destes três livros: os esquilos a irem para a ilha, em jangadas de pauzinhos e com as caudas a servir de velas.

  Talvez estes contos façam parte de uma imagem maior, até porque os livros assemelham-se a pequenos episódios e muitas das personagens parecem aparecer com alguma frequência, e daí eu não estar a ver o sentido de nada disto. Eu sei é que achei, por exemplo, Os Contos de Beedle O Bardo, da JK Rowling um livro excecional. E são contos infantis que fazem parte de um universo ficcional criado pela escritora.

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