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Sofá Branco

"Esta é sem dúvida a era das novas invenções para matar corpos e salvar almas, todas divulgadas com a melhor das intenções." - Byron

Sofá Branco

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Zombies e Walking Dead (A Estrada de Woodbury - Robert Kirkman e Jay Bonansinga)

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  Quem acompanhe a série de televisão ou leia as bandas desenhadas certamente se lembra do “Governador”, Philip Blake, e certamente se lembrará também da sua cidade, Woodbury. Enquanto na série, inicialmente, Woodbury nos é mostrado como uma espécie de utopia com umas quantas particularidades não muito bonitas, nas bandas desenhadas é podre desde o início. E é essa a Woodbury que aqui vemos. Mas só lá se chega já depois da centésima página.

 

  É possível que quem siga a série e não saiba da existência deste livro fique contente, mas ficará mais ainda em saber que é o segundo de uma série que segue a história desta cidade. Mas mesmo que não sigam ou não saibam absolutamente nada de Walking Dead, não há problema pois seguimos aqui personagens diferentes com uma nova história; nem sendo este o segundo livro, precisam ler o primeiro.

 

  Confesso que até gosto e sigo a série. Esta ideia dos zombies, por mais tola que seja e mesmo não fazendo sentido nenhum, já tem dado pano para mangas e não faltam para aí histórias envolvendo um futuro onde algo acontece e os mortos começam a andar e a comer pessoas. Por vezes apenas cérebros de pessoas, o que é tipo…a cereja no topo do bolo da tolice, mas ei, não é como se não se pudessem criar histórias e personagens interessantes sob uma premissa tola. Premissas tolas não faltam por aí. E só faço questão de o dizer porque já houve tanta história disto que aparentemente há uma certa “má” reputação aqui. Mas desde o filme “Night Of the Living Dead” que saiu em 1968 relizado por George Romero, tido como o filme que popularizou em massa a própria ideia dos zombies, já foram feitas muitas histórias até decentes pegando neste tópico. E assim se chega ao livro “A Estrada de Woodbury”.

 

  Passa-se em Atlanta – nos arredores de - e seguimos principalmente Lily, uma jovem inicialmente meio medricas que se vai escondendo atrás destes ou daqueles. No começo as personagens estão num grande acampamento com mais de uma centena de pessoas onde há até uma tenda gigante de circo. Sendo Walking Dead lá acontece merda, lá Lily e o seu grupo se vão embora e depois de alguns meses e muitas peripécias, lá acabam por chegar a Woodbury, uma pequena cidade com uma muralha à volta, que está a ser expandida, e onde vivem cerca de cinquenta pessoas, das quais apenas doze são mulheres e apenas quatro dessas não são idosas – e se isto não é uma receita para o desastre…

 

  Há duas coisas que me incomodaram bastante neste livro: Em primeiro lugar, há uma personagem que trata Lily sempre como “boneca” ou “querida”, ou ainda, “pequena”, mas principalmente “boneca”. E essa palavra é repetida muitas, muitas vezes. Antes de mais quem é que vai tratar sempre alguém por “boneca”? Não sei…se calhar até é comum, mas não deixa de me incomodar. A segunda coisa é a seguinte: a certa altura estabelece-se que as personagens em Woodbury trabalham em troca de comida e outros bens, e a certa altura deixa-se de trabalhar… e nunca mais ninguém refere de onde provem a subsistência da personagem principal. Eu sei que em ficção por norma dinheiro nunca falta e vai-se dar a volta ao mundo com cinco tostões se for preciso, mas se o autor faz questão de estabelecer que, dia após dia, é assim que as personagens vivem e é assim que arranjam bens de consumo, havendo aqui uma quebra se calhar era melhor explicar também o que acontece depois. Uma frase ou duas bastaria. Não sei. Curiosamente também nunca mais mencionam especificamente (ou se o fazem eu não apanhei) a passagem do tempo e quem quiser defender o livro pode dizer que a partir dai toda a história se passa no máximo em dois ou três dias, mas lendo o livro tal também não faz sentido.

 

  Resumindo, não é o melhor livro de todos os tempos mas não é de todo um mau livro, e recomendo-o não só a, mas a todos os que gostem destes temas. É curioso como isto dos zombies se assemelha a “settings” de guerra, sendo um bom ambiente para colocar personagens em situações extremas, levando-as a extremos. E podem crer que aqui isso acontece!

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